segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Os Cílios da Minha Filha




emocionado
saldoso 
clareia

iluminado
nadando
abarca
sereia

amar
amor
paixão
venceu

as raízes da árvoremar são os rios que mó navegam







terça-feira, 23 de agosto de 2011

sobre a água em abundância

É bom que se diga: tudo tem limite.
É bom que se entenda: a cegueira por escolha talvez leve à surdez, à falta de tato, de faro, de paladar, ao silêncio, à falta de sensibilidade.
Nem tudo tem volta, nem toda escolha tem jeito, nem tudo que sobe desce, nem tudo cai do céu, nada é eterno.
É bom que se lembre que se morre muito de sede no meio do oceano. Apesar de toda aquela água.
Pode-se morrer de amor, circundado de amor.
Pode-se morrer de tédio, de gripe, de susto, de frio.
Pode-se morrer até de inveja.
Seis meses passam tão rápido quanto 5 anos, 10 anos, 12. No tempo do pensamento.
Quem vive tanto e tanto, traduz na lembrança a expectativa do tempo, dos tempos, dos temos.
Tememos. Morre-se também de temor.
E o interessante dos filmes de terror é que o susto acontece quando não se espera.
Você está esperando?
Quem vê o filme também está. Adianta?


Espero que você tenha feito pipoca.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sobre o mundo dos pôneis

Vou dormir.
E sonhar com um mundo onde não exista polícia civil, investigação, ação criminal, burrice, esquina, escuro, breu, solidão, insegurança, elevadores que caem, tocaias à noite, ladrão, assassinatos, crimes aparentemente sem motivo, aborto ilegal, delações, cartas, provas, burrice, desgosto, juízas mortas, tráfico de drogas, burrice, corrupção, inveja, medo, susto, síndrome do pânico, dor de cotovelo, cerveja quente, polícia militar, bandido, doença, burrice, dor de cabeça, câncer, insônia, caco de vidro, bala perdida, ratos, baratas, cobras, burrice e outras coisas assim assim. Afinal, se até os pôneis são malditos... imagine as pessoas. E os pôneis nos parecem tão lindinhos, né?
Burrice pega?

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eles dois




Olho pra foto que tem vocês dois. Passado e futuro, a linha do tempo provando que o presente é o que importa. Por quanto tempo estaremos juntos? Eu sei a resposta. No tempo do hoje, o presente que desembrulho me faz descobrir. Revelo veloz a lentidão do momento.
A linha do tempo dá uma volta no meu dedo. Aperta com o fio de ouro e marca que corta. Fica. Significa. Olhamos nus.
Um sabe. Um espera. Uma respira. E faz da simplicidade da vida todo o motivo da existência sublime.
Sou grato por ser um elo do meio, mais uma vez ponte, no mistério indescritível da vida. Continuo esperando. Acho que vou esperar a vida inteira. E viver só da admiração da inefável escuta.
Ausculto.
O coração que recebi de graça em Finesterre tem o mesmo som de uma concha de um caramujo do mar. Como as belas conchas de Gaudi...

domingo, 14 de agosto de 2011

Haikai do passo


Mudo, me calo, me principio.
Findo, calejado, a fala do silêncio. 



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As folhas e a Ana

Ana passou pela calçada e ouviu o vento chamando seu nome.
Imediatamente se virou e pode ver as folhas que corriam atrás dela.
Ela disse:
- Olha, as folhas estão correndo atrás da gente, gente!
E imediatamente começou a correr.
O vento que veio derrubou a casa, fez festa na menina, sacudiu poeira, cegou o moço da praça.
O vento que veio veio chamando as folhas pra brincar.
Ana sacudiu seu cabelo cacheado cheio de folhas, seus cachos dourados em contraste com o ocre.
Cicieira viu tudo. E saiu ventando levantando a Ana, levantanoaana, levantanaana, le ventana.
Do alto do infinito olhou para baixo e ouviu o silêncio do mundo: seu coração batia.
E decidiu voltar plainando, deitada em sua expectativa.
Você já viu as folhas dando tchau?
Eu já vi.

domingo, 7 de agosto de 2011

o broto da inspiração



Hoje corre.
Corro cedo, volto a correr. Talvez inspirado pela constatação de que não adianta nascer.
A pequena resedá precisa de poda. Quando Rock Junior me disse que eu não aguentaria vê-la por quase dois meses sem uma folha sequer, eu ri por dentro. Disse a mim mesmo: que bom, isso eu já aprendi.
E aprendi a ouvir.
Rock me disse que ela precisaria de poda quando viesse à tona, nascesse, chegasse, brotasse, encontrasse espaço no mundo de ser, do ser, vento que venta de dentro.
Começo a correr.
Ela nasce, cresce, e precisa de poda.
Hoje corro por onde passa meu pensamento. Hoje vento por onde nasce o meu momento. Escuto Vander Lee enquanto corro por dentro. Meu amigo é outro sonhador que sabe o valor do nascimento. Ele venta letras e músicas enquanto se oniapresenta no mundo. Ele, como o meu pensamento, está aqui, está lá, com a noiva que casa mês que vem, com o padeiro que acordou mais cedo, com a esposa que reforma a cozinha, com o garoto que anda de bicicleta.
Sua música passeia no mundo, como meu pensamento, como meu sonho, como meu gosto pelo nascimento, como a minha constatação de que falta um tanto ainda. E corro.
Hoje, levantei os joelhos o mais alto que pude.
Hoje, abri a passada.
Hoje, fiz a curva meio deitado.
Hoje, encontrei o sol quando fiz a volta no quarteirão.
Hoje, nasci e flori para o mundo que pede pra nascer de novo e, quem sabe, precisar de poda, crescer música do Vander Lee ou virar café da manhã na cama com gosto de amor amanhecido.