quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Peixe de natal

Ontem me emocionei a ouvir outra história de natal.
Compartilhada assim, com todos que estavam ali, na aula de culinária, foi tempero para as emoções. O que chamou muita atenção foi a imagem do pai da Agnes, nossa professora, chef de cuisine, ganhar um peixe para a ceia de natal e ele ficar na banheira por alguns dias, esperando ser abatido.

Antes, abatia os corações das crianças e adultos que ali moravam, e se comoviam quando chegava o dia de sacrificar o peixe para a ceia.

Peixe de natal. Acho que faz mais sentido.

Foi como quando vi a imagem de um São Francisco de Assis adornada com uma canoa, como se fosse o oratório e à sua volta, ao invés de passarinhos, peixes! Foi uma emoção absurda! Claro, trabalho do escultor Léo Santana. Quem poderia ter tido tanta sentibilidade?

A emoção foi a mesma.

O resto da história de natal não interessa a quem não participou do jantar de ontem, na aula.

O que interessa a todos é: o que vamos fazer deste natal esse ano?
Vamos chorar?
Vamos brigar?
Vamos amar?
Vamos sonhar?
Vamos pensar no natal que vem?
Vamos fazer do hoje nosso natal de amanhã?

Talvez, valha pensar e sentir o natal como nunca antes.

2 comentários:

Carla Vergara disse...

Lindo, Bê. Como sempre.
Ó que peixe lindo Adélia Prado preparou tb:

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Essa gente mineira sabe mesmo cozinhar... esse poema chama CASAMENTO.

Beijo

Bê Sant Anna disse...

Que delícia, né?
Adélia Prado é o máximo.
Bê ijo, Carlota