segunda-feira, 26 de abril de 2010

Haikai para Kairos


no con tato
o to que
move


* na foto do museu de Escher, de quem sempre fui fã, a descoberta significante - em suas obras o infinito e o eterno como temas principais...

domingo, 25 de abril de 2010

SinAIS

Na noite passada sonhei que tinha decidido parar de cantar.
E que verbalizava isso para minha mãe.
Quando acordei, liguei a televisão e vi e ouvi, agradecido, Maria Bethânia cantando Tocando em Frente.
Sou grato pelos Sinais.

***

Ontem, ouvi Célio Balona tocando Resposta ao Tempo no acordeão. Chorei por dentro, de alegria.

sábado, 24 de abril de 2010

chef?


São 3:43h da manhã.
Acabei de voltar da casa onde houve um encontro das pessoas que trabalham onde eu trabalho.
São pessoas lindas, amigas, amorosas, inteiras.
Íntegras, zelosas, cuidadosas, cautelosas. Mas são pessoas.
Todos nós, dignos de entendimento. Acho que esquecemos de nos entregar ao departamento responsável.
Quando não há departamento responsável, quem responde por nós?
Não gostei do jantar que fiz.
Tem isso: pra cozinhar, temos que estar 100% presentes. Ato Zen.
Fiz o mesmo prato pro meu amigo Paul e sua família em Gorinchem, na Holanda.
Lá, sim, ficou tudo uma delícia. Ontem, eu, mais três casais, que foram delicados ao degustar minha tão esperada refeição, que não nos nutriu o corpo, só o espírito. Tirei a barba e cheguei na casa da diretora do meu departamento só de bigode, falando francês, vestido de chef.
Se não nutrimos o corpo, nutrimos o espírito pelo tom da brincadeira e a vontade de ser mais alegres em uma noite que, pra mim, não estava exatamente feliz.
Mesmo assim, fui feliz ao lado daquelas pessoas, que alimentaram a minha expectativa.
Em uma noite triste é possível encontrar muitos momentos felizes.
Ainda bem, ou melhor, ainda zen.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Amen


La Dame de tous les Peuples
Seigneur Jésus-Christ,
Fils du Père,
envoie à présent Ton Esprit sur la terre.
Fais habiter l'Esprit Saint
dans le cœurs de tous les peuples
afin qu'ils soient préservés
de la corruption, des calamités
et de la guerre.
Que la Dame de tous les Peuples,
la bienheureuse Virge Marie,
soit notre Avocate.
Amen.

Eu sabia que você viria.
Ler.
Eu sabia que você não viria.
Mais.
Mas,
eu acreditava.
E sonhava no fundo com o entendimento.
Com o bom momento.
Com a força do que não tem explicação.
Do que realmente é completamente sem noção.
Sua frieza sempre me fez medo.
Hoje, não mais. Já sei do que você é capaz.
Capataz de palavras, domo todas pra não te ferir.
E não vou...
Só quero que saiba do fim:
O fim é mesa farta, atrás do vidro.
O fim é esquecer de dizer que se ama a quem acabou de partir.
O fim é a dor do parto quando se quer ficar.
O fim é a fala de quem só sabe calar.
O fim é fogo nesse peito em pranto.
O fim lamento, o fim desejo de quem não tem fome.
O fim reduz o humano a só um homem.
O fim é o que você vai ver no espelho
quando lembrar que não sou fim, sou meio.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ampulhetraspartidas


quencontrousado
que deixa na boca
um gosto gostoso
de ser amarrado
quemederamar
sem limite
o palpite
da
voltaoaltar
esedeusoubesse
do tanto que peco
ao pensar em você
semelimitaramar
pudessencontrar
um motivo
desculpa
de te
convencer
avoltaracorrer
encontrar
esomar
esomar
esomar
esoamar

domingo, 18 de abril de 2010

Já não sei o que escrever




precisoserpreciso
porque
você lê


sexta-feira, 16 de abril de 2010

resposta para "Resposta ao tempo"






Seu sem juízo acorda
a cada dia.
Seu sem juízo torna
a tina vazia.
Seduz, deduz,
o que cativa?
É luz,
é sol do meio dia.

Meu presente
assim espera
relógio do tempo,
Kairós de mim.
Chronos que chora tempo e demora
o travesseiro vazio do sim.

Há emoções que chacoalham.
Há presentes que se desembrulham.
Há um jeito de ser,
um jeito, ao descer,
do alto,
do conceito do ser.

Sim, estou acordado;
sou corda extendida,
arado,
terra mexida que brota semente:
sem querer.

Sem querer, ouso querer.
E retorno ao terno, Ruben Alves que amanhece em mim...

*É com muito respeito que coloco essas fotos, captadas por mim em Gorinchem, perto de Rotterdam. Não sei o nome, não sei quem são. Sei o que provocaram neste muito meu coração.
Sou grato por Deus, por meus olhos, pelo amor presente, presente, no mundo, do mundo, dos sentidos. Sonho com este casal, brilho com eles no sol e aqueço a expectativa de momentos como estes para mim, para você, para todos que lêem este post.
Quem não conhece, procure a versão de "Nana Caymmi de Resposta ao Tempo"...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Para Érica. Ou melhor: anda, Érica.



Não sei se o nome da Érica se escreve assim.
Aliás, não a conheço. Não há conheço, melhor dizendo.
Fui hoje apresentado a ela em um restaurante.
Érica quer que eu diga da minha corrida, do meu passo, eu passo, eu viajo, eu Caminho.
Posso falar pra ela das asas nos pés, do vento no rosto, do cheiro da rua,
do trote ininterrupto da massa que me empurrava, corrente humana, torrente humana, eu peixe nas águas dos homens e mulheres da Maratona de Paris.
Érica, eu não sei mentir.
Eu chorei no Km 5, já. No 17, no 26, no 35, onde não mais havia número, nem expectativa. Onde só há via.
Entende, Érica?
Ou compreende?
Senti quando meus pés soltaram o asfalto e naveguei livre no ar, no sentimento de dor e exaltação exacerbados.
Senti que era.
Fera. Sentidos agudos aguçados pelos desejos pulsantes, passantes, pé pé pé. Trote.
Tá, tem a paisagem, tem Paris, tem arco, tem torre, tem rio, tem museu. Desculpe, mas eu preciso dizer que pra mim eu fui maior que isso. Tudo. Desculpe mas eu preciso dizer que eu fui tão pequeno, tão pequeno, que grande. E enorme.
Fui superação, fui só um na multidão.
Fui garra, fui só um número.
Fui mais forte do que eu poderia supor, fui um nada que somado a outros tantos que nadam são tudos...
Aiaiai, Érica, como eu vou te contar tudo isso? E o pior que você está esperando.
Mesmo se em me conhecer.
Bom, vou pensar melhor um jeito de te contar sobre isso...
Sobre a experiência?
É rica,
posso dizer.

fica, por enquanto, só duas fotos lindas que expressam um pouco do meu imaginário sobre o assunto...

sábado, 10 de abril de 2010

Camiseta a postos


Criançada, agora é pra valer. A camiseta está praticamente pronta, nomes escritos, empolgação certa. Espero levar pra casa a camiseta de Marathon Finisher. Estou com meus amigos do Belvedere e Minas, que treinaram comigo durante 4 meses. Nos últimos tempos, mais ou menos 80km por semana, 2 unhas e meia a menos, praticamente, nos pés, e uma expectativa diferente na cabeça e outra no peito. Comecei escrevendo o nome do Ladeira, da Fefê e Silvinha, que foram as companhias certas nos 4 meses de treino. Tininha, minha consultora Mor me indicou o trabalho sério e competente do Heleno Fortes e Volnei, que não deixaram barato: me puseram pra treinar pra dedéu, pra não usar "treinar pra caralho" que ia ficar muito pesado pra um blog comportado como o meu. Sou grato ao apoio eterno da minha família, que mesmo sem entender, muitas vezes, os sonhos pouco ortodoxos de seu filho - como ter feito ano passado o Caminho de Santiago - me apoia e acredita em mim. Sei-me deles.
Sou grato às pessoas que me fazem correr por diferentes motivos: umas quero dar exemplo, outras quero a companhia delas a cada passada, outras quero dentro do peito, outras na frente, pra onde estou olhando. Umas não precisam estar em minha camisa, outras estão em meu suor, em minhas lágrimas, em toda parte.
Amanhã, criançada. Vamos brincar de correr. Ou, brincar de viver, como diria Guilherme Arantes.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A singularidade torna as nações tão singulares...



Qualquer pessoa que venha pra Holanda pode perceber sua riqueza cultural, gente. É tão bonita essa riqueza das nações...



quarta-feira, 7 de abril de 2010

UMA SEMANA



Qual foi minha surpresa, ao passar em Paris, trocando de estação de Montparnasse para Gare du Nord para ir encontrar meu amigo Paul, na Holanda, quando vi ao longo do metrô a propaganda para a Maratona de Paris!


Confesso que, ainda agora, olhando na foto que estou pra postar no blog, me dá um arrepio e um frio na espinha! Emoção pura, adrenalida da mais alta qualidade! Que alegria poder acreditar em algo e simplesmente tentar! Penso em quantas pessoas passam a vida a podar suas possibilidades, suas tentativas sem ousar dar vazão aos seus desejos.


Até hoje, não corri 42km, como na prova. Treinei bastante, nos últimos tempos, uma média de corrida de 74 a 80km por semana. Para mim, MUITO. MESMO. O volume máximo de corrida foi de 30km no sábado e 10 no domingo, alguns finais de semana. Mas dizem que sempre existe a famosa "barreira dos 32km". Tem gente que não foi feito pra correr mais que isso.


Bom, vou saber no dia da prova. O importante é que isso não importa.


O bacana, pra mim, é saber que estou aqui, que treinei, que vim do outro lado do mundo pra exercitar mais do que meu corpo, minha capacidade de sonhar. E de tentar realizar meus sonhos.
***

Poético chegar na rua logo cedo e ver os jovens de Gorinchem, NE, indo para a aula de bicicleta. Alguns pedalam 15km para ir pra aula todos os dias. Os carros respeitam, a geografia respeita, a configuração da cidade respeita. Essa foto foi feita da frente da casa do Paul, meu amigo do Caminho de Santiago.
Quem me ensinou a dizer todos os dias pela manhã: "Another day in Paradise!"
Keep walking, meu amigo Paul! Conforme combinado, tenho dito isso todas as manhãs a partir do Caminho até o final do meu Caminho...

domingo, 4 de abril de 2010

Pázcoa


(O Coelhinho da Páscoa e suas várias formas...)
Páscoa é hoje.
Amanheci escutando Gilberto Gil. E a primeira música foi "Lente do Amor".
Antes, ou via a música interna. Que entoava o amor de minha mãe, o exemplo de meu pai, a força de minha irmã. Me falava sobre a borboleta do mar, que sabe voar e de vez em quando vira estrela, bem lá no fundo do oceano, à espera da maré alta, à espera da maré baixa, vendo tudo, ouvindo tudo, todas as músicas, todos os tons.
Minha música interna me falava sobre o Tudo em minha vida. Sobre o Tudo que me faz questionar, o Tudo que aquece e desaquece os paradigmas, as crenças, os valores. O Tudo onipresente, o Tudo onisciente, o Tudo nada nonada que tantas vezes me move e por vezes me chacoalha. Tudo corazón.
Minha música interna me fala sobre o conto de fadas. Onde a Princesa finalmente olha para baixo e vê o Principe Princípio, o Príncipe Meio, o Príncipe Fim. O Princípe Principal Principiante que gosta de andar, a cavalo, e monta destemido seu Corcel de nome Sonho.
Minha música interna soa bem.
Minha música interna: por vezes conserto, por vezes concerto. Sempre Sinfonia.
Atonal muitas vezes, distoante de vez em quando, tem tons maiores e cresce ao sabor do vento que a toca. Minha música interna toca ao sabor do vento. Sou instrumento de sopro.
***
Um dia, arqueiro, flecha e alvo se misturam. Viram coisa só, diz a filosofia oriental. Um dia, perto, hoje, me confundo ainda com minha música interna e o tema principal dessa canção. Como diria Manoel, o audaz: "vamos aprender, vamos lá". E pra não deixar de citar nosso maestro, Tom ilustre, "vou voltar, sei que ainda vou voltar, para o meu lugar..."

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Peixes que comem cenoura


Pela foto noturna da prefeitura de La Rochelle Ville pode-se ter noção do quanto esta cidade é especial...
Hoje, fizemos uma salada ótima no almoço. Tinha folhas de confissão, desejo em rodelas, sonhos regados com azeite, um pouco de insegurança e pitadas de medo, encontros e desencontros crus e sal. Claro, cozinhei a culpa e reparti, pra que cada um saboreasse sua parcela.
Eu e minha amiga digerimos tudo, calmamente, em uma refeição que durou umas três horas, antes de sairmos para a pescar.
Os peixes de La Rochelle botam ovos de chocolate.
O que plantar, o que colher, o que regar, o que buscar. Quem entra no mar de La Rochelle percebe a imensidão dos campos de cultivo submersos, ricos de nutrientes, férteis, semeados.
A ressurreição dos pescadores se dá na colheita.
Levo cestas de vime e uso macacão listrado, igual ao do meu pai. Uso botas Sete Léguas azuis e mergulho no mar gelado que me faz acordar.