quinta-feira, 10 de junho de 2010

Saudade do passarinho do Caminho


Ganhei um livro de poesias completas de Manoel de Barros de uma pessoa linda. Minha bela chefe segurava o livro pra mim, enquanto eu pegava nossas malas na chegada do Galeão. Fizemos um evento incrível no Rio de Janeiro no feriado. Quando já tinha o que carregar, veio ela: você já chegou na página 322?

XII - página 322.

Bernardo é quase uma árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho:
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios - e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua incompletude?)

O bom de ler poesia é ter a oportunidade de fazer dela sua. Acho que Manoel de Barros me perdoaria a ousadia da apropriação e a de sentir o que senti quando li este trecho e voltei ao Caminho de Santiago.

Manoel, o que guardo em meu baú são sonhos realizáveis. Quem já foi na minha casa sabe, já viu. É um baú lindo que tem mais de 100 anos de idade e fica no centro da minha sala...

2 comentários:

Fabiana Ferraresi disse...

que incrível!!! Eu ficaria super emocionada se fosse um poema tão a minha cara e com meu nome. Acho que vc devia plottar isso na parede do seu quarto. Bora? Te ajudo, se vc quiser. Bjo

Bê Sant Anna disse...

é o que mais quero. Mas vou plottar na minha casa nova.
Não dá mais pra ficar nessa.
Casa, eu digo.
Ops.