sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

pra onde vou, não pega nem celular

O que escrevo aqui não tem necessariamente compromisso com a verdade. Muitos textos já existiam, outros tem a ver com o momento. O meu, de outros que me contam e que coloco ou como meus ou como de terceiros. Muita gente confunde isso e me cobra, sabe? Todo mundo tem passado, presente, futuro (em muitos casos) e tem sonhos e ideais. Ideais, que eu saiba, estão só na ideia...
Vou dar um tempo na escrita.
Vou tirar uns 10 dias e refazer um caminho interno.
Quem quiser, deseje-me sorte. Estou bem acompanhado. Com meus ideais e com a verdade do meu coração.

Haikai do tesão desmedido (ou simplesmente, a saudade é dor pungente)






apele
que toca
a pele






quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

quandando



Quando pulou, já sabia que seria o vento.
Quando caiu, não sabia que seria a cara.
Quando amor, não esperava que fosse assim.
Quando temor, pediu ajuda a quem podia.
Quando sabor, estava com tudo ao mesmo tempo.

Quando paixão, era mistura de medo e amor.
Quando pavor, era a água que também transborda.
Quando ando, lembrando do quando?
Quando desejo, se lembra do beijo.
Quando razão, só o que lhe faz sentido.

e a neve que vejo derrete quando se a gente quiser.



domingo, 19 de dezembro de 2010

a manhã

ela mexe

comigo

e na pele
revela

sentidos


ela oculta
no ventre

semente

somente

pra mim


ela sabe
de mim

dos meus
sonhos

e mergulha
no encanto

da espera


ela surge
ela urge
ela turge

ela manha


ela amanhã

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

tipo isso





Só,
queria dizer
que a falta que faz
estraga o querer,
convence o sono,
despe o vestido alegria,
encaixota o poema,
engaiola o olhar,
fatia o encanto,
e derrama a expectativa na mesa posta dos desejos.





quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Não leia se for fresco.


Minha amiga-irmã Silvia, esposa do Leo -essa gata da foto-, concorda comigo. Eu acho.
A festa da associação dos produtores de áudio e vídeo, com a presença dos parceiros, a associação dos locutores profissionais que trabalham com publicidade, o Vozes de Minas, foi um sucesso.

Primeiro, porque tivemos uma participação de uma galera muito bacana. Que rala, parceira, que mata um leão por dia e tem o humor e a alegria em primeiro lugar. Segundo, porque tivemos 2 shows muito legais. Trabalho artístico de primeira, sabe?

Um, do Aggeo Simões. Como canta Sinatra! Como canta Jobim! Passarinho de gravata!
O outro, coisa muito séria. Sobre quem eu realmente queria falar nesse post. É esse negão maravilhoso aqui de baixo. Esse cara canta PRA CARALHO. E seu swing é DE FUDER. Eu até pensei em algum adjetivo interessante pra falar de como esse cara canta, de como ele tem a música no espírito e na alma, ou melhor na soul dele... mas não rola. Simplesmente não rola.

PLAY é DE FUDER mesmo. Ele já foi vocalista de uma banda que estourou com um sucesso "E EU" - e eu, querendo me aproximar, querendo me descobrir, falar do meu amor... - O nome da banda era NEPAL.

O Play é meu amigo de muitos e muitos anos. Gravamos vários e vários jingles reconhecidos na publicidade em nosso estado. Ele, cantou com Deus e todo mundo, tipo Jota Quest, Vanessa da Mata, e tal e coisa. O cara já foi no Faustão uma panela de vezes. Nós, já fizemos backing vocal um milhão de vezes juntos e nossos encontros são sempre uma festa. A minha única pena é que o mercado fonográfico, cultural e de entretenimento é foda - agora no sentido ruim do termo. Porque eu gostaria imensamente que você que está lendo, tivesse um CD, ou em seu ipod, pelo menos uma música desse fantástico e talentoso AMIGO PLAY.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

desculpe o incômodo: estamos em obras para melhor servi-lo




Quando à sua volta tudo está em reforma, vale a reflexão, vale o reflexo, vale a sua volta.
Volto pra mim e me ponho em obras.
Sei que há muito a dizer.
Sei que há mais a fazer.
Mas como diria minha mãe, "tudo tem sua hora, meu filho...".
Caminho com a certeza disso, sem deixar de olhar para o entulho, sem deixar de projetar esta reforma acabada... a paciência é virtude de quem sabe o que quer e sabe querer.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

cimento, areia e água



Começo tirando os azulejos. A parede nua mostra suas imperfeições. Descubro canos velhos, onde a água não pode correr como antes. Troco todos. Tiro o piso que piso. Não há motivo para medo, não vou ficar sem chão. Onde vou pisar, vai ser limpo, novo, bem feito. Nem a sujeira que hoje há nos sapatos pode me dizer do que vai ser, e de certo modo, nem do que foi. Vou rebocar. Pintar tudo. Não me interessa a poeira temporária. Ela turva minha mente, me confunde, peço pra ninguém estar por perto, pois não quero ver alguém em meio ao pó, imagem confusa, sujando a expectativa. Não sei se alguém me entende. Não sei se espera. O barulho me incomoda. É a comprovação que está sendo mexido, macerado, revolto, escarafunchado. Mas projeto meus sonhos por sobre a tela do que vejo. Não sei bem se a reforma que faço agora é na casa ou se novamente em mim.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ausência




Trem estrada ausente.
Trem estrada aos entes.
Tenho estrada ausente.
Tenho estado ausente.




quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

nelsons e sonhos



Nelson não via meu rosto, mas sabia que era eu. Nunca esteve no Caminho de Santiago, mas pelo que contei, sabia que era lá que me via, andando feliz, subindo e descendo morros, caminhando, seguindo, andando. Se seu sonho comigo tem algo a ver com nossa sintonia, não me surpreendo. Ontem, sentado sozinho na pizzaria do bairro, ouvi My Way em ritmo de choro. Uma clarineta, um violão, um pandeiro, um xique-xique e um cavaquinho. Choro pra lá, choro pra cá, e eles tocaram finalmente My Way. Frank Sinatra ficaria surpreso com a beleza do arranjo, a verdade do arranjo, a doçura do arranjo, a bondade do arranjo, o toque do arranjo. Tantos anjos juntos, em My Way, só podem conduzir à emoção, à entrega, ao sonho. Mesmo que não seja meu, seja de meu amigo, quem se muito preocupa comigo.
Depois de My Way, veio uma música de Jobim. Sinal para pedir a conta e ir caminhando pra casa, na noite sem estrelas, enquanto morria atrás de mim o choro da música de Jobim no solo de uma bela clarineta...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

impressão


identidade.
sou eu que na foto estou.
só por maldade.
passado que preso entôo.
só de não ser.
a foto que afirmo ser.
busco entender.
o bem sejo estado do eu.
representeu.
me sendo me concebendo.
situo.
em ti, tu, tudo estudo.
percebo.
o lânguido sôfrego apelo.