quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A ponte da traição


Essa ponte foi um marco na arquitetura em nosso estado, me contou o brincante Adelsin, pai de Ravi, em meu colo na foto.
É assim. Quem leu "A Alma Imoral" sabe. Traição anda de mãos dadas com a Tradição. Palavras conhecidas, próximas, foneticamente, paradoxalmente unidas, ousadamente irmãs.Uma não viveu ao longo da história da humanidade sem a outra.
Foi assim com essa ponte. A traição do costume levou à construção daquilo que nunca tinha sido feito. No norte de minas, na cama do sertão, no rio Jequitinhonha: uma ponte que não era mais de madeira. O mesmo arquiteto que fez os conhecidos e belos arcos da ponte do Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte. Repare na similaridade da técnica. Repare na alegria dos que estão na foto. Repare Ravi, lindo em meus braços na foto. Repare Adelsin, adulto criança que pai na foto e na vida, sabe de si, sabe do sim, sabe das pontes, da tradição e da traição.
Pena que traição seja uma palavra que carrega um lado negativo tão duro, tão cru, tão ruim, tão vasto, tão perdido, tão tão.
Interessante saber que fui comemorar meu aniversário na "ponte da traição".
Para quem se julga ponte na vida, isso faz passar vários pensamentos, sentimentos, pessoas, silêncios, imagens.
Sou grato por ter vivido para carregar Ravi em meu colo, me banhar nas águas de um rio limpo, ao lado do samurai das crianças, o Brincante Adelsin, dono de um trabalho e de um jeito de ser que orgulham São Francisco de Assis, os moradores de Curralinho e as crianças de todo o mundo...

4 comentários:

Rachel Murta disse...

Quem tem um irmão, um sobrinho e um primo assim não precisa de mais nada... Ainda bem que existem pontes que nos ligam a determinadas pessoas nesta vida.

Rachel Murta disse...

Quem tem um irmão, um sobrinho e um primo assim não precisa de mais nada... Ainda bem que existem pontes que nos ligam a determinadas pessoas nesta vida.

Guiomar disse...

sua palavra escrita acorda, em mim, novo gosto.O TRIO,na ponte, sabe das pontas que se atam em conformes no Jequitinhonha da vida. Parece que vodê nadou de costas no rio para não perder o rumo do céu na inspiração.parabéns. Que a tradição lhe sustente a fé e o ato de repartir palavras que banham a alma.
Gui

Fabiana Ferraresi disse...

Li o livro. Depois de lê-lo dei início à minha longa e árdua travessia da ponte.
Confesso que, por tradição ou dis tração, fiquei por um período, exatamente aí, onde vc tirou a foto. Observando a arquitetura inovadora, a água do rio correr, as pessoas...
Por sorte ou proteção Divina, a vida se encarregou de me dar tração para seguir e cruzar o que faltava. E, hoje te digo: chegar ao outro lado é transformador!!!! :-)
Arrasou no texto, Fernardo. Bjo, bjo, bjo.