domingo, 7 de agosto de 2011

o broto da inspiração



Hoje corre.
Corro cedo, volto a correr. Talvez inspirado pela constatação de que não adianta nascer.
A pequena resedá precisa de poda. Quando Rock Junior me disse que eu não aguentaria vê-la por quase dois meses sem uma folha sequer, eu ri por dentro. Disse a mim mesmo: que bom, isso eu já aprendi.
E aprendi a ouvir.
Rock me disse que ela precisaria de poda quando viesse à tona, nascesse, chegasse, brotasse, encontrasse espaço no mundo de ser, do ser, vento que venta de dentro.
Começo a correr.
Ela nasce, cresce, e precisa de poda.
Hoje corro por onde passa meu pensamento. Hoje vento por onde nasce o meu momento. Escuto Vander Lee enquanto corro por dentro. Meu amigo é outro sonhador que sabe o valor do nascimento. Ele venta letras e músicas enquanto se oniapresenta no mundo. Ele, como o meu pensamento, está aqui, está lá, com a noiva que casa mês que vem, com o padeiro que acordou mais cedo, com a esposa que reforma a cozinha, com o garoto que anda de bicicleta.
Sua música passeia no mundo, como meu pensamento, como meu sonho, como meu gosto pelo nascimento, como a minha constatação de que falta um tanto ainda. E corro.
Hoje, levantei os joelhos o mais alto que pude.
Hoje, abri a passada.
Hoje, fiz a curva meio deitado.
Hoje, encontrei o sol quando fiz a volta no quarteirão.
Hoje, nasci e flori para o mundo que pede pra nascer de novo e, quem sabe, precisar de poda, crescer música do Vander Lee ou virar café da manhã na cama com gosto de amor amanhecido.

2 comentários:

Rachel Murta disse...

Eu vou aprender a correr assim. Acho que até já estou aprendendo um pouco. Obrigada pela coragem, querido!

Carol Nogueira Gama disse...

café da manha na cama, sem motivo? hummm... que delicia! ;-)