segunda-feira, 24 de outubro de 2011

341

Essa é a postagem de número 341. Dificilmente alguém vai lê-la até o fim. Dificilmente alguém vai leila até o fim. Vai, Leila, até o fim. Por favor. Se você não leila, quem, então?
Eu estava lá quando minha avó morreu. Ao lado dela. Eu sei o que é isso.
Eu sei o que é presenciar a vida.
Eu sei que não duro pra sempre.
Sei que a qualquer momento posso faltar.
Sei que você que lê isso, fatal, mente.
O orgulho pulou do alto do esquecimento. E, porumomento, és, que cimento...
De cara para a postagem de número 341, me esborracho, me desapago, me desdeleto.
Desde Leto que anoite é clara. Com ela anoita-se, os sentidos.
Sem tidos. Sem sidos, sem nada.
Quero falar do amor, mas fui dormir mais cedo. Antes, me sentei no box, deixei a água cair março e anoitecer outubro, lembrando que a sede está, que o barulho do xixi da vizinha está, que seu silêncio está, que seu nada está, que a morte da minha avó está, que a morte próxima está, que o barulho da cama não está, que a lembrança está, que são tantos tidos que, sem, passam a não ser.
E o vazio, este seu mistério.
Quero chorar as noites agora, e deixar as manhãs sem lágrimas.
Melhor que pedir ajuda, é saber que alguém vai ouvi-lo.
Difícil.
Vamos pedir com cuidado.

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