quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

nelsons e sonhos



Nelson não via meu rosto, mas sabia que era eu. Nunca esteve no Caminho de Santiago, mas pelo que contei, sabia que era lá que me via, andando feliz, subindo e descendo morros, caminhando, seguindo, andando. Se seu sonho comigo tem algo a ver com nossa sintonia, não me surpreendo. Ontem, sentado sozinho na pizzaria do bairro, ouvi My Way em ritmo de choro. Uma clarineta, um violão, um pandeiro, um xique-xique e um cavaquinho. Choro pra lá, choro pra cá, e eles tocaram finalmente My Way. Frank Sinatra ficaria surpreso com a beleza do arranjo, a verdade do arranjo, a doçura do arranjo, a bondade do arranjo, o toque do arranjo. Tantos anjos juntos, em My Way, só podem conduzir à emoção, à entrega, ao sonho. Mesmo que não seja meu, seja de meu amigo, quem se muito preocupa comigo.
Depois de My Way, veio uma música de Jobim. Sinal para pedir a conta e ir caminhando pra casa, na noite sem estrelas, enquanto morria atrás de mim o choro da música de Jobim no solo de uma bela clarineta...

Um comentário:

Sílvia Behrens disse...

Que lindo. Tudo lindo.