quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

nutreu


só nutro o que preciso
agora: só neutro
o que permeia, embora só
fonte que me faz da hora
somente
a luz que me devora

Sou grato.
Devo dizer do mar e do que voa, devo dizer do amor de uma pessoa.
Preciso urgentemente amar sem medida, sem sentido, sem saída.
Preciso, urgentemente.
Falo do sangue, do verso, da palavra.
Falo do tônus, do ônus, da estrada.
Falo falante,
que as falésias do mar testemunham o mergulho.
Orgulho.
Sinto-me medo, sinto-me cedo, sinto-me gato escaldado que brinca na tina.
Serpentina.
Sou gato, sou grato, sapato no ato.
E corro ainda, desejando.
Andodesejo
Desej-ando...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Dos olhos de uma criança


Fui almoçar no Mandala, o restaurante de comidas naturais da Savassi, bairro charmoso de Belo Horizonte, cidade onde moro atualmente.
Na mesa da esquina da minha mesa, uma menina e um pai - supostamente. Ela deveria ter uns três anos, calculo, tendo em vista os meninos pequenos com os quais convivo hoje em dia.
Por um momento não tão breve, não tão longo, me olhou fixamente.
Se virou pro pai e disse:
Não tem ninguém almoçando ali, naquela mesa. - apontando a mesa onde eu estava (ou supostamente estava, já não sei mais...)
...
Por quê?
Por que a menina não me viu? por que a menina não viu o me? ou será que ela viu além do me? Ela viu a verdade tudo nada eu?
Me recolho ao ninguém que almoçou ali e pauso meu existir. Encanto-me com meu tudo nada e me preencho de nenhum significado. Me alegro. Agora sou só alegria nos olhos vazios da menina que só vê alegria de nada.
Engraçado: alegria tem fome...
Criança tem uma sensibilidade, né?!?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dois mil e jazz

Novas matizes vão surgindo, enquanto me encho de cores. São cores de todo o tipo. Cores cheirosas, cores azedinhas, cores agridoces, cores quentes, cores dores. Cores respiro de mim, banho de satisfação.
Passei o reveillon em meio às cores tantas que conheço, que dançam no ano jazz, como diria um peregrino amigo meu, e convidam pro baile.
Dançe com as cores. Faça amor com elas.
Ouça seu ritmo, encontre a frequência frenética daquela que te diz tudo. E aceite o gosto e o desgosto como parte emocionante da caixa de lápis de cor.
Tenho uma foto em jornal, do arco-íris mais lindo que houve em Barcelona. Neste dia, nesta hora, no meio círculo completo que se inscreveu no céu, chamando a atenção, eu chegava naquela cidade colorida. Lembro de olhar na janela e ver o avião passando agradecido por baixo do arco-íris pós tempestade. E ver a foto, do momento, à cores, no dia seguinte, inusitadamente...
Na foto, nas mãos, o violão mágico que toca cores, do violonista e violeiro brasiliense que nasceu no Rio, Fernando Netto.