quarta-feira, 9 de novembro de 2011

As costas do Vazio



Ontem sonhei com você.

Que tinha certeza, que sabia de tudo, que ouvida de tudo, esperava escuta.

Auscultei.

O Vazio corre em mim e corre de mim. Não o alcanço. Corro, léguas, maratona, atravesso a linha de chegada no Rio de Janeiro pra provar que posso. Osso. Acho que o Vazio corre pra que eu não o alcance mesmo, para que não veja o seu rosto, para que não saiba como é de frente. Só vejo suas costas.
Aflitivamente corro e, tartaruga com lebre, ele foge ifinidefinidamente. Mente.

Mente que posso alcançá-lo.
Mente que me comandamente.
Mente que eu finjo que acredito.
E retorno, eterno até certo dia, até certo ponto, até o diamante azul dos meus sonhos, dos sonhos da gente, quando a gente sonhava.

Hoje, vi uma menina linda atravessando a rua. Ela não vive no mundo da maldade, no mundo que tem mentira, na maçã mordida, na cicatriz que sangra da costela de Adão. Seu Vazio tem frente, seu Vazio tem lado. Seu vazio tem lada.

Meu mundo foi tomado de mim. Porque deixei por enquanto. Porque tento transformar o lodo em ledo, o cerco em cerca, o olho em olha, o canto em canto.

Do meu canto vou cantar pra ti sua música. Quando canto sua música, o Vazio para um pouco. E escuta.
E quando ouvir, vai auscultar comigo os nossos corações.
Que, de tão sincronizados, silenciam juntos.

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