domingo, 5 de setembro de 2010

a única foto que tenho dela


Olho que vê. Dente que dói.

"Quando o cabra tá com dor de dente, ele fica macambujo mesmo, não importa o tamanho do homem..." - disse o Dr. 

Ele sabe, tem uns quarenta anos que mexe com isso de dente. É uma anestesia, esse existir de dor. Olho por olho, se a gente deixar. 

Escrevi o verbo deixar agora e me lembrei: tinha uma menina que eu amava, que vestia uma blusa que se parecia com uma mesa de cantina italiana (não, ela nunca leu esse blog). Ela adorava uma cena de um filme que a menininha virava e dizia: - deixa!, deixa!

Ela achava isso o supra-sumo da doçura, da graça infantil. Essa, que eu conheci, sempre foi diferente das outras. Interessante como as pessoas são sempre diferentes umas das outras. Umas das ostras. Humos das outras. Enfim... são apenas divagações sem sentido, do olho que se deixa levar pela dor de dente que mora no peito, defeito, ar rarefeito de rara feição.

Ainda quero encontrar com ela, sabe? Não, não estou falando da vestida de mesa da cantina que não tem encontro, dos colares de contas que não mais me contam, do amor que mofou no canto do armário. É que meu calcanhar ainda dói como o dente do peito. É que amor sem medida transborda conceitos e a "alma imoral" se joga todos os dias da ponte do desejo...

2 comentários:

Alexandra Badaró disse...

ela deveria ler o blog! :)

Carla Vergara disse...

Bê, que perfeito este texto. Ainda bem que vc se joga. Sendo bem egoísta: assim não me sinto só. Beijo.