sábado, 29 de janeiro de 2011

virol




Deitei e me senti mal.

Agora sei, o mundo dá voltas nele mesmo, às vezes a gente esquece.

Em Santiago aprendi a fazer o mundo girar embaixo dos meus pés.

Somos cavalo no mundo, nosso trote certo faz suar o pelo, faz domar a crina, faz sentir o vento.

Dentro.

Entro e sou mais feliz que láqui fora. Sou espora. Em mim, estrela que brilha e faz sangrar de paixão, de paixões.

Os peixes todos em meu pensamento e não me preocupo em respirar debaixo d'água. São coloridos, gordos, cardumes, reluzem sol quando passam e tento acompanhar com os olhos da mente.

Somente.

Fazer amor com você abre o portal dos desejos, ensejos domados, damados, danados, cilhados.

Bê ijo sua boca molhada e rachada. Chupo sabores. Olho nos olhos. E durmo amanhecendo um sonho de mãos dadas.



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Haikai do amor próprio




livre livro escuta:
sal sol da palavra bruta



domingo, 23 de janeiro de 2011

toda vítima tem escolha


O medo faz mais duas vítimas.


A comunicação faz mais duas vítimas.


A escolha faz mais duas vítimas.


O passado faz mais duas vítimas.


A saudade faz mais duas vítimas.


O tempo faz mais duas vítimas.


O nada faz mais duas vítimas.


sábado, 22 de janeiro de 2011

nãoleiasenãoforchegar

imagem


não quero mais escrever nem fudendo saco essa coisa essa chatisse essa mesmisse essa monotonia esse jeito triste de cobrar de consumir de ir ao shopping de ser mineiro de desconfiar de pisar na bola de gostar de dizer que gosta de sentir sem que os outros sintam de ter pesadelo e acordar quase todo dia cinco horas da manhã puto porque as pessoas não suportam a verdade o querer o amor real e infinito o seu jeito de amar e pronto o cacete a quatro e tem outra que detesto ter que provar o tempo todo que meu coração é maior que essas coisas e que eu queria mesmo era estar interessado em outro tipo de coisa e partir pra sempre sem se preocupar com a parte partida que fica e tal e coisa até porque quando esse tipo de coisa tem que te preocupar é porque partir e não partir não interessa e se você for pensar nessa gente mesquinha que não sabe porra nenhuma do que está falando não sabe sequer o nome da coisa o que está por trás das coisas todas e o que vem pela frente até porque o passado não existe e essa merda de futuro é uma ilação do cacete e a bosta dessa quantidade de babaca que insiste em achar que ouvindo uma versão de qualquer história tá pronto pra sair cagando regra e arguindo e julgando quem quer que seja porque no fundo não tem cu pra aguentar a verdade e a impressão de que a verdade em si talvez não importe já que as virtudes têm que ser pisadas e repisadas com o objetivo único de chegar a lugar algum já que o resumo de Cristo já resolve tudo já que amar ao próximo como a ti mesmo é mais do que suficiente e não me venha com esse papo de que blog serve pra alguma coisa porque essa in-significante significação e nada acabam sendo a mesma coisa já que a temporalidade volátil da existência dessas reflexões dados conceitos acabam por se somar ao oceano de um centímetro de profundidade que virou a internet porque no fundo no fundo todo mundo afoga no fundo no fundo ninguém quer saber no fundo no fundo eu sou mais eu e o que eu sinto pela pessoa que está ao meu lado de verdade agora neste exato momento aliás deixe-me olhar para o lado para ver quem está aqui já que



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Hoje, mais uma injustiça aconteceu.


Hoje, mais uma injustiça aconteceu.

Não mudou o mundo, mudou o humor, mudou a expectativa, mudou a esperança, mudou a alegria.

Hoje, mais uma injustiça aconteceu.

E ninguém morreu, morre o humor do dia, morre a vontade do fim de semana, morre a ética do ser humano.

Ninguém, quase, vai saber que hoje, mais uma injustiça aconteceu.

Mas não tem problema, tem mães querendo encontrar os filhos no Rio, tem gente que perdeu tudo, tem desesperança, tem tragédia e tristeza. Por isso, vamos deixar a injustiça acontecer. Vamos comemorar que só uma injustiça aconteceu, que um dia alguém vai cair em si, vai rezar pelo perdão, vai pensar melhor.

Porque a vida é assim, injusta, porém cruel, como dizem, e tem tragédia, tem mãos dadas pra resolver as tragédias, tem doação, tem gente ética que não quer que mais uma injustiça aconteça hoje. Mesmo. E tanto. E pra sempre.

Hoje, mais uma injustiça aconteceu. Amanhã é outro dia. Eu resolvo dormir mais cedo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

G atos



Ela me pergunta me onde meu sorriso me está...

Tento sorrir, quero mostrar que sinto, quero mostrar que sinto.

O verbo rir, o verso rir, rir o verso, rir do avesso.

Meu coração sabe só, o que fazer? Ele sabe. Ele sebe.

Quero escutar a respiração do silêncio e fazer amor com minha expectativa.

"Os sonhos mais lindos sonhei", verso diverso, divertido afago de minha existência menina.

Que ria, que aparecia.

Quero urgentemente tudo ao meu lado.

Quero tão somente um pão fresco, quentinho.

Quero as manhãs como hoje, as noites como ontem,

o amor como em fatias, besuntadas de sexo carinhoso e lágrimas de sorriso.

Quero um distintivo.

Quero que a estrela do peito brilhe nos olhos, que o afago seja fogo,

que o vento nos sopre, sapore.

Quero-te Itália, quero-nos Espanha, quero nus na França.

E vou continuar, continudar querendo,

querindo,

onde quer que esteja o rumo do nosso amor.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

link




Faça um link com tudo aquilo que você ama.
Condense o seu desejo, lata de leite condensado.
Experimente um danoninho, uma nesga de sol, um sino de igreja belénzando, belénzando, belénzando...
Faça um pedido para a "primeira estrela que vejo, dai-me tudo o que eu desejo."
Ria de si, ria de mim, se puder, ria da vida, ria da meleca no nariz, ria de cuspir coca-cola.
Reze um pouco. De dentro, bem lá de dentro.
Saiba-se sim, abandone o não. Saiba-se colorido, plural, encantado.
Ouça a música que lhe der na telha, cante a música que lhe der na alma.
E saiba que eu estou aqui. Pra hora de quando a nossa hora chegar.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vamos dançar?



Melhor que estar em casa, é se sentir em casa.

O cerrado retorce minha alma e o coração entra em compasso com o horizonte.

Respiro sem suspiro, o encontro com a paz.

As virtudes se apresentam e Tudo está à minha volta: em meu eu, em meu seu, em meu nosso.

Corpo, alma, espírito. Trindade em movimento de dança.

E meu bem não perde por esperar...


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O lago de Pudi.


Sua filha sabe. O chama de Pudi.

Pudi, quem fiquei conhecendo em um churrasco sem pretensões, me deu uma pérola, um presente, um sopro.

"O mais importante, o mais bonito na vida de um Homem é você se tornar um espelho..."

Disse ele pra mim, sem cerimônia, sem medo do impacto.

Um espelho de alguém, um espelho de alguma coisa. Um exemplo? Uma idéia? Um caminho?

Sabe, Pudi, eu quero me tornar um espelho. Mas não um espelho qualquer. Quero me tornar um lago. Um lago que reflete, um lago que espelho d'água, um lago que pedrinhas na água, um lago que faz ondas e movimenta. E espalha seu espelho até toda a margem.

Sim, não sou compreendido. Minha margem se espraia e transmuta, vira terra, vira planta, vira floresta, vira céu, vira amor.

Quantas pessoas vão chegar até minha margem e tentar se espelhar, meu bom amigo Pudi? Espero.

Espero mansidão do lago. Espero quem brinque à minha margem. Espero quem jogue pedrinhas, pra vê-las quicando e morrendo em mim, nas profundezas do eu, no fundo da minha alma.

Sou grato pela água que me deste, amigo Pudi.

domingo, 9 de janeiro de 2011

óculos


Um dia, a moça pegou o telefone preto e discou sete vezes.

Enquanto cada número fazia o disco rodar, ficou ansiosa.

Do outro lado da orelha, o telefone dele tocou e tocou. Quando atendeu, ela simplesmente disse:

- Você esqueceu seus óculos.

Ele, que nunca pensou em partir, sentindo partido, somente lhe disse:

- Esqueci de mim. Me guarda?

Ela, então, o colocou em sua caixinha de música.

E todas as noites o guardava e o libertava em seu coração. Com sete chaves de ouro, pendurada em seu pescoço, passeava com ele nos sonhos mais bonitos, mais reais, mais seus, mais dele.

Ainda hoje, quem fecha os olhos à noite, antes de dormir, pode vê-los passar, passeando, nas estrelas do céu dos sonhos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Para Paula Fernandes


A bela Paula Fernandes, até então desconhecida pelos que não são adeptos da música sertaneja, teve seu merecido encontro com Roberto Carlos em seu tradicional especial de fim de ano.

Ela é linda mesmo. E canta muito. Sensível, inteligente, veio pra marcar seu espaço no cenário musical. Em seu disco último, Pássaro de Fogo, fui convidado para cantar com ela, fazendo backing vocal em 8 das 15 músicas. Me senti muito honrado e muito feliz por trabalhar com uma menina de competência inquestionável.

Além de ser uma doçura de pessoa, Paula é mesmo uma simpatia. Me encontrei com ela em outra ocasião num estúdio em SAMPA, eu indo fazer um teste pra campanha do Serra, ela gravando seu especial para DVD. Na volta do reveillon, vim escutando seu CD, sozinho no carro e uma música me chamou mais atenção. Resolvi que ela vai entrar no meu próximo show, ainda sem data marcada, mas que deve ser juntamente com o lançamento do meu segundo livro, que fala sobre o Caminho de Santiago. Tudo a ver. Pena pra mim que a Paulinha já cantou com o Rei. Agora vai ser quase impossível ela cantar com esse súdito pé rapado. Mas ela merece.

Um bê ijo no seu coração, de coração, Paulinha.

Vai

Paula Fernandes

Vai,

vai buscar pra ti o que o amor te deu

Vai viver o que deixou pra trás

Transforme em sorriso o que você perdeu

Pra felicidade plena conquistar

Vai, vai, vai...

Oh, vai, vai viver de novo o que o tempo levou

Vai se entregar ao que te fez chorar

Vai ser lua nova quando o sol se for

Vai se lembrar que é bom se apaixonar

Vai, vai, vai...

Oh, vai, sem pensar nos limites dos teus sonhos

Vai... deixa rolar, que o nosso amor sabe o rumo

Vai, vai, vai...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Gotas que escolhem



Na verdade fica difícil dizer. O que se toma como verdade frente a duas versões completamente distintas, opostas? Não há verdade, há escolha, há tolerância ou não, simplesmente. Versões se baseiam em visões, que por sua vez se baseiam em conceitos. Ou pré-conceitos.

Já dizia um pensador que quem tem apenas uma versão sobre um fato sabe muito pouco sobre ele.
É assim. Simplesmente. Quando o simples deveria ser verdade... simples-mente.
O exercício da convivência se funda na tolerância, mas também na aceitação do outro e da diferença. Outro pensador disse que quando duas pessoas concordam todo o tempo sobre todas as coisas, uma é dispensável.
Pois bem. Ou pois mal. E pior: pode ser “pois mau”.
As pessoas se esquecem que são gotas no oceano, e que dependem da harmonia para não se tornarem gotas de óleo, a boiarem sozinhas no vasto, imenso, enorme lugar de ser todo, tudo, integrado. As gotas que escolhem se unir, se tornam elas mesmas o oceano, o vasto, o imenso, o enorme. Com apenas uma escolha. E a força do todo é unívoca.
Basta, talvez, humildade. Cabe, somente vontade. Porque vontade move.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Bênção


Unicamente, desejei somente que ela que bem, que vem e que nasce, seja muito minha, e seja também de todo, tudo, bem. Ela que se expande, de dentro, semente, brota broto ardente no corpo da gente e nas nossas vidas.
Ela que estréia, chega sem avisar, é sempre bem vinda, cada vez mais linda nesse meu olhar. Olho através da menina, da moça, da filha, pessoa. Vejo nosso encontro, riso, nosso manto, que cobre de lua o sol que é nossa alegria. Completo, em paz, harmônico.
Vamos ver estrelas, vamos nas canções, vamos nos sonhos e nos abraços de deitar a cabeça no ombro pra suspirar.
Vou com meu anjinho, meu corpo, meu ninho, mão que abraça o meu dedinho...

para Beatriz

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

essa postagem não vale

Um ano bom, cheio de amor para todos. Leve e feliz.
Estou de volta. Vou postar essa semana, assim que arrumar a mala.
Até mais ver. Ou ler.