sexta-feira, 25 de junho de 2010

Solomino

Dínamo levantou cedo. Tinha sonhado com soldados. Sonhou também com fogo, a noite inteira. E que havia fogo embaixo do sofá. Talvez fosse em cima, Dínamo. E o fato de, no sonho, o chão ceder ao toque, ali mesmo na sala, só constata que ruiu, enfim, o que estava podre. Daí, pegou um lápis de cor, preto mesmo, e ousou:


SOLOMINO

ela merece
aquece
o meu sono de menino

ela padece
da prece
que envulva o meu olhar

ela enlouquece
enternece
nua presença no mundo

e faz de ludo
pro surdo
voltar a escutar

mas foi a dois
que o sonho
o mesmo sono de menino

se encontrou
distante
do sinto
(muito)

e se firmou
com força
com jeito de enforcar
e autorizou
defeito
no preceito
para amar

Refrão:
Como é que faz quando tudo acaba?...
Como é que faz quando tudo?...
Como é que faz quando?...
Como é que faz?...

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