domingo, 28 de novembro de 2010

nada além da palavra


Você me leva?
Levo.

E de repente, ouvi... você me l-eva? L-evo.

Sim. A Mulher e o Eterno, lidos pelo L, como no hebraico antigo, sem vogais, como se a letra L sozinha pudesse me dizer o verbo "ler", só com sua primeira letra indicativa...

Não vai ser fácil escrever esse post, como não vai ser fácil lê-lo, ou entendê-lo...

EVA, presa em "leva" e EVO, preso em "levo" pedem po-ética-mente para sair. Querem se encontrar. Querem estáBêlêser-se.

Todas as letras saltam agora, aos olhos, aos sentidos, às leituras, aos cantos, ao umbigo. Um telefonema, ela desligou. Ela des-ligou, por mais que houvesse algo, por mais que estivesse certo, por mais que estivesse espera. Há sinal de ocupada. Que linha é essa?

Eu des isto, eu des aquilo enquanto con-ti-nu-o fazendo figa. O simbolismo parole embaralha o viver, enquanto a palavra encanto, me coloca atocaiado, em canto, no canto, lá.

Vou voltar pra Holanda. Lá, onde há moça brinco de pérolas, leio o "anda" na palavra Holanda.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sobre Poodles e a Legião Estrangeira

Estou mal de gripe. Febre desde segunda, comecei os antibióticos na terça, ontem tirei xerox do pulmão e da cara (face, você sabe...) e estou de molho no sítio dos meus pais pra ver se eu melhoro até amanhã. Suando igual tampa de marmita, fui obrigado a ficar vendo filmes e me entediando com o barulho da chuva.

Num deles, fraco, produção francesa, uma cena chamou a atenção.

O filme se chama O Último Vôo. Bom, se o nome for esse mesmo em francês, aí sim vou achar o filme uma porcaria. A tradução é O Último Vôo. Como estou com a capa da locadora, nem sei o nome real.

  1. uma mulher piloto vai tentar buscar seu amor perdido no deserto do saara. Ele também é piloto e desapareceu no deserto. (claro, o título aí já fode - desculpe, mas é verdade - o filme)
  2. ela encontra com um tenente puto com um capitão porque ele era amiguinho dos Tuaregues e o capitão que chega sem avisar começa a bancar de eu-sou-francês,-sou-eu-quem-manda-aqui,-cambada-de-macaco-que-anda-de-camelo
  3. a mulher pede ajuda ao capitão pra achar seu amante e ele fala que ela ficou doida, que o amante dela já virou miragem
  4. o tenente dá porrada no capitão depois dele arrumar uma puta briga com os Tuaregues que não tinham nada que ver com a história e tavam lá no seu oásis tranquilos, sem preocupar com Napoleão
  5. os dois conseguem fugir e vão pro meio do deserto - ela achando que vai encontrar o amor, ele achando que arrumou alguma coisa pra fazer no deserto

Bom, vamos à cena, que tá ficando comprido isso aqui:

Sol na moleira, dias seguidos, nem o camelo aguenta mais. Até ele já tá achando que é um poodle de tanto calor e delírio.
Finalmente, ele fica puto com ela e grita: (as mulheres fazem isso com a gente às vezes, talvez o tenente só tenha esquecido porque passou muito tempo sozinho no deserto)

- ME FALA QUE DIREÇÃO SEGUIR!!!! PRA DIREITA, PRA ESQUERDA, PRA FRENTE, PRA TRÁS!!! PRA ONDE???? PRA ONDE????

Ela olha pra um lado, pra outro, pra dentro.
Chora um pouquinho e diz baixinho:

-vamos, temos que continuar.

Se não fosse essa cena e a beleza da mulher, o filme estava perdido desde o título (ou de sua tradução).

Enfim, não vejam o filme. Afinal,
  1. o vôo é o último;
  2. quando estamos no deserto, o importante é seguir, mesmo sem saber pra onde;
  3. as mulheres vão sempre nos irritar, não importa o que façamos;
  4. elas sempre têm razão.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

POW!


Foi como um soco!
O show do Paul McCartney foi tudo que sabemos que seria. Emocionante mesmo, uma porrada. O cara não mudou o mundo à toa. Deu pra chorar, pra rir, pra pular, pra dançar, pra viver a felicidade de estar ali, vivo, pra experimentar um Beatle ao vivo. Não tem muito o que dizer. Foi bom ter ouvido Blackbird tocada ali, assim, daquela maneira.
Ah, sei lá.
Sim, é lá onde sei que mora esse ídolo, esse mito, esse encanto que toca gerações, independente do chavão. Como diz meu amigo Ramiro Maia, "brigado cê-tê-vindo, Paul!"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Como disse bem minha amiga, "convive com isso um pouco..."


Saí do Filme Tropa de Elite 2 chorando muito.
Não estou nem aí pro que podem pensar disso. Chorei pelo Capitão Nascimento, chorei pelo nome do Capitão Nascimento, chorei pelo filho do Capitão Nascimento e pela vontade dele de fazer a coisa certa, fazendo a coisa errada. Afinal, Capitão, o que é certo e errado mesmo? Conheço algumas pessoas que acham que sabem o que é certo e o que é errado. Chorei por essas pessoas também.
Chorei pelas 5 mães e 5 filhos, muito muito muito pequenos (acabaram de aprender a andar) que estavam na frente do Kinoplex Itaim, brincando junto à praça de alimentação. Chorei pela ingenuidade das mães e pela ignorância das crianças. Chorei pelo Bairro do Itaim Bibi e seu trânsito. Chorei pelo Staybridge Suites São Paulo e quem se hospeda lá. Chorei por quem não tem o nome na recepção do Staybridge Suites e quem nunca vai ter o nome na recepção.
Saí andando chorando pelas ruas e decidi não passar na frente do ponto de ônibus, que estava lotado. Ninguém que vai pegar ônibus (3 pra chegar em casa) precisa ver uma pessoa que não vai pegar ônibus chorando. Chorei por elas também.
Fui solidário com o filho do Capitão Nascimento, que quer muito um pai. Fui solidário com o Capitão Nascimento, que quer muito um filho. E mais que isso, quer que o filho o reconheça como pai. Eu, que sempre quis ser reconhecido como filho, preciso também ser reconhecido como pai.
Um pai que chora.
Um filho que chora.
Um choro de homem. Nu, em plena São Paulo.
Enquanto eu chorava e caminhava pelas pedras muito bem assentadas, muito regulares, muito em ordem do Itaim, pensei em outras pedras, caminhadas por mim também banhadas por outro choro, no Caminho de Santiago.
O que estou fazendo aqui em São Paulo? Acho que vim chorar por mim, Capitão Nascimento, Wagner Moura, meu pai, meu filho e Paul McCartney.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Convive com isso um pouco..."



"porque você tem essa abundância de amar"... ela disse.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

talvez esteja debaixo da bancada da cozinha



O humor antecede o amor, disse Erica. Diz ela: saboreleio seu blog.
Influenciada ou não, saboreleio é o máximo.
Tenho saborelido algumas coisas, Erica.
Com ou sem amor, com ou sem humor.

Comecei finalmente a ler um livro que ganhei no natal passado: La Sombra del Viento.
Esse eu tenho saborelido com aMOR. Com muito Amor.
É que Barceloni me parece mais perto lendo o livro. Sim, resolvi mudar o nome de Barcelona.
Eu posso, Barcelona é minha.

A minha Barcelona é única, é toda, é tudo, é Barceloni.

Da última vez que estive lá, passei em baixo do arco-íris (clique e veja que é verdade), dentro do avião, no meu pouso depois da grande tempestade. Um ano se passou. Eu voltava do Caminho de Santiago e havia chovido e lavado toda a sujeirinha que eu e Barcelona acumulamos ao longo de nossas muitas vidas. Eu, de coração novo, em festa, em ebulição, em dúvidas, em gritos. Nessa época, meu coração ia na frente, que já andava por si só, tal o com-passo revelado no Caminho.
Nem dá pra dizer. Meu próximo livro tá quase pronto, vai explicar isso melhor.

Fiquei pensando onde tenho errado nisso que a moça Erica disse sobre o humor e o amor. Ainda não descobri.

Uma vez, ela (não! a Erica não, uma companheira) chegou do trabalho e eu estava de avental, cozinhando. Achei que isso era humor, achei que isso era tempero, achei que o amor poderia ser prato principal. Não teve graça nenhuma. Queimou a expectativa, desandou a emoção, azedou o encanto.

Tudo que eu queria, era poder ter feito isso em Barceloni.

Ainda vou descobrir o que procuro.

Créditos foto: Elisa Valero, por Facebook

sábado, 13 de novembro de 2010

sonhana


Ana,
seu sonho comigo re-vela.
Estou com a camisa poída.
Há buracos maiores e menores.
Sim, estou suado e cansado.
Mas insisto em colocar os pés na água, enquanto vejo a mar.
Eu tenho visto muito a mar, Ana.
Não sei exatamente a quanto tempo acompanha meu blog.
Mas se já há muito, sabe que pra mim, é A mar.
Acho mais justo.
E ouso sonhar a mar, ouso olhar a mar, ouso querer a mar,
e
independo do suor, do que é preciso fazer aqui do outro lado do condomínio, da praia, do que é revelado a cada dia e exige a luta diária.
Não estou preocupado com a limitação de quem olha e não vê a mar.
O tempo dessas pessoas vai chegar, mais cedo ou mais tarde, nesta ou em outra vida.
E amargas agruras de quem se arrepende por não ver ante(s) a mar.
Continue sonhando, Ana.
Continue sonhando Ana.
Há na
pessoa
no encanto
no canto
na gente
o de-feito de a-cre-ditar.
Dorme bem. Bons sonhos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Só resta saber se o carro está rápido


Rilo Kiley me olha pelo retrovisor.
Eu, ouço ainda Menina Veneno, enquanto penso no quanto era feliz e não sabia.
A ingenuidade , a ignorância, a falta de informação têm seu viés de valor.
Eu nem sei qual o seu nome, mas nem preciso chamar.
Não sei porque a Menina Veneno tem um jeito sereno de ser. Oblíqua paixão, desespera a emoção.
Minha prima leu pra mim hoje a etimologia de desejo e de emoção.
No desejo, o Caminho de Santiago. Na emoção, você.
Confusão de sentidos, movimento desordenado dos sentidos, dessentidos, talvez, quem sabe?
Ainda ouço os passos na escada mas não vejo a porta abrir, por mais que eu espere.
Ontem, sonhei que duas cobras enrolavam um pescoço. Tirei as duas do pescoço. Uma mordeu a outra.
Será que o mundo é pequeno demais pra nós dois?
Rilo Kiley diz e repete: give a little love.
Vamos ouvir enquanto a Menina Veneno.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Peixe de natal

Ontem me emocionei a ouvir outra história de natal.
Compartilhada assim, com todos que estavam ali, na aula de culinária, foi tempero para as emoções. O que chamou muita atenção foi a imagem do pai da Agnes, nossa professora, chef de cuisine, ganhar um peixe para a ceia de natal e ele ficar na banheira por alguns dias, esperando ser abatido.

Antes, abatia os corações das crianças e adultos que ali moravam, e se comoviam quando chegava o dia de sacrificar o peixe para a ceia.

Peixe de natal. Acho que faz mais sentido.

Foi como quando vi a imagem de um São Francisco de Assis adornada com uma canoa, como se fosse o oratório e à sua volta, ao invés de passarinhos, peixes! Foi uma emoção absurda! Claro, trabalho do escultor Léo Santana. Quem poderia ter tido tanta sentibilidade?

A emoção foi a mesma.

O resto da história de natal não interessa a quem não participou do jantar de ontem, na aula.

O que interessa a todos é: o que vamos fazer deste natal esse ano?
Vamos chorar?
Vamos brigar?
Vamos amar?
Vamos sonhar?
Vamos pensar no natal que vem?
Vamos fazer do hoje nosso natal de amanhã?

Talvez, valha pensar e sentir o natal como nunca antes.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

nOVO


the first entertainment TV from within the cabinet of the world







segunda-feira, 8 de novembro de 2010

haikai da planta baixa





o arquiteto dos sonhos
mede em palavras
o acaso da vida





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

SAMPA BH: amor a caminho

Pingentes de luz sobre nossas cabeças. E uma seleção musical que passava por The Beatles, Led Zeppelin e tinha seu climax, como não podia deixar de ser, na performática, sedutora, transgressora, revolucionária Queen. Tá bom, usei muitos adjetivos. Mas como definir uma banda que tem Bohemian Rhapsody e que inspirou até os geniais The Muppets? (clique!)
Só alguém com a sensibilidade do Arthur, o rei, digo, o noivo retratado acima poderia ter ousado sonhar e dividir seu sonho com seus convidados em seu muito cASAmento.
Sim, eles voaram sobre nossas cabeças.
Aline, vinda do interior, tentou a vida na capital e venceu. Conheceu pessoas, fez amizades, construiu relações, estabeleceu encontros verdadeiros e conheceu Arthur, um roqueiro que trabalha em banco - ou algo do gênero. ;)
Sim, pelo telefone.
Interessante como os meios de comunicação aproximam as pessoas quando seus corações estão abertos, não?!? Recentemente, tive dois exemplos. Um: fui absolutamente mal interpretado em um email. Por quê? Porque o coração do ouvinte (leitor) do email estava fechado para mim, para minhas palavras. Dois: fui amado como poucos me amaram através de um comentário em uma mensagem fechada para mim no facebook. Amor de verdade. Amor cuidado, amor carinho, amor compaixão. Simplesmente.
O primeiro, perto, na mesma cidade e o segundo há uns 450 km de distância. Fico com o segundo.
Longe é um lugar que não existe - diz o livro LINDO de Richard Bach. (vai aí minha dica)
Aline e Arthur sabiam disso. Por isso, diz o bolo da noiva, não importa se estamos juntos ou separados fisicamente. O Amor cuidado, o amor carinho, o amor compaixão, o amor sexo, o amor tesão, o amor admiração sempre encontram caminho. E brindam a todos! Os dois, os convidados para a verdadeira "Ceia do Senhor", os que realmente buscaram neste encontro, o Encontro.
Eu Encontrei com minha nova velha amiga Aline e com meu mais novo velho amigo Arthur (que compartilha a mesma paixão pela música que mais gosto). E posso dizer, os dois estão muito bem, agradecido.
Parabéns, Arthur e Aline! Nós também amamos vocês...

Em tempo: quando eu morrer, coloquem Bohemian Rhapsody bem alto enquanto cremam meu corpo, e brindam com uma cachaça e uma cerveja gelada. (Claro!: e um torresmo!, mas isso nem precisava dizer... quem me conhece vai providenciar.)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sobre tudo e sobre nós, homens e mulheres.

clique:

De um fragmento do filme Na Natureza Selvagem que postei aqui e que não pode ser perdido:

...quero te dizer uma coisa pelo que entendi das coisas que me contou sobre sua família, sua mãe e seu pai;
e sei que teve problemas com a igreja também:
mas existe algo maior que todos podemos apreciar...
e, me parece, você não se importa de chamar isso de Deus.

Mas quando você perdôa... você ama.
E quando ama... a luz de Deus brilha em você.
...

Preciso dizer mais?