quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tour d'amour


Tour de France, disse ela.

Mari sabia que Norberto tinha um sonho. E para o castelo que constrói junto dele, sabe da importência dos materiais. A relação com a construção foi aprendida em família.

Pro nosso castelo, sonhos como tijolos, ela diz.

Pro nosso castelo, uma torre de amor, uma cúpula de desejo, domo revestido de mãos dadas, um adro de tijolos amarelos, aberto de possibilidades. Por ele passam nossas crenças, nossas projeções, nossos sentimentos mais puros de união. É lá que trocamos experiências - projeta usando o verbo presente.

Muralhas fortes, ele diz. Sou eu quem coloca cada uma das pedras. Escolho-as no rio de nossa existência mútua.

Rio colégio Sto. Antônio, rio Sorveteria São Domingos, rio casa da avó. Rio primeiro beijo, rio de descobertas, rio de viagens.

Norberto anda com os pés dentro d'água. E tem um sonho de pedalar no velho mundo.

Mari sabe que os sonhos dele são importantes pra ela. Mari sabe que os sonhos dele são importantes pra ele. Mari sabe que os sonhos dele se tornaram dela, e serão contados, um dia, para os filhos que vierem, que já existem também em sonhos, comungados, ricos, rios, reais.

Quando deitam à noite, dizem um ao outro: seja bem-vindo. E dormem juntos, e passeiam de mãos entrelaçadas nos sonhos que brotam e se misturam, lugar onde está deitado o castelo que cresce a cada dia, a cada noite, a cada passeio.

Vai lá, Mari: Tira uma foto do Norberto no Tour de France durante a prova. Não importa se ele atravessar a linha de chegada. Vocês já estão no seu pódio a espera do grande prêmio...

No castelo dos dois, Um.

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