sábado, 25 de setembro de 2010

macacos na janela

Acordei sentidos.
Coloquei uma música que me fez chorar por dentro. De bem, de bom, de belo. Flores que brotam de fora pra dentro. São muitas, muitas mesmo. Passo a mão em todas elas e as sinto balançar, exalando verde, a pureza do toque. Quero um abraço profundo de mim. Quero mais que entendimento, quero compreensão. Quero o mar da esperança que navega macio sem cobrança, dança, me faz delirar: amena presença no mundo. Quero deslocar. Aos poucos, de leve, com os olhos no novo, com os olhos em quem me vê e caminha comigo. Os macacos pulam de uma árvore pra outra sem fazer barulho no nascer do sol no sítio dos meus pais. Os vejo da janela do banheiro enquanto tomo um banho quente. A fumaça sobe e turva o vidro que me quase deixa ver o sol por entre as árvores e os macacos que me vêem desconfiados. Só o barulho da água caindo no box. E das flores se ajeitando dentro de mim, voltando para seus lugares. O café me espera. A mandioca, o pão, minha toalha. Fecho os olhos e tomo um pouco mais de banho. A música pede pra tomar banho comigo. Suspiro e escuto, é hora de terminar o banho e começar o dia.
Como diria Gilberto Gil em uma música que eu aposto que você não conhece:
"Dia, dia, diá! Ê mininê, ê meniná!"...

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