terça-feira, 19 de abril de 2011

Vozes de Minas e os parceiros que nos encantam


Dia 16 foi dia mundial da voz. Ou algo semelhante.
Me sinto muito confortável para falar disso. Este ano faço 20 anos. Aniversário de 20 anos trabalhando com a voz. Às vezes, dizem os menos atentos:
- porra você demorou menos de 3 minutos e ganhou um dinheiro fácil!
Minha resposta: - quem falou que eu demorei 3 minutos? Demorei 20 anos.
É mais ou menos assim. Todo mundo sabe as cachaças que os outros tomam, mas não sabe dos tombos que os outros levam - diz o ditado. Demorei 8 anos pra que chegasse um roteiro em uma produtora de áudio com o meu nome. Trabalhei muito de graça - trabalho desde 14 anos de idade - e muito pra que conhecessem o meu trabalho, pra construir (eu bem sei) o que acho que é a tal competência.
Ainda bem, continuo aprendendo. Todos os dias. Os detalhes fazem toda a diferença. A sutileza é a chave do meu labor. Do trabalho de quem tem o meu mesmo ofício.
E o melhor de tudo: ainda me emociono no meu trabalho, constantemente, mesmo após 20 anos de MUITA luta.
Recentemente, para o dia mundial da voz, a produtora OITAVA, competente parceira, produziu o jingle que alguns cantores (que também são locutores) do vozes de minas gravaram.
Me emocionei mais uma vez com a sabedoria dos arranjos do Fávio Guerra, a edição impecável do Léo, o atendimento e a disposição exemplares da Sílvia, o carinho da Márcia. O jingle ficou muito legal. O Aggeo, que também cantou e é locutor até fez uma animação!
Enfim, sou grato por conhecer tanta gente bacana e competente ao longo desses 20 anos de estrada como cantor, locutor, ator, apresentador e publicitário. A galera da Oitava tá entre aqueles que a gente coloca nos dedos de uma mão... Que venham os próximos vinte anos.
Vejam o resultado do clipe que o Aggeo montou clicando AQUI.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bogeder



Bogeder.
Não achei nem no google translator.
Esse era o nome do meu barquinho da avon, que eu tinha quando pequeno. Com ele, navegava meus sonhos na banheira de casa. Minha mãe custou a entender o que eu queria quando pedi a ela: - eu quero um Bogeder.
Sonho de menino é assim. Pode não ter explicação.
Hoje não. Tenho que explicar meus sonhos, tenho que sonhar racionalmente, tenho que sonhar sonhos possíveis, tenho que sonhar um não sonho.
Ainda vou escrever um livro com esse nome, vou fazer uma música, vou compor um poema, ainda vou cantar esse barco. Vou navegar suas ondas, ouvir a sua calmaria e aportar no peito, calado, em dia de tempestade.
Quero ver a chuva molhando sua tinta, a espuma no casco. Quero o lodo do uso. Quero o mistério de seu silêncio navegável. Quero que o sal tempere sua madeira. Quando, um dia, navegar o Bogeder, tudo vai estar diferente de agora.
A primeira coisa que pensei quando vi esse barco na praia do toque, perto de Maceió foi: o Bogeder existe.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Cada um sabe de si.


Colégio Sto. Tomás de Aquino.
Confesso, tenho livro dele, mas não cheguei lá, filosoficamente falando. Só algumas passagens, todas intrigantes, mas ainda não estou no ponto de ler São Tomás.
Em uma aula de catequese, sexta série do primário, 1985, meu professor, de quem não me lembro mais o nome, era um professor substituto, tentou ensinar:

Vocês sabem o que é o inferno?

[silêncio]

Veio o exemplo: não se pode dizer com exatidão o que é nem o céu, nem o inferno. Pode-se explicar: o inferno é como uma mesa posta. O melhor pão, o melhor vinho, o melhor queijo, as melhores frutas, a refeição feita com carinho, talheres, pratos, tudo lindo, limpo, novo, brilhando. A gente pronto, de banho tomado, com fome, bem vestidos, ao lado da mesa, já sentados em nossos lugares. Nos melhores lugares. Só que por algum motivo, alheio ao nosso entendimento, não conseguimos tocar na comida. Por mais fome que tenhamos, por mais perto que estejamos, por mais sedentos, por mais que a gente queira. Sentimos seu cheiro, a delícia da combinação dos aromas... mas não conseguimos pegar na taça de vinho, não conseguimos nos servir de pão, de queijo, das carnes, dos complementos suculentos. Fica tudo ali, pertinho dos olhos, ao alcance mentiroso das mãos, mas não é possível tocar... inferno é isso.

[silêncio - alunos se entreolham]

Em 1985, eu entendi o que ele quis dizer. Hoje, compreendo perfeitamente.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Não deu pra segurar, isso eu tenho que postar.

Opinião minha, ninguém precisa concordar:
achei o filme SEM LIMITES um absurdo.
Se eu fosse Procurador, ia entrar com uma ação, processo (desculpe, mas sei lá o nome jurídico que eles dão pra esse tipo de coisa, entendo de Direito como entendo de rugby) ou sei lá o quê, pra PROIBIR a veiculação.
SIM, acreditem. Tipo CENSURA mesmo, por mais bizarro que isso me pareça, inclusive... DETESTO esse tipo de censura, acho um absurdo, mas acho também que tudo tem (ou deveria ter) algum limite...
O filme SEM LIMITES é exatamente como o nome diz. É a maior apologia ao uso de drogas que eu já vi. Bem feito até os 5 ou 10 minutos finais. Aliás, vou contar o final pra avacalhar de uma vez, afinal, quero dar a minha contribuição pra diminuir o número de gente indo no filme. Quem quiser ver (porque é sucesso de bilheteria nos EUA) não leia o final dessa opinião:
1 - o cara se dá bem, ele não morre, não é assassinado, não se estrepa, não perde a família, não tem que vender a mãe pra comprar droga,... aliás, vira senador dos EUA, inclusive;
2 - ele, nojentamente e em cena, bebe sangue de um capanga que ele matou e que estava drogado pra receber a dose que ele precisava - lembrou o 127horas, que o cara corta o braço em cena pra chocar todos que assistem e causar um desconforto geral - o que já causou uma série de problemas pós exibição. Na estréia no Pátio Savassi, me disseram que 6 pessoas passaram mal assistindo o 127h. Ou seja, achei de um mal gosto terrível;
Bom, só vou falar isso. Acho que uma visitinha no CERSAM álcool e drogas e na clínica AMPARE seriam de muita valia pros jovens que assistirem a este filme. Acho que uma coisa é chamar a atenção para o tema, outra é fazer isso de forma bizarra. Aliás, o crack é um problema MUITO maior do que se pode imaginar...