terça-feira, 5 de abril de 2011

Cada um sabe de si.


Colégio Sto. Tomás de Aquino.
Confesso, tenho livro dele, mas não cheguei lá, filosoficamente falando. Só algumas passagens, todas intrigantes, mas ainda não estou no ponto de ler São Tomás.
Em uma aula de catequese, sexta série do primário, 1985, meu professor, de quem não me lembro mais o nome, era um professor substituto, tentou ensinar:

Vocês sabem o que é o inferno?

[silêncio]

Veio o exemplo: não se pode dizer com exatidão o que é nem o céu, nem o inferno. Pode-se explicar: o inferno é como uma mesa posta. O melhor pão, o melhor vinho, o melhor queijo, as melhores frutas, a refeição feita com carinho, talheres, pratos, tudo lindo, limpo, novo, brilhando. A gente pronto, de banho tomado, com fome, bem vestidos, ao lado da mesa, já sentados em nossos lugares. Nos melhores lugares. Só que por algum motivo, alheio ao nosso entendimento, não conseguimos tocar na comida. Por mais fome que tenhamos, por mais perto que estejamos, por mais sedentos, por mais que a gente queira. Sentimos seu cheiro, a delícia da combinação dos aromas... mas não conseguimos pegar na taça de vinho, não conseguimos nos servir de pão, de queijo, das carnes, dos complementos suculentos. Fica tudo ali, pertinho dos olhos, ao alcance mentiroso das mãos, mas não é possível tocar... inferno é isso.

[silêncio - alunos se entreolham]

Em 1985, eu entendi o que ele quis dizer. Hoje, compreendo perfeitamente.

Um comentário:

Carla Vergara disse...

bê, que porrada! q bom q vc tá de volta. e com força!
beijo