sábado, 31 de julho de 2010

reflexões em 31/7

O outro lado do mês, que se inicia dia primeiro, dia do meu aniversário. Seria meu desaniversário? Eu não estaria de parabéns? Eu não ganharia presente? Não seria presente o dia 31 de julho?
Não. Sim, ele está presente. Eu sei. Eu sabia. Eu me lembro. Eu estou. E acredito fé, sabendo os encantos do dia de hoje pra mim, para a memória, para o encontro, para a história.
Ouso sonhar-me atemporal e acreditar no estando, outro tempo, outro Outro. 
o Outro de que - ou de quem? - falava Lacan... Eu queria saber algo sobre isso para fazer esse comentário. Mas só sei que O nada sei (não, isso é uma adaptação minha, não estou citando meu amigo grego). Mesmo sabendo que a tradução pode estar traindo, me traindo todo esse tempo.
***
Não sei exatamente o que dizer sobre hoje, sobre Hoje, sobre on-tem. Tem um cheiro, tem uma pele, tem um manto que continua cobrindo meu ser. Nosso e-star parece t(s)er uma espécie de estrela, não sei de que grandeza, que, cadente, mostrou o caminho a seguir. Talvez, como a estrela cadente mais famosa, vai ser lembrada mais de dois mil anos, nas fururas encarnações de almas, de sonhos, de encantos, de amores. 
Por quê? 
Porque Romeu e Julieta foram mais felizes. E muito muito muito muito muito muito muito muito menos intensos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

vo


fiz-me giz, pinto nos azulejos encantados do mundo.
estou feliz, durmo noites de noite atravessado na cama.
por um triz, me perco em desvios de planos mun-danos.
a hora da estrela atravessa a expectativa do menino que olha para o céu e espera.
sabe que não há letra maiúscula, que não há nada a se impor frente à verdade verdadeira. verdadeira. verdadeira.
amarro a corda da vida no meu pescoço e salto do branco banco precipício da mente.
enfrento meus pensamentos que insistem em pedir pra serem escondidos.
coloco-os para fora. fora, eu digo. fora!
amanheço me e entendo a necessidade de estar presente em minhas coisas todas.
a vida é verbo e verbifico minha existência consciente, aberta à não explicação.
vi-vo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mãe d'água


Conheci Iara há muito. Bem verdade que tenho mais contato com Iemanjá. No entanto, entre tanto, descubro feliz, certo dia, uma foto de uma bela moça na mesa da competente reitora:

- Ah, você tem que conhecer minha filha. Essa sim, é um espetáculo...

Conheci. E, sim, não era olho de mãe. Presença marcante, divertida, inusitada, bem humorada, a doce presença de Iara tem me ajudado muito.

Hoje, acho que já posso ousadamente dizer que somos amigos, porque caminhamos de mãos dadas para isso, trabalhamos juntos, e fazemos do ofício de comunicar, a arte de aprender e apreender. Um com o outro, outro com o um, todos conosco, onde estamos. Eu, desesperado e intempestivo. Ela, calmaria, organização e olhar crítico. Um pouco ácida. Melhor do que eu poderia supor. Tenho aprendido muito com Iara e seu jeito, seu olhar distantepresente, sua meiguice de óculos, conversando com o noivo ao telefone.

Um gosto em comum: blogs. Aliás, motivo número 3 da nossa aproximação. Com a amiga Natália, exprime contemporaneidades femininas de bom gosto no par de jarras.

Sou grato por sua presença, Iara.


imagem em http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://4.bp.blogspot.com/_noJIMLvHNz8/SoN9CUmVxTI/AAAAAAAABPY/4W-cg3l8Jug/s400/Sereia.jpg&imgrefurl=http://mundinhodacrianca.blogspot.com/2009/08/lendas-folcloricas_6496.html&usg=__N5_emDJO3v1nXVVptP7ltBHp9N0=&h=300&w=400&sz=27&hl=pt-BR&start=40&sig2=wLcm5MFP3j_YJzK-jC0jTQ&tbnid=77eN4WZplRKQLM:&tbnh=145&tbnw=221&ei=-lZPTJyVM4H88AbOuJWrAQ&prev=/images%3Fq%3Diara%2Bm%25C3%25A3e%2Bd%27%25C3%25A1gua%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26client%3Dsafari%26sa%3DN%26rls%3Den-us%26biw%3D1063%26bih%3D759%26tbs%3Disch:10%2C1288&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=149&vpy=117&dur=16&hovh=194&hovw=259&tx=135&ty=108&page=3&ndsp=25&ved=1t:429,r:0,s:40&biw=1063&bih=759

domingo, 25 de julho de 2010

m-ente

Ele queria que fosse diferente.
Que um riso, que um sonho, que um phone, um contato fosse fato, fosse feito, fosse... enfim.
Queria que o sono de viver não estivesse, não se mostrasse, não aparecesse assim, real, tão estupidamente empírico.
Sim, Otelo, Mouro, Moura, que Shakespeare, que shake.
Seu sentido, sem ti, dor.
Sem jeito, melhor dormir um pouco. O Tempo acabou de passar. E resolve nãonuncamais voltar. Sabe? Também sei, eu vi.
E vejo um pouco a cada dia, na triste memória que insiste em deixar sua marca impressa no porta-retrato da mente. Sim, mente. Triste-mente.
Os ipês rosa de Belo Horizonte têm nos salvado da morte súbita.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

mix e entrega



Ontem vi. Hoje tiro os óculos.
Peço ao tempo: - me sorri. E ele, seus mistérios.
Na ponta da vida que sinto na ponta da língua, sabores, misturas, poemas de amores.
No peito do largo defeito que sinto em mim, clamores. E meus ais dessalgados.
Há mar, amor, há filtro solar. Há descobertas molhadas pra quem navega vermelho sangue, coração. Há paz possível nesse meio sentido de êxtase esperança, medo saudade, con-fusão sem-ti-mental... Há alguém que sonha recados e lhe conta no dia seguinte.
Há Deus, pra sempre.


domingo, 18 de julho de 2010

carcereiro dorminhoco


Eu disse a Carla Vergara que havia deitado à tarde e sonhado.

Tenho sonhado com palavras. Não sonho mais com pessoas, desde que tudo se foi. Hoje, no dia 18 de julho de 2010, terminei de ler Grande Sertão: Veredas, oficiosamente. Ofício de ler, reler, sonhar e ressonhar palavras. Curiosamante, palavras que tenho sonhado, Não sonho mais pessoas. Será que elas nunca mais vão me fazer sonhar?

A cre dito a mor, a cre dito a mar, e a poesia é a única forma que encontrei hoje cedo de tudo, de tudo voltar. Chronos me aprisionou em seu sonho, ele sonha comigo. Kairos, meu amigo, acorda meu carcereiro. Mas ele volta a dormir. Dor mir e sonhar.

Hoje, à tarde, sonhei com a palavra ADEUS.

E, misteriosamante, só pude concebêr e a cor dar: A DEUS...


na foto, o cruzeiro de Curralinho, despedindo-se do dia 02 de julho de 2010.

sábado, 17 de julho de 2010

olhos nos olhos

poderia dizer tudo como posso dizer nada.
entre nós, o pó da estrada.
pode, ria, dizer tudo
como posso dizer? nada
em trenós, o pó da estrada
poderia dizer: tudo
como posso? dizer nada?
entre nós, o pó da estrada...
imagino-te olhando isso... lave os olhos antes de dormir...
E o Rio de Janeiro continua lindo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

simplesmanteamente


A saldade temprana
que tempera a idade
quase sempre engana
quem não tem maldade

Ouso acreditar
na falta do tempo
que juntos não fomos
por falta de espaço

Sinto ter-te, aço
pele e descompasso
tanto tudo toda
neve onde passo

Corro mais um pouco
suo internamente
veia, tão somente
ama, coração!

Rezo ainda em choro
que kronos me encante
se não mato, morro
simplesmenteamante...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Breve comentário sobre "Muito Além do Jardim"

Para falar do filme, devo dizer que o nome dela era Eva. E o nome dele, Chance. E isso já seria o meu melhor comentário. Aos mais atentos, serviria. Ponto.

Ele buscava viver, simplesmente, e fazer florir. A ingenuidade do filme, ao mesmo tempo que define sua perenidade - sim, é muito atual, mesmo tendo sido feito na década de 70 -, mostra que, parodiando Chance, a seiva corre nas veias, independente das agruras que passam a casca da árvore.

Vou ser mais óbvio: existem questões de ordem filosófica, existencialistas, subjetivas, mas que brotam em todo peito humano, que não dependem do status quo. Não dependem da época, da moda, talvez... nem da linguagem. Não sei. Isso eu tenho que refletir mais um pouco pra palpitar, mesmo que de maneira quase irresponsável, como aqui no blog.

...é que tem coisas que são mais raizes, mais ser humano mesmo, mais fundantes. Mesmo sabendo que tem coisas que só a Philco faz pra você. Se é que você me entende.

Ah, veja o filme. E diga não ao modismo e ao consumismo irresponsável. Pelo menos um dia.

Acho que todo aluno de comunicação deveria ser obrigado a ver esse filme. Seria um bom começo. Pena que já parei de dar aulas.

domingo, 11 de julho de 2010

Being There - "a vida é um estado da mente"


Ele entrou no avião.
Com pouco tempo de vôo, começou a turbulência. Ele era acostumado, voava muito.
Mas essa turbulência estava fora do comum. A tempestade fazia do avião papel, um nada, um brinquedo. Olhou à sua volta e o pânico era generalizado, ninguém falava, todos paralizados pelo pânico.
Ao seu lado, inesperadamente, uma criança desenhava. Desde que começou a turbulência, lá estava ela, com suas folhas A4, giz de cera, desenhando tranquilamente enquanto todos estavam em desespero. Nem muito nova, nem muito velha, já tinha noção do que acontecia. Por isso, inusitada a cena.
Tomando um ar, tentando se recompor, a curiosidade foi mais forte que o pânico, tanto é que perguntou:
- Poxa, o avião balançando tanto e você aí, todo tranquilão, desenhando... você não tem medo não? - perguntou.
- Claro que não. - disse o menino. O piloto é meu pai.
***
Não me pergunto, mas deveria, o porquê de ter ficado tão tocado com essa história. Quem é mais próximo a mim, sabe. Desconfia. (Des confia?)
Ontem, estudando filosofia, hebraico, velho testamento, novo testamento, semiótica e sociologia, esta parábola contemporânea veio à tona. Deitados à tarde, eu e minha tia, viajávamos sem sair do quarto do apartamento dela no bairro Funcionários. Fomos longe perto, onde não há e encontramos perguntas várias. Minha resposta às perguntas, foi apenas um comentário que fiz a ela, que a fez procurar no dicionário etimológico uma palavra que a intrigou, que estava em meu comentário.
Eu disse à ela: - Você não imagina a quanto tempo estou em turbulência... e não sabe a quanto tempo tenho desenhado...
Desenhado?...
Qual a surpresa, ao descobrir, revelar, desvelar que DESENHAR vem de DESIGNAR?
Para um filosofágico estuandante de semiologia, a questão de con fiar no pai significando, toma outras proporções...



(p.s.: você não simplesmente odeia, quando eu escrevo um post que não dá pra entender?...)
(p.s.2: terminar o dia de ontem vendo MUITO ALÉM DO JARDIM com Peter Sellers - foto - e Shirley Maclaine foi ainda mais revelador... por favor, veja o filme, para que eu possa comentar em um próximo post. Incrível.)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Azul Profundo.

Entrou na Maria Filó do Diamond Mall.
Ela estava lá.
À direita de quem entrava na loja, um vestido que só poderia ser dela.
Do mesmo tamanho, da mesma medida.
Conhece cada centímetro do seu corpo, cada curva, cada espaço, cada suspiro, cada marca. Conhece os contornos do hoje, já sabe o que vem amanhã.
Sabe que esse vestido é dela.
Per feito, feito pra ela.
Tamanho de decote - o que ele queria que ela usasse -, o curto ousado respeitoso da saia - ela sabia que ele adorava suas pernas à mostra - e um tom que lhe cabe. Sabe?
Que lhe exalta, que prepara a todos pra sua pele, seus cílios, sua boca marcada, seu sorriso, que quando quer, é tímido.
Seu jeito de olhar um pouco pra baixo-pra frente, pro canto-pra gente, que enternece e deixa doido.
Um jeito assim assim.
Tava, ela tava lá. Até perguntou pra vendedora o preço.
- De 379,00, pela metade do preço. Leva, ela vai gostar!...
- Tenho pra quem levar não. Se fosse um dia, levava.
- Se você quiser, pede pra ela me procurar. Meu nome é Priscila. E a referência dele, é 15444. Tenho certeza que ela vai amar, pelo jeito que você parou e ficou olhando pra ele...
- Agradecido, Priscila. Mas só parei porque fiquei pensando aqui uma coisa, não é nada não.
Ele disse a ela: não é nada não...
Saiu da loja, e ela não seguiu ele. Ficou lá, pra sempre.
Hoje, quando as luzes do Diamond Mall se apagarem, ela vai ficar ali, no escuro.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

diga 37


Tenho trinta e sete anos e um des a fio, a penas: ser feliz.
Me en cantar nova mente, me en volver.
Tenho trinta e sete anos e menos uma infância.
Menos um peito, menos jeito, menos lambança.
Tenho trinta e sete anos pra lembrar, trinta, e sete pra esquecer,
trinta e sete pra brindar.
Trinta e sete pra mover e respirar.
Trinta e sete opções pra esquecer de amar.
Trinta e sete vezes pra jogar, trinta pra partir, sete pra inspirar.
Tenho trinta e sete sonhos pra realizar.
Hoje, mais um dia, ou menos um.
Amanhã, novo hoje, bem comum.
Cuide do jardim, ela diz.
Plante uma árvore, ele fala.
Faz um filho, ela sonha.
Eu, trinta e sete bobamente mais eu, insisto:
sou amigo de kairos.
O tempo da aprendizagem, o tempo do coração.
Um dia, ela ouve,
um dia ela escuta,
um dia ela sente,
um dia, transmuta.
Trinta e sete anos são ainda bem feitos de um dia.

domingo, 4 de julho de 2010

Ventanto tanto


Ela é querida. E me acompanha de perto, de longe, de certo.
Ela me mandou um email carinhoso de aniversário, que copio aqui parte da resposta, que acho que resume bem o que foram esses quatro dias:
Sabia que vinha pro sertão que Guimarães, pra estrada do eu, e vim me procurando atrás de cada pedra, de cada árvore, em cada nuvem, nas sombras pelo caminho.
Foi bom.
Cheguei na Serra do Cipó e decidi dar um pulo na Lapinha, que nunca tinha ido. Vi a bela lagoa, dei carona pra um matuto Bruno, que não sabia falar direito, mas sabia tomar cachaça e vender lote com vista pra lagoa. A estrada de terra pintava os sentidos e deixava uma fina camada de pó da estrada, pra ser retirada com reflexão sobre o caminhar, prova do percurso.
Estou bem, penso você, penso tantas pessoas que distribuo amor por onde meus pensamentos passam. Ainda nesta semana, na aula de hebraico, uma espécie de questão zen hebraica nos banhou:
se o mar chega à falésia, e nela, uma caverna esculpida se enche de água, o mar fica um pouquinho mais vazio?
Resposta: não.
É como o amor. Você pode preencher alguém todo com seu tanto amor e, ainda assim, seu amor continua cheio, maré alta, irresponsavelmente pronto para amar. De possível compreensão, de difícil prática, o amor é mar. E amar, banhar-se mergulhando de cabeça.
(...)
Você me desejou que, no meu aniversário, eu encontre a paz que estou sempre procurando.
Agradecido vou,
escutando o vento,
sentindo a paz da estrada,
exemplo sempre novo para o Eu Caminho.
A mar te vou, vento, caminhando sempre a tento...
Bê.

sábado, 3 de julho de 2010

sobre a criação


Deus fez o mundo em 7 dias.
No quarto, ele estava de bom humor.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

8 fotos do dia primeiro









Diamantina continua charmosa. E saber que vai ter Vesperata, sonho antigo, neste sábado, foi um presente precioso. 
Da Pousada do Garimpo vejo a montanha, a igreja, o casario, o sertão, o silêncio e a palavra. Lavra.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

parabêns

acordei com a cabeça doendo de amor.
é meu aniversário.
nada maiúsculo, só o sentimento muscular que pulsa no peito, necessidade de afeto.
sentimanto.
me cobre. me deixo levar.
e fluxo sentidos, e fluxo intenção, fluxo intensão, sabonete cheiroso que pinta a pele gostosamante.
bloqueio nada, deixo vir, sou todouvidos e oolhoos abertos, peito aberto e arfalante, e ainda calmo, em busca de carinhos do mundo.
já manifesta-se o mundo amigo, que me quer bem.
sou grato. sentimanto, mais uma vez.
ela me liga da alemanha e sou feliz.
ele me diz pra eu ir bem, seguro, com cuidado de mim e sou feliz.
ela me ligou ontem e, apesar de não ter querido atender, querido.
sentitanto.
toca telefone, toque telefone, mais um, mais uma. ums. humm...
sonho que ela liga, espero que ele ligue, ligo pra ele que sem não é.
é dia de festainterna, ebulição de motivos.
tudo move, mas agora, com outro ritmo.
meus pais deixaram um conjunto novo de café de cerâmica, lindos mesmo, em cima da mesa da minha casa, com uma orquídea branca, conjunto para duas pessoas.
eles desejam que conjunto para duas pessoas.
ontem, um amigo me disse que sou amoroso. e que sei amar, e que sei do amor. sou grato a ele pela amizade sincera, pelo dizer, pelo manifestar...
e o conjunto para duas pessoas não perde por esperar.