quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cicatriz



Sentado no chão do box, observo a cicatriz do meu joelho direito enquanto a água quente, molhada, pinga pelo nariz, escorre pêlos colados.

Não lembrava dela. Mas no exato momento que a vi, voltei no tempo, sentado depois da queda da Monark que me fez rolar ladeira abaixo, no asfalto, na ponta dos ossos, no grito, no choro de menino. A cicatriz ainda vermelha sangue e eu imaginando se isso ia sair um dia, se isso ia sumir um dia, como é que eu tinha caído daquele jeito e rolado junto com bicicleta e tudo nas ladeiras asfálticas do Santa Lúcia...

Ela sumiu por muito tempo. Hoje, a vi no box, a vi na memória, a vi no tempo, num outro tempo que não volta mais. Nem ela volta mais. Não dói, não arde, não sangue, não some... Tá lá, em algum lugar do passado joelho, articulação sem sentido no hoje.

Joelho bento, tempo água, lembrança sabonete. As cicatrizes infantis são meninas que crescem. São outra coisa.


Um comentário:

É ISTO disse...

É,meu irmão, "são outra coisa".