quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O lago de Pudi.


Sua filha sabe. O chama de Pudi.

Pudi, quem fiquei conhecendo em um churrasco sem pretensões, me deu uma pérola, um presente, um sopro.

"O mais importante, o mais bonito na vida de um Homem é você se tornar um espelho..."

Disse ele pra mim, sem cerimônia, sem medo do impacto.

Um espelho de alguém, um espelho de alguma coisa. Um exemplo? Uma idéia? Um caminho?

Sabe, Pudi, eu quero me tornar um espelho. Mas não um espelho qualquer. Quero me tornar um lago. Um lago que reflete, um lago que espelho d'água, um lago que pedrinhas na água, um lago que faz ondas e movimenta. E espalha seu espelho até toda a margem.

Sim, não sou compreendido. Minha margem se espraia e transmuta, vira terra, vira planta, vira floresta, vira céu, vira amor.

Quantas pessoas vão chegar até minha margem e tentar se espelhar, meu bom amigo Pudi? Espero.

Espero mansidão do lago. Espero quem brinque à minha margem. Espero quem jogue pedrinhas, pra vê-las quicando e morrendo em mim, nas profundezas do eu, no fundo da minha alma.

Sou grato pela água que me deste, amigo Pudi.

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