sexta-feira, 5 de março de 2010

Dínamo

Eu sabia que eu tinha que procurar lá.
No Caminho de Santiago, em um dos dias mais difíceis, eu e Ramiro andamos 18km em baixo de uma chuva torrencial. Mesmo.
A chuva lavou tudo. A terra, o barro, o cansaço, os ânimos, as brigas, os pesadelos.
Pesad-elos.
Mofávamos a carne enquando dávamos mais um e mais um passo, rumo às nossas concretas abstratas crenças. Verdades de menino.
Nesse dia brigamos muito. A chuva molhava por dentro e por fora, ensebava as relações e não víamos a hora de ensecar. Encalharíamos ali mesmo onde, perto de lugar algum.
Estio.
Veio o vento, a água ainda corria em nós e na terra quando parou finalmente de chover.
Na primeira nesga de sol, a inspiração: - Ramiro, quando eu voltar, vou estudar hebraico.
Em silêncio, me olhou assustado.
Um balançar de árvore depois, me disse: - Bernardo, Bernardo... pensa bem... olha lá o que você está fazendo... você fica procurando demais e vai acabar encontrando. O que você acha que vai conseguir com isso? Achar a chave do universo?
...
Não, - respondi - o buraco da fechadura.
***
Terça-feira foi minha primeira aula. No começo, o professor advertiu: - É normal saírem daqui com dor de cabeça, ok?
Saí.
Mas foi mágico descobrir a origem da letra B.
Principalmente pra um canceriano como eu. Sua representação gráfica, em -1800AC, para os fenícios, queria dizer... casa!

3 comentários:

Adriane Bravim disse...

maravilhoso Bê... e é isso !

tia Dri

Branca disse...

Mágica é a vida, não é?


bjoo

Bê Sant Anna disse...

Tia Dri e Branca.
Maravilhoso e mágico é saber que até um ano atrás eu não conhecia pessoas encantadoras como vocês. Isso é um motivo para se viver: a descoberta de pessoas novas que podem mudar nossa história de um modo ou de outro. Bê ijos pra vocês. Voltem sempre.