sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

pra onde vou, não pega nem celular

O que escrevo aqui não tem necessariamente compromisso com a verdade. Muitos textos já existiam, outros tem a ver com o momento. O meu, de outros que me contam e que coloco ou como meus ou como de terceiros. Muita gente confunde isso e me cobra, sabe? Todo mundo tem passado, presente, futuro (em muitos casos) e tem sonhos e ideais. Ideais, que eu saiba, estão só na ideia...
Vou dar um tempo na escrita.
Vou tirar uns 10 dias e refazer um caminho interno.
Quem quiser, deseje-me sorte. Estou bem acompanhado. Com meus ideais e com a verdade do meu coração.

Haikai do tesão desmedido (ou simplesmente, a saudade é dor pungente)






apele
que toca
a pele






quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

quandando



Quando pulou, já sabia que seria o vento.
Quando caiu, não sabia que seria a cara.
Quando amor, não esperava que fosse assim.
Quando temor, pediu ajuda a quem podia.
Quando sabor, estava com tudo ao mesmo tempo.

Quando paixão, era mistura de medo e amor.
Quando pavor, era a água que também transborda.
Quando ando, lembrando do quando?
Quando desejo, se lembra do beijo.
Quando razão, só o que lhe faz sentido.

e a neve que vejo derrete quando se a gente quiser.



domingo, 19 de dezembro de 2010

a manhã

ela mexe

comigo

e na pele
revela

sentidos


ela oculta
no ventre

semente

somente

pra mim


ela sabe
de mim

dos meus
sonhos

e mergulha
no encanto

da espera


ela surge
ela urge
ela turge

ela manha


ela amanhã

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

tipo isso





Só,
queria dizer
que a falta que faz
estraga o querer,
convence o sono,
despe o vestido alegria,
encaixota o poema,
engaiola o olhar,
fatia o encanto,
e derrama a expectativa na mesa posta dos desejos.





quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Não leia se for fresco.


Minha amiga-irmã Silvia, esposa do Leo -essa gata da foto-, concorda comigo. Eu acho.
A festa da associação dos produtores de áudio e vídeo, com a presença dos parceiros, a associação dos locutores profissionais que trabalham com publicidade, o Vozes de Minas, foi um sucesso.

Primeiro, porque tivemos uma participação de uma galera muito bacana. Que rala, parceira, que mata um leão por dia e tem o humor e a alegria em primeiro lugar. Segundo, porque tivemos 2 shows muito legais. Trabalho artístico de primeira, sabe?

Um, do Aggeo Simões. Como canta Sinatra! Como canta Jobim! Passarinho de gravata!
O outro, coisa muito séria. Sobre quem eu realmente queria falar nesse post. É esse negão maravilhoso aqui de baixo. Esse cara canta PRA CARALHO. E seu swing é DE FUDER. Eu até pensei em algum adjetivo interessante pra falar de como esse cara canta, de como ele tem a música no espírito e na alma, ou melhor na soul dele... mas não rola. Simplesmente não rola.

PLAY é DE FUDER mesmo. Ele já foi vocalista de uma banda que estourou com um sucesso "E EU" - e eu, querendo me aproximar, querendo me descobrir, falar do meu amor... - O nome da banda era NEPAL.

O Play é meu amigo de muitos e muitos anos. Gravamos vários e vários jingles reconhecidos na publicidade em nosso estado. Ele, cantou com Deus e todo mundo, tipo Jota Quest, Vanessa da Mata, e tal e coisa. O cara já foi no Faustão uma panela de vezes. Nós, já fizemos backing vocal um milhão de vezes juntos e nossos encontros são sempre uma festa. A minha única pena é que o mercado fonográfico, cultural e de entretenimento é foda - agora no sentido ruim do termo. Porque eu gostaria imensamente que você que está lendo, tivesse um CD, ou em seu ipod, pelo menos uma música desse fantástico e talentoso AMIGO PLAY.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

desculpe o incômodo: estamos em obras para melhor servi-lo




Quando à sua volta tudo está em reforma, vale a reflexão, vale o reflexo, vale a sua volta.
Volto pra mim e me ponho em obras.
Sei que há muito a dizer.
Sei que há mais a fazer.
Mas como diria minha mãe, "tudo tem sua hora, meu filho...".
Caminho com a certeza disso, sem deixar de olhar para o entulho, sem deixar de projetar esta reforma acabada... a paciência é virtude de quem sabe o que quer e sabe querer.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

cimento, areia e água



Começo tirando os azulejos. A parede nua mostra suas imperfeições. Descubro canos velhos, onde a água não pode correr como antes. Troco todos. Tiro o piso que piso. Não há motivo para medo, não vou ficar sem chão. Onde vou pisar, vai ser limpo, novo, bem feito. Nem a sujeira que hoje há nos sapatos pode me dizer do que vai ser, e de certo modo, nem do que foi. Vou rebocar. Pintar tudo. Não me interessa a poeira temporária. Ela turva minha mente, me confunde, peço pra ninguém estar por perto, pois não quero ver alguém em meio ao pó, imagem confusa, sujando a expectativa. Não sei se alguém me entende. Não sei se espera. O barulho me incomoda. É a comprovação que está sendo mexido, macerado, revolto, escarafunchado. Mas projeto meus sonhos por sobre a tela do que vejo. Não sei bem se a reforma que faço agora é na casa ou se novamente em mim.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ausência




Trem estrada ausente.
Trem estrada aos entes.
Tenho estrada ausente.
Tenho estado ausente.




quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

nelsons e sonhos



Nelson não via meu rosto, mas sabia que era eu. Nunca esteve no Caminho de Santiago, mas pelo que contei, sabia que era lá que me via, andando feliz, subindo e descendo morros, caminhando, seguindo, andando. Se seu sonho comigo tem algo a ver com nossa sintonia, não me surpreendo. Ontem, sentado sozinho na pizzaria do bairro, ouvi My Way em ritmo de choro. Uma clarineta, um violão, um pandeiro, um xique-xique e um cavaquinho. Choro pra lá, choro pra cá, e eles tocaram finalmente My Way. Frank Sinatra ficaria surpreso com a beleza do arranjo, a verdade do arranjo, a doçura do arranjo, a bondade do arranjo, o toque do arranjo. Tantos anjos juntos, em My Way, só podem conduzir à emoção, à entrega, ao sonho. Mesmo que não seja meu, seja de meu amigo, quem se muito preocupa comigo.
Depois de My Way, veio uma música de Jobim. Sinal para pedir a conta e ir caminhando pra casa, na noite sem estrelas, enquanto morria atrás de mim o choro da música de Jobim no solo de uma bela clarineta...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

impressão


identidade.
sou eu que na foto estou.
só por maldade.
passado que preso entôo.
só de não ser.
a foto que afirmo ser.
busco entender.
o bem sejo estado do eu.
representeu.
me sendo me concebendo.
situo.
em ti, tu, tudo estudo.
percebo.
o lânguido sôfrego apelo.


domingo, 28 de novembro de 2010

nada além da palavra


Você me leva?
Levo.

E de repente, ouvi... você me l-eva? L-evo.

Sim. A Mulher e o Eterno, lidos pelo L, como no hebraico antigo, sem vogais, como se a letra L sozinha pudesse me dizer o verbo "ler", só com sua primeira letra indicativa...

Não vai ser fácil escrever esse post, como não vai ser fácil lê-lo, ou entendê-lo...

EVA, presa em "leva" e EVO, preso em "levo" pedem po-ética-mente para sair. Querem se encontrar. Querem estáBêlêser-se.

Todas as letras saltam agora, aos olhos, aos sentidos, às leituras, aos cantos, ao umbigo. Um telefonema, ela desligou. Ela des-ligou, por mais que houvesse algo, por mais que estivesse certo, por mais que estivesse espera. Há sinal de ocupada. Que linha é essa?

Eu des isto, eu des aquilo enquanto con-ti-nu-o fazendo figa. O simbolismo parole embaralha o viver, enquanto a palavra encanto, me coloca atocaiado, em canto, no canto, lá.

Vou voltar pra Holanda. Lá, onde há moça brinco de pérolas, leio o "anda" na palavra Holanda.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sobre Poodles e a Legião Estrangeira

Estou mal de gripe. Febre desde segunda, comecei os antibióticos na terça, ontem tirei xerox do pulmão e da cara (face, você sabe...) e estou de molho no sítio dos meus pais pra ver se eu melhoro até amanhã. Suando igual tampa de marmita, fui obrigado a ficar vendo filmes e me entediando com o barulho da chuva.

Num deles, fraco, produção francesa, uma cena chamou a atenção.

O filme se chama O Último Vôo. Bom, se o nome for esse mesmo em francês, aí sim vou achar o filme uma porcaria. A tradução é O Último Vôo. Como estou com a capa da locadora, nem sei o nome real.

  1. uma mulher piloto vai tentar buscar seu amor perdido no deserto do saara. Ele também é piloto e desapareceu no deserto. (claro, o título aí já fode - desculpe, mas é verdade - o filme)
  2. ela encontra com um tenente puto com um capitão porque ele era amiguinho dos Tuaregues e o capitão que chega sem avisar começa a bancar de eu-sou-francês,-sou-eu-quem-manda-aqui,-cambada-de-macaco-que-anda-de-camelo
  3. a mulher pede ajuda ao capitão pra achar seu amante e ele fala que ela ficou doida, que o amante dela já virou miragem
  4. o tenente dá porrada no capitão depois dele arrumar uma puta briga com os Tuaregues que não tinham nada que ver com a história e tavam lá no seu oásis tranquilos, sem preocupar com Napoleão
  5. os dois conseguem fugir e vão pro meio do deserto - ela achando que vai encontrar o amor, ele achando que arrumou alguma coisa pra fazer no deserto

Bom, vamos à cena, que tá ficando comprido isso aqui:

Sol na moleira, dias seguidos, nem o camelo aguenta mais. Até ele já tá achando que é um poodle de tanto calor e delírio.
Finalmente, ele fica puto com ela e grita: (as mulheres fazem isso com a gente às vezes, talvez o tenente só tenha esquecido porque passou muito tempo sozinho no deserto)

- ME FALA QUE DIREÇÃO SEGUIR!!!! PRA DIREITA, PRA ESQUERDA, PRA FRENTE, PRA TRÁS!!! PRA ONDE???? PRA ONDE????

Ela olha pra um lado, pra outro, pra dentro.
Chora um pouquinho e diz baixinho:

-vamos, temos que continuar.

Se não fosse essa cena e a beleza da mulher, o filme estava perdido desde o título (ou de sua tradução).

Enfim, não vejam o filme. Afinal,
  1. o vôo é o último;
  2. quando estamos no deserto, o importante é seguir, mesmo sem saber pra onde;
  3. as mulheres vão sempre nos irritar, não importa o que façamos;
  4. elas sempre têm razão.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

POW!


Foi como um soco!
O show do Paul McCartney foi tudo que sabemos que seria. Emocionante mesmo, uma porrada. O cara não mudou o mundo à toa. Deu pra chorar, pra rir, pra pular, pra dançar, pra viver a felicidade de estar ali, vivo, pra experimentar um Beatle ao vivo. Não tem muito o que dizer. Foi bom ter ouvido Blackbird tocada ali, assim, daquela maneira.
Ah, sei lá.
Sim, é lá onde sei que mora esse ídolo, esse mito, esse encanto que toca gerações, independente do chavão. Como diz meu amigo Ramiro Maia, "brigado cê-tê-vindo, Paul!"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Como disse bem minha amiga, "convive com isso um pouco..."


Saí do Filme Tropa de Elite 2 chorando muito.
Não estou nem aí pro que podem pensar disso. Chorei pelo Capitão Nascimento, chorei pelo nome do Capitão Nascimento, chorei pelo filho do Capitão Nascimento e pela vontade dele de fazer a coisa certa, fazendo a coisa errada. Afinal, Capitão, o que é certo e errado mesmo? Conheço algumas pessoas que acham que sabem o que é certo e o que é errado. Chorei por essas pessoas também.
Chorei pelas 5 mães e 5 filhos, muito muito muito pequenos (acabaram de aprender a andar) que estavam na frente do Kinoplex Itaim, brincando junto à praça de alimentação. Chorei pela ingenuidade das mães e pela ignorância das crianças. Chorei pelo Bairro do Itaim Bibi e seu trânsito. Chorei pelo Staybridge Suites São Paulo e quem se hospeda lá. Chorei por quem não tem o nome na recepção do Staybridge Suites e quem nunca vai ter o nome na recepção.
Saí andando chorando pelas ruas e decidi não passar na frente do ponto de ônibus, que estava lotado. Ninguém que vai pegar ônibus (3 pra chegar em casa) precisa ver uma pessoa que não vai pegar ônibus chorando. Chorei por elas também.
Fui solidário com o filho do Capitão Nascimento, que quer muito um pai. Fui solidário com o Capitão Nascimento, que quer muito um filho. E mais que isso, quer que o filho o reconheça como pai. Eu, que sempre quis ser reconhecido como filho, preciso também ser reconhecido como pai.
Um pai que chora.
Um filho que chora.
Um choro de homem. Nu, em plena São Paulo.
Enquanto eu chorava e caminhava pelas pedras muito bem assentadas, muito regulares, muito em ordem do Itaim, pensei em outras pedras, caminhadas por mim também banhadas por outro choro, no Caminho de Santiago.
O que estou fazendo aqui em São Paulo? Acho que vim chorar por mim, Capitão Nascimento, Wagner Moura, meu pai, meu filho e Paul McCartney.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Convive com isso um pouco..."



"porque você tem essa abundância de amar"... ela disse.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

talvez esteja debaixo da bancada da cozinha



O humor antecede o amor, disse Erica. Diz ela: saboreleio seu blog.
Influenciada ou não, saboreleio é o máximo.
Tenho saborelido algumas coisas, Erica.
Com ou sem amor, com ou sem humor.

Comecei finalmente a ler um livro que ganhei no natal passado: La Sombra del Viento.
Esse eu tenho saborelido com aMOR. Com muito Amor.
É que Barceloni me parece mais perto lendo o livro. Sim, resolvi mudar o nome de Barcelona.
Eu posso, Barcelona é minha.

A minha Barcelona é única, é toda, é tudo, é Barceloni.

Da última vez que estive lá, passei em baixo do arco-íris (clique e veja que é verdade), dentro do avião, no meu pouso depois da grande tempestade. Um ano se passou. Eu voltava do Caminho de Santiago e havia chovido e lavado toda a sujeirinha que eu e Barcelona acumulamos ao longo de nossas muitas vidas. Eu, de coração novo, em festa, em ebulição, em dúvidas, em gritos. Nessa época, meu coração ia na frente, que já andava por si só, tal o com-passo revelado no Caminho.
Nem dá pra dizer. Meu próximo livro tá quase pronto, vai explicar isso melhor.

Fiquei pensando onde tenho errado nisso que a moça Erica disse sobre o humor e o amor. Ainda não descobri.

Uma vez, ela (não! a Erica não, uma companheira) chegou do trabalho e eu estava de avental, cozinhando. Achei que isso era humor, achei que isso era tempero, achei que o amor poderia ser prato principal. Não teve graça nenhuma. Queimou a expectativa, desandou a emoção, azedou o encanto.

Tudo que eu queria, era poder ter feito isso em Barceloni.

Ainda vou descobrir o que procuro.

Créditos foto: Elisa Valero, por Facebook

sábado, 13 de novembro de 2010

sonhana


Ana,
seu sonho comigo re-vela.
Estou com a camisa poída.
Há buracos maiores e menores.
Sim, estou suado e cansado.
Mas insisto em colocar os pés na água, enquanto vejo a mar.
Eu tenho visto muito a mar, Ana.
Não sei exatamente a quanto tempo acompanha meu blog.
Mas se já há muito, sabe que pra mim, é A mar.
Acho mais justo.
E ouso sonhar a mar, ouso olhar a mar, ouso querer a mar,
e
independo do suor, do que é preciso fazer aqui do outro lado do condomínio, da praia, do que é revelado a cada dia e exige a luta diária.
Não estou preocupado com a limitação de quem olha e não vê a mar.
O tempo dessas pessoas vai chegar, mais cedo ou mais tarde, nesta ou em outra vida.
E amargas agruras de quem se arrepende por não ver ante(s) a mar.
Continue sonhando, Ana.
Continue sonhando Ana.
Há na
pessoa
no encanto
no canto
na gente
o de-feito de a-cre-ditar.
Dorme bem. Bons sonhos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Só resta saber se o carro está rápido


Rilo Kiley me olha pelo retrovisor.
Eu, ouço ainda Menina Veneno, enquanto penso no quanto era feliz e não sabia.
A ingenuidade , a ignorância, a falta de informação têm seu viés de valor.
Eu nem sei qual o seu nome, mas nem preciso chamar.
Não sei porque a Menina Veneno tem um jeito sereno de ser. Oblíqua paixão, desespera a emoção.
Minha prima leu pra mim hoje a etimologia de desejo e de emoção.
No desejo, o Caminho de Santiago. Na emoção, você.
Confusão de sentidos, movimento desordenado dos sentidos, dessentidos, talvez, quem sabe?
Ainda ouço os passos na escada mas não vejo a porta abrir, por mais que eu espere.
Ontem, sonhei que duas cobras enrolavam um pescoço. Tirei as duas do pescoço. Uma mordeu a outra.
Será que o mundo é pequeno demais pra nós dois?
Rilo Kiley diz e repete: give a little love.
Vamos ouvir enquanto a Menina Veneno.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Peixe de natal

Ontem me emocionei a ouvir outra história de natal.
Compartilhada assim, com todos que estavam ali, na aula de culinária, foi tempero para as emoções. O que chamou muita atenção foi a imagem do pai da Agnes, nossa professora, chef de cuisine, ganhar um peixe para a ceia de natal e ele ficar na banheira por alguns dias, esperando ser abatido.

Antes, abatia os corações das crianças e adultos que ali moravam, e se comoviam quando chegava o dia de sacrificar o peixe para a ceia.

Peixe de natal. Acho que faz mais sentido.

Foi como quando vi a imagem de um São Francisco de Assis adornada com uma canoa, como se fosse o oratório e à sua volta, ao invés de passarinhos, peixes! Foi uma emoção absurda! Claro, trabalho do escultor Léo Santana. Quem poderia ter tido tanta sentibilidade?

A emoção foi a mesma.

O resto da história de natal não interessa a quem não participou do jantar de ontem, na aula.

O que interessa a todos é: o que vamos fazer deste natal esse ano?
Vamos chorar?
Vamos brigar?
Vamos amar?
Vamos sonhar?
Vamos pensar no natal que vem?
Vamos fazer do hoje nosso natal de amanhã?

Talvez, valha pensar e sentir o natal como nunca antes.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

nOVO


the first entertainment TV from within the cabinet of the world







segunda-feira, 8 de novembro de 2010

haikai da planta baixa





o arquiteto dos sonhos
mede em palavras
o acaso da vida





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

SAMPA BH: amor a caminho

Pingentes de luz sobre nossas cabeças. E uma seleção musical que passava por The Beatles, Led Zeppelin e tinha seu climax, como não podia deixar de ser, na performática, sedutora, transgressora, revolucionária Queen. Tá bom, usei muitos adjetivos. Mas como definir uma banda que tem Bohemian Rhapsody e que inspirou até os geniais The Muppets? (clique!)
Só alguém com a sensibilidade do Arthur, o rei, digo, o noivo retratado acima poderia ter ousado sonhar e dividir seu sonho com seus convidados em seu muito cASAmento.
Sim, eles voaram sobre nossas cabeças.
Aline, vinda do interior, tentou a vida na capital e venceu. Conheceu pessoas, fez amizades, construiu relações, estabeleceu encontros verdadeiros e conheceu Arthur, um roqueiro que trabalha em banco - ou algo do gênero. ;)
Sim, pelo telefone.
Interessante como os meios de comunicação aproximam as pessoas quando seus corações estão abertos, não?!? Recentemente, tive dois exemplos. Um: fui absolutamente mal interpretado em um email. Por quê? Porque o coração do ouvinte (leitor) do email estava fechado para mim, para minhas palavras. Dois: fui amado como poucos me amaram através de um comentário em uma mensagem fechada para mim no facebook. Amor de verdade. Amor cuidado, amor carinho, amor compaixão. Simplesmente.
O primeiro, perto, na mesma cidade e o segundo há uns 450 km de distância. Fico com o segundo.
Longe é um lugar que não existe - diz o livro LINDO de Richard Bach. (vai aí minha dica)
Aline e Arthur sabiam disso. Por isso, diz o bolo da noiva, não importa se estamos juntos ou separados fisicamente. O Amor cuidado, o amor carinho, o amor compaixão, o amor sexo, o amor tesão, o amor admiração sempre encontram caminho. E brindam a todos! Os dois, os convidados para a verdadeira "Ceia do Senhor", os que realmente buscaram neste encontro, o Encontro.
Eu Encontrei com minha nova velha amiga Aline e com meu mais novo velho amigo Arthur (que compartilha a mesma paixão pela música que mais gosto). E posso dizer, os dois estão muito bem, agradecido.
Parabéns, Arthur e Aline! Nós também amamos vocês...

Em tempo: quando eu morrer, coloquem Bohemian Rhapsody bem alto enquanto cremam meu corpo, e brindam com uma cachaça e uma cerveja gelada. (Claro!: e um torresmo!, mas isso nem precisava dizer... quem me conhece vai providenciar.)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sobre tudo e sobre nós, homens e mulheres.

clique:

De um fragmento do filme Na Natureza Selvagem que postei aqui e que não pode ser perdido:

...quero te dizer uma coisa pelo que entendi das coisas que me contou sobre sua família, sua mãe e seu pai;
e sei que teve problemas com a igreja também:
mas existe algo maior que todos podemos apreciar...
e, me parece, você não se importa de chamar isso de Deus.

Mas quando você perdôa... você ama.
E quando ama... a luz de Deus brilha em você.
...

Preciso dizer mais?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Quando a flor fala e diz


Flor que primavera sempre,
brota imaginada,
imagem e nada,
tudo possível,
encantada,
vem cá ver,
pra acreditar...
E a flor me disse, sobre esperar chegar:
"O umbigo da alma bem na sua mão!"
E eu disse pra flor:
"Gosto de dizer você. Você faz bem em minha boca."
E ela:
"Gostaria de ter sido dita assim, desde pequena, desde antes concebida... será que fui?!?
Se não fui, agora vou dizendo, pra ver se eu me lembro, pra ver se a memória criada tem a mesma validade...
Quando eu tiver sem água, me rego de você,
palavrágua.
Quando estiver linda, te enfeito,
buquêu..."

E toda terra página espera texto planta, semente do dentro da gente, que encantobrota, entoa, entorna, proliflora até tomar tudo com seu aroma, arame, aramoroso, aramado, arloveyou.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PertenSente



tempo
tem pó
tem tempo
tem dó

tem sentido
sem ter tido
ou ter sido
escolha

escolhido

contratempo
do tempo
é mó

mói moinho
mói caminho
mói o nó

e só

tempo
tem pó
mas tem tempo
que renova
de esperança
e comprova
infinitudionimante
o Presente a Deus pertence




foto tirada por mim no meio do mato, onde parece não haver nada...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

pequenas notáveis

Bárbara é uma das minhas pequenas notáveis. Graças a ela, coloquei esse adesivo no meu celular. Adesivo de criança, de uma menininha branquela de tudo, com os cabelos pretos de tudo, com uma pinta que é tudo na bochecha segurando dois gatos. Um azul e o outro branco.
Não há palavras que expliquem esse adesivo no celular desse marmanjo aqui. Não há palavras que expliquem muitas coisas. Por isso, se quiser só ver o que está na foto e não ler o texto, tudo bem. A interpretação é da pessoa mesmo... a gente só ouve o que quer ou o que consegue. Da mesma forma a gente só lê o que quer ou o que consegue. Ah... fica só com a imagem de um marmanjo segurando um celular com o adesivo de uma menininha segurando dois gatos. Quem sabe sua interpretação não é favorável, né?!?
Em tempo: estou aguardando outra pequena notável que vai me adesivar dos pés à cabeça.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Versão apresentador:




clique:







segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Minas são muitas mesmo.


Sobre os mineiros do Chile, pensei em postar um pensamento de Shakespeare, não sei se bem ou mal traduzido, já que não tive acesso ao original, que passou uma outra vez aqui:

"Poderia viver recluso em uma casca de noz, e ainda assim, ser rei do espaço infinito."

- acho que foi bem isso mesmo.

Não consigo me imaginar ficar 1 dia, ainda mais 69 dias debaixo da terra. Você já parou pra pensar nisso?!? A grandeza desses homens passa pela necessidade e pelo amor à vida, mas passa também por uma mineração interna. Só cavucando muito bem cavucado o espaço infinito que existe dentro de cada um deles que se consegue achar a força necessária pra resistir, bravamente, ao que cada um deve ter passado ali dentro, confinado em si mesmo.

Eu, que busco garimpar aqui dentro oco, muitas vezes eco, me perco no vazio de mim em busca de outra saída. Às vezes basta sentar numa pedra, chorar um pouco, pedir a Deus e não ligar pros calos vítimas da terra.

Picareta?

Não, nem pá de areia de menino de praia. Melhor não. Lúdico demais pros torrões que encontro muitas vezes.

Não queria, tenho medo de me acostumar com a terra embaixo da minha unha.

Salve!, salve!, mineiros de todas as partes.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Cá.


Ele não obteve resposta. Achou um cartão seu de natal e lembrou de tudo.
Viu todo o carinho em suas palavras e pensou que só o amor é mais forte que a razão.
Lembrou de quando tudo fez sentido, de suas palavras, do que queria dizer e escreveu em letras sofridas em sua caderneta de viagem. Pensou que as coincidências não existem e que nada faz mais sentido que o completamente sem sentido. Sabe que tudo muda, nada perdura, como diz Heráclito, e que o amor verdadeiro transforma, mas não morre. Entende que não há nada mais aconchegante que as noites juntos, já compassadas pelo costume. Pensa que as gargalhadas brincalhonas podem não morrer, e que os sorrisos tímidos têm verdades compartilhadas. Espera que o tempo passe e que não seja eterno enquanto dure, pois a chama interna não depende de oxigênio, só de dois corações que pulsam sangrando. O tempo é remédio das dores. Só espera quem sonha com o tesouro.
Ele, Adam. Ela, Eva. Ele é terno. Ela, cá, minha.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para minha Amiga Cris Vieira

...daí, eu escrevi pra minha amiga:

"Tudo vale a sorte, se a alma permite a morte. Quando não temos medo de perder, é muito fácil arriscar ganhar... mas só se descobre isso quando se entende que se morre um pouco a cada dia, que a morte é a comprovação da vida, seu sumo, depois de espremido..."

Essa foto que adoro, é de Magdebourg, na Alemanha. De quando visitei minha amiga Cris. À época, eu estava treinando pra Maratona de Paris, coisa que fiz, que me deu prazer, que despertou meus sentidos pra novas descobertas e desafios. A Cris aprendeu, sabe. Apesar de eu não ter escrito isso acima pra ela, ela sabe que o que nos movimenta nos mata, um pouquinho a cada dia, e que isso que é bom; gastar um pouco a bateria da vida do que ficar sentado "no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes...", já que assim, não se espera a morte, se espera a vida, que não chega nunca. Só correndo atrás da morte vivemos, só morrendo um pouquinho a cada dia vivemos, só espremendo o sumo da vida sentimos seu sabor agridoce e experimentamos como é treinar e correr uma maratona, andar 850km ao lado de si mesmo, olhar no espelho e ver: não a imagem que queremos, mas a imagem que está lá. Sem o photoshop dos sonhos, sem o véu da ilusão.

Quero morrer o dia de hoje. E, se amanhã vivo, vou querer morrer o dia de amanhã. Afinal, minha querida, bela, profunda e sábia amiga Cris Vieira, todo o dia, quando acordo, eu digo: "Another day in paradise! Eu, vivo, hoje, o meu presente!"

Saudades tantas, Cris.



domingo, 10 de outubro de 2010

madrugada

4:17h.
Acordei 2h.
Estou com insônia até de escrever: calor, frio, preguiça, medo, desânimo, saudade, pernilongo, sede, vontade de fazer xixi, vontade de dormir, vontade de sonhar, vontade de sonhar, vontade de dormir, vontade de sonhar, pensamentos repetitivos, sede, medo, frio, calor, saudade, pernisânimo, vontade de preguiça, vonmir de calixi, sotade de frido, sedade, predo, desôr, , , , , , ,



quando eu amanhecer como o dia, vou raiar o mundo todo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

adendo


"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito - por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia." GS:V pg.290,291

...é que eu não podia deixar de postar isso hoje... até porque, amanhã o dia vai clarear...

Soares de Moura




Minha mãe escolheu que eu usasse o MOURA. Se ela tivesse escolhido seu outro sobrenome, eu seria homônimo do heterônimo de Fernando Pessoa. Essa é uma das coincidências que adoro em minha vida.

"Sê todo em cada coisa". E, quem sabe, mesmo as coincidências lhe indicarão o caminho...

Em tempo: a exposição de Pessoa no Museu da Língua Portuguesa está muito bem feita.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Elas sabem.

do novo amor, do novo sentido
novo explicado sem motivo.
do novo gosto de gostar
e aprender
do sentimento de estar
e se envolver.
da música da gente, moleca, estridente
da cor maturada no embornal





juntos cavalgamos rumo ao pôr do sol
e nos amanhecemos.

vendaval.



energia na crença
mãos dadas na lama
sonhando juntos
elegantes
quem nos chama?
é a vida que vira mais uma esquina.
a causa nobre que nos fez caminhar conduz não só o jeito de olhar
e sentir.

vale a aposta
vale a proposta
vale amar
meus dois amores que chegaram há pouco.
ouso interpretar
e conduzo o gosto:
estão dispostas?
na agridoce existência de talentos envolventes
as meninas comprovam brincantes
sua verve sonhadora
apaixonantementemuito.

sou grato, meu Deus.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

luz e sombra


Lentamente, me dito.
me estou.
me situo.
me vou.
me sinto.
me perdôo.
me loucamente angustiado.
As janelas da alma têm vidros antigos, que centenas de anos vividos, escorrerem um pouco, liquefazendo a paisagem de fora. Como tantas catedrais européias que visitei...
Em todas, mistério, silêncio, orações, dúvidas e algumas lágrimas. Por um motivo ou por outro.
Minha alma é uma catedral?
Devo ver de dentro da alma? Devo dentro pra fora? Devo fora pra dentro? Devora? Deventre?
As profundezas da alma têm um pouco de limo. Lá, onde a luz quase não alcança, escuro do ser, verdades ocultas.
Hoje acordei lanterna. E quero ir dormir farol.

sábado, 25 de setembro de 2010

macacos na janela

Acordei sentidos.
Coloquei uma música que me fez chorar por dentro. De bem, de bom, de belo. Flores que brotam de fora pra dentro. São muitas, muitas mesmo. Passo a mão em todas elas e as sinto balançar, exalando verde, a pureza do toque. Quero um abraço profundo de mim. Quero mais que entendimento, quero compreensão. Quero o mar da esperança que navega macio sem cobrança, dança, me faz delirar: amena presença no mundo. Quero deslocar. Aos poucos, de leve, com os olhos no novo, com os olhos em quem me vê e caminha comigo. Os macacos pulam de uma árvore pra outra sem fazer barulho no nascer do sol no sítio dos meus pais. Os vejo da janela do banheiro enquanto tomo um banho quente. A fumaça sobe e turva o vidro que me quase deixa ver o sol por entre as árvores e os macacos que me vêem desconfiados. Só o barulho da água caindo no box. E das flores se ajeitando dentro de mim, voltando para seus lugares. O café me espera. A mandioca, o pão, minha toalha. Fecho os olhos e tomo um pouco mais de banho. A música pede pra tomar banho comigo. Suspiro e escuto, é hora de terminar o banho e começar o dia.
Como diria Gilberto Gil em uma música que eu aposto que você não conhece:
"Dia, dia, diá! Ê mininê, ê meniná!"...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vivo?

Conceitos que regem o mundo. Idéias que marcam. Marcas. Por que precisamos tanto de idéias, conceitos, enunciados, ordens? "Fidelidade". "Conexão como nenhuma outra". "Presença". "Feito para você". Será que está todo mundo nessa carência existencial toda?
Será que não vamos entender definitivamente a palavra solidão de outra forma?

Sólido. Muito sólido. Solidão.

Sozinhos estamos, sozinhos somos, sozinhamos sempre, iludidos. A experiência do encontro pode ser experimenciada viventidamente na senticitude do limite entre o ser e o estar. Na comunhão com o outro. Mas só.
(nos dois sentidos - no sentido de "apenas" e no sentido do "sozinhamente alone")
Vamos parar com essa coisa besta de aguardarmos os ditames da moda, do mudo, do capitalismindividualistedonistegoístico, se é que você me entende.
É só saber que nossa construção, sólida e somente e solamente, se dá primeiro no encontro com o eu. Se for difícil, olha no espelho. Durante 5 longos minutos.
Depois volta aqui no blog e me conta o que aconteceu.



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Harley Davidson Sportster Iron

O sonho pede passagem. A escolha pede, acolhida.
O manto do dever ser pede licença. E me abraça, irresponsável.
Sim, quero ser, me mostrar sendo, escolhendo, aprendendo a ousar os 50% de chances de erros e acertos de cada diaescolha.
Só isso, bestagem.
Só vontadezinha boba de querer e topar ser livre um pouquinho pra decidir o que se quer, assim assim.
Só poder sentir um pouco mais o vento e sabê-lo Deus, manifestação nas coisas todas.
O momento não pede?
Nunca é tarde pra se fazer o que se quer de verdade... nem o que precisa ser feito.
Acreditar nisso é o primeiro passo pra incorporar definitivamente a atitude.
Afinal, eu sei onde está meu passaporte, como disse num post um pouco abaixo deste...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pensamento que move (se realmente quisermos)

Para algumas pessoas queridas que estão precisando. Inclusive eu.



"Quem só conhece seu lado do caso pouco sabe dele."
John Stuart Mill




sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Talvez haja


Talvez não haja o que ler. Talvez haja.

Sonhei esta noite, durante muito tempo. Depois de 6 semanas sem final de semana, consegui dormir 3 horas na parte da tarde, o que me fez ir dormir mais descansado ontem. Engraçado, parece que quando estamos muito cansados, dependendo do tipo de cansaço, temos um sono intranquilo, o que nos faz ficar mais cansados ainda. Bom, pelo menos é a minha impressão.

Sonhei. Muito. 

Em minha viagem, no sonho, eu havia perdido o meu passaporte. Eu tinha dois documentos que provavam, comprovavam quem eu era, mas a minha sensação de ter perdido a minha identidade me tomava de assalto. 

Curiosamente, eu sabia onde estava o meu passaporte. Meu passaporte, minha identidade, estavam no fundo da mochila que me acompanhou no Caminho de Santiago.

Talvez haja uma interpretação óbvia para este sonho.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quando ouvir faz toda a diferença.


Dis Quand Reviendras-Tu ?


Voilà combien de jours, voilà combien de nuits,
Voilà combien de temps que tu es reparti
Tu m'as dit: "Cette fois, c'est le dernier voyage"
Pour nos cœurs déchirés, c'est le dernier naufrage
Tu m'as dit : Au printemps, je serai de retour
Le printemps, c'est joli pour se parler d'amour
Nous irons voir ensemble les jardins refleuris
Et déambulerons dans les rues de Paris!"

Dis, quand reviendras-tu?
Dis, au moins le sais-tu
Que tout le temps qui passe
Ne se rattrape guère...
Que tout le temps perdu
Ne se rattrape plus!

Le printemps s'est enfui depuis longtemps déjà
Craquent les feuilles mortes, brûlent les feux de bois
À voir Paris si beau en cette fin d'automne
Soudain je m'alanguis, je rêve, je frissonne
Je tangue, je chavire, et comme la rengaine
Je vais, je viens, je vire, je tourne, je me traîne
Ton image me hante, je te parle tout bas
Et j'ai le mal d'amour, et j'ai le mal de toi

REFRAIN
J'ai beau t'aimer encore, j'ai beau t'aimer toujours
J'ai beau n'aimer que toi, j'ai beau t'aimer d'amour

Si tu ne comprends pas qu'il te faut revenir
Je ferai de nous deux mes plus beaux souvenirs
Je reprendrai la route, le monde m'émerveille
J'irai me réchauffer à un autre soleil
Je ne suis pas de ceux qui meurent de chagrin
Je n'ai pas la vertu des femmes de marins

REFRAIN

Veja quantos dias, veja quantas noites

Veja há quanto tempo você partiu

Você me disse: desta vez é a última viagem

Para nossos corações rasgados, é o último naufrágio

Você me disse: na primavera eu estarei de volta

A primavera, é bonita pra se falar de amor

Nós iremos juntos ver os jardins floridos

E vagaremos nas ruas de Paris

Diga, quando você volta?

Diga, pelo menos você sabe quando?

Que todo o tempo que passa

Quase não se agarra

Que todo o tempo perdido

Não se agarra mais

A primavera se foi há muito tempo

Quebram as folhas mortas, queimam as lenhas

A ver Paris tão bela neste fim de outono

Subitamente eu me esvaeço, eu sonho, eu arrepio

Eu vacilo, eu reviro, é como o refrão

Eu vou, eu venho, eu viro, eu giro, eu me arrasto

Tua imagem me assombra, eu te falo baixinho

Eu sofro do mal de amor, eu sofro do mal de ti

refrão

Por mais que eu te ame ainda, por mais que eu te ame sempre

Por mais que eu ame somente a ti, por mais que eu te ame de amor

Se você não compreende que é preciso que você volte

Eu farei de nós dois minhas mais belas lembranças

Eu retomarei a rota, o mundo me encanta

Eu irei me aquecer em um outro sol

Eu não sou daqueles que morrem de tristeza

Eu não tenho a virtude das mulheres de marinheiros

refrão

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pingando


Parte de mim se parte no canto do meu existir.
Dói se tranformo em arte a dor que só faz consumir.
O verbo, no infinitivo, medita passado, medida presente.
Futuro, que incerta escolha, turva o olhar sempre atento.
Lá, lamento do estar. Aqui, minha palavra se muda.
Ouço o som da construção e luta meu bom coração.
Estou tranquilo e só. Gestando, sonhando, Mar Morto.
O vento espera de sacudir as velas.
Mas sei que está.
Quem vai me trazer toalha?


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

res posta

- Bê, qual foi a última vez que você chorou?
me perguntou Brenda, na frente da outra apresentadora da campanha e da maquiadora.
Parei de escrever por um momento e me perguntei sua pergunta. Eu sei a resposta. Mariana, a outra apresentadora, fez algum comentário que não ouvi, Zizi, a maquiadora, replicou outra coisa que também não dei atenção, Brenda emendou algo que também não foi registrado. Eu sei a resposta.
- Já sei! (ela disse pra todo mundo) Semana passada o Bê chorou comigo aqui no corredor, falando sobre o Caminho de Santiago...
Eu sei a resposta.
Ontem, chegando em casa, minha amiga me chamou no skype, ela estava com um choro preso no travesseiro e resolveu deixar o travesseiro resolver o assunto, ele mesmo. Eu sei como é isso, travesseiro.
É difícil explicar o amor, coisa sem explicação. É difícil entender o tempo, rival do amor, medida do pulo da ponte, charada zen-budista. Mas eu sei a resposta.
Tirei os olhos da Brenda e voltei os olhos pro teclado do meu computador. Mesmo sabendo a resposta.
Ontem à noite, tentei dizer pro travesseiro da minha amiga que ajudasse de todas as maneiras, que a abraçasse, que a fizesse chorar, e que ele bebesse seu choro, sal da gente, que precisa sair do nosso mar que transborda em ressaca... Que droga, eu sei a resposta.
Falei pra ela do Vento que não se vê, do olho da gente ventando, do nosso coração que inVenta, Deus em com-provação do muito existir. Pedi a Deus que ventasse seus travesseiros, e que as penas de ganso viessem salvá-la do silêncio da noite, dançando no quarto, envolvendo menina, ninando em carinhos, dando colo, pintando estrelas, tocando caixinha de música, árvore que balança, berço que balança... Afinal, não adianta: eu sei a resposta.
E com tantas respostas indizívies, só me resta a pergunta, cadenciada, quase em silêncio, que o travesseiro se faz:

Chora
quem mora
em Maceió?

Na foto, no Caminho de Santiago, uma lanterna de um peregrino que tentava iluminar seu travesseiro, digo, seu caminho, enquanto ele passava por mim no escuro, no meio da floresta que me fez enxergar minha noite...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Saudades de Paul

Minha caixa de mensagens não tem nada de importante, só lixo digital, comercial sem necessidade, convites para participar daquilo que não preciso.

Pensei duas vezes antes de postar essa foto. Porque não conheço essa menina, não sei seu nome, o nome de sua mãe, não tenho autorização para publicar...

Enquanto a disseminação, propagação, democratização dos multimeios digitais se molda, enquanto todos viramos produtores de conteúdo (seja lá que conteúdo for), caminha em paralelo a perda da ingenuidade, a relativização de uma suposta humanização da comunicação - ou algo do gênero, não sei definir (nominar) ao certo. Será certo não poder postar uma cena sem autorização, se ela traz uma menina linda, ruiva, tomando um sorvete, simplesmente, ao lado de uma fonte na Holanda, em uma cidade cujo nome não me lembro mais, mas que retrata a poesia do encontro, a ingenuidade do sabor de estar vivo, a necessidade de nos compreender ao mesmo tempo presos no passado e participantes do futuro, passageiros do tempo, fatias de gerações?...

A água, perene, não deixa de cair na fonte da Holanda, enquanto essa menininha acorda, vai pra aula, se alimenta, dorme, vive, ri, chora, cresce, e eu aqui, com saudade do tempo, das cartas de papel escritas de próprio punho, do sorriso de tudo, do desgosto de nada, do primeiro beijo, do último bacalhau, do choro incontido, do prazer do cinema de mão dada, da linha de chegada, do barulho dos passos no Caminho de Santiago, do quentume do abraço, da minha mão que se molhou nessa fonte depois de ter visitado o museu do semprinfinito Escher e de ter ouvido em uma igreja protestante um concerto de clarinete, violino e contrabaixo ao lado do meu muito muito muito irmão, pai, filho, amigo Peregrino Paul.

(Só para registrar: hoje é dia 8 de setembro. Há vinte anos eu entrava pela primeira vez no palco do teatro do SESI, na minha estréia artística profissional, num espetáculo cênico-musical de nome Manoel, o audaz. Esse tempo confuso, louco, intenso, também é tempo de comemoração...)

domingo, 5 de setembro de 2010

a única foto que tenho dela


Olho que vê. Dente que dói.

"Quando o cabra tá com dor de dente, ele fica macambujo mesmo, não importa o tamanho do homem..." - disse o Dr. 

Ele sabe, tem uns quarenta anos que mexe com isso de dente. É uma anestesia, esse existir de dor. Olho por olho, se a gente deixar. 

Escrevi o verbo deixar agora e me lembrei: tinha uma menina que eu amava, que vestia uma blusa que se parecia com uma mesa de cantina italiana (não, ela nunca leu esse blog). Ela adorava uma cena de um filme que a menininha virava e dizia: - deixa!, deixa!

Ela achava isso o supra-sumo da doçura, da graça infantil. Essa, que eu conheci, sempre foi diferente das outras. Interessante como as pessoas são sempre diferentes umas das outras. Umas das ostras. Humos das outras. Enfim... são apenas divagações sem sentido, do olho que se deixa levar pela dor de dente que mora no peito, defeito, ar rarefeito de rara feição.

Ainda quero encontrar com ela, sabe? Não, não estou falando da vestida de mesa da cantina que não tem encontro, dos colares de contas que não mais me contam, do amor que mofou no canto do armário. É que meu calcanhar ainda dói como o dente do peito. É que amor sem medida transborda conceitos e a "alma imoral" se joga todos os dias da ponte do desejo...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

lança

Sa Ta Na Ma.
Mantra que, manto, Manjit me ensinou pra me cobrir no Caminho de Santiago.
Ele, mestre de Yoga.
In-cor-porei, de cor, nos poros, em cada grão da minha peleareia, macerada pelas pegadas, pelo Camino. Santo.
Sa-ta-na-ma...
Quão estupefato fiquei, ao descobrir o significado:
Infinito... Vida... Morte... Renascimento...
Muito próprio aos encontros e desencontros de infinita vida, morte e renascimento do Peregrino.
Digo mais dentramente, flormente, árduamente, rioverdadeiramente sobre isso no meu próximo livro.
Ele está 88% acabado.
Quando vou acabar?
Quem disse que ele acaba? Se ele acabasse, não seria um livro sobre o Camino.
Só ainda não sei quando vou lançar...



Obs.: acho que podemos combinar o seguinte... desconto de 50% no lançamento para Peregrinos e seguidores do Blog. Que tal?

domingo, 29 de agosto de 2010

você mesmo


manto de amor.
são onze horas da manhã.
onze horas, onze oras.
ouço os passarinhos todos do mundo, cantando, tantando.
voam em mim, gaiola aberta de sonhos.
lá, resolvi fazer meu ninho.
meu tiquinho.
o sol brilha folhas verdes e ela desdá a mão do namorado.
- nem quero mostrar pra ele que é meu namorado.
vôo pro Rio, vôo prum fio.
ouço a perereca que chia na caixa d'água.
tempo.
o vento balança o ser.
os passarinhos brigam na vasilhinha de alpiste.
e meu peito seca que o sol bate, evapora a poça d'amor.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

esperome


flores que vejo.

jardim de minh'alma.

na esperança, a dansa com s que Gimarães Rosa cultivava.

é espelho, é lago, narciso que bate à porta.

abraço no frio, em pé na calçada, pé lá, pé cá. 

sentimentos confusos que chacoalham o ser muito humano.

cisão, corte.

no espelho do seu olho me vejo, sou eu, sou desejo,

sou rasgo na roupa tirada na pressa de se entregar.

casulo de mim, aguardo.

e tardo na espera do seu caminhar.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

sobre rádio, desejo, medo ou paixão


Falta o Chico nessa foto. Amigo Chico Castilho, pai da linda terapeuta ocupacional que salvou meu ombro. Na foto, Serginho, Murilo Antunes, Brenda Ligia e euzinho.

Gostoso trabalhar com gente competente e atenciosa, com quem se pode confiar. Imagino que seja como o artilheiro que recebe a bola redonda na entrada da área sem marcação. Com essa equipe de rádio tem sido assim: campo bom, grama boa, bola nova. Brenda que me passa redondo, Brenda que espera livre na área. Os técnicos, experientes, cantam a melhor jogada. Os jogadores fazem sua tarefa conforme a direção: é gol. 

Tenho um tesão todo especial por áudio. Trabalho com isso há 19 anos e aprendo sempre. Eu costumava dizer aos meus alunos: pra escolher nosso trabalho, vale pensar se faríamos aquilo mesmo de graça. Daí, se faz com amor. Se faz com tesão. E tudo que a paixão leva, leva bem, na batida do peito da gente, independente do medo que se tem de tentar.

Outro dia, li num livro do Flávio Gikovate que paixão=amor+medo. Concordei com ele. Fiquei pensando quantas vezes eu perdi por não pensar assim, por não ter essa noção da paixão ligada ao amor e medo... O medo nos faz mais atentos. E de certo modo, fico pensando se no nosso trabalho não temos que ser apaixonados, ao invés de sermos apenas amorosos...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Talento e disposição


Texto vivo.
Palavras interpretadas.
Interpretanta coisa juntos que Marianna Martinez e Brenda Ligia se tornam novas amigas queridas. Pro Sempre.
Dominando a técnica, operando os sentidos, a branquinha e a moreninha emprestam seu talento pra campanha de Anastasia e Aécio, em Minas Gerais, nossos candidatos, nossa aposta verdadeira.
Eu assino em baixo.
Não aderi à campanha à toa. Tive a oportunidade de viajar pelo norte de Minas com a equipe do Minas Avança quando fiz uma campanha para o governo do estado e conferi que o que eu dizia era verdade: Minas avançou de fato. Eu vi. Ninguém me contou. Visitei escolas, vi novas ambulâncias, entrei em centros de saúde novos em pleno funcionamento, vi a nova hidrelétrica perto de Araçuaí, conversei com professoras, com alunos que receberam materiais escolares, conversei com caminhoneiros de verdade, rodei (bem) pelas MGs, as estradas estaduais de Minas. Bem cuidadas, ao contrário do que encontramos nas estradas federais...
O governo Aécio-Anastasia fez diferença positivamente, e digo isso, não porque estou acompanhando minhas duas novas amigas na apresentação da campanha, digo porque não só acredito. Digo porque sei. Porque vi. Sou testemunha.
É bom trabalhar pra quem acredita na gente. É bom trabalhar pra quem a gente acredita.
E, claro, poder conhecer duas beldades telentosas, competentes, divertidas e inteligentes faz toda a diferença.
Já parou pra pensar?: só por ter a oportunidade de poder conhecer pessoas novas, incríveis, a cada dia, a vida vale. É ou não é?
Bem-vindas, Mari e Brenda. Já temos boas histórias pra contar.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A ponte da traição


Essa ponte foi um marco na arquitetura em nosso estado, me contou o brincante Adelsin, pai de Ravi, em meu colo na foto.
É assim. Quem leu "A Alma Imoral" sabe. Traição anda de mãos dadas com a Tradição. Palavras conhecidas, próximas, foneticamente, paradoxalmente unidas, ousadamente irmãs.Uma não viveu ao longo da história da humanidade sem a outra.
Foi assim com essa ponte. A traição do costume levou à construção daquilo que nunca tinha sido feito. No norte de minas, na cama do sertão, no rio Jequitinhonha: uma ponte que não era mais de madeira. O mesmo arquiteto que fez os conhecidos e belos arcos da ponte do Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte. Repare na similaridade da técnica. Repare na alegria dos que estão na foto. Repare Ravi, lindo em meus braços na foto. Repare Adelsin, adulto criança que pai na foto e na vida, sabe de si, sabe do sim, sabe das pontes, da tradição e da traição.
Pena que traição seja uma palavra que carrega um lado negativo tão duro, tão cru, tão ruim, tão vasto, tão perdido, tão tão.
Interessante saber que fui comemorar meu aniversário na "ponte da traição".
Para quem se julga ponte na vida, isso faz passar vários pensamentos, sentimentos, pessoas, silêncios, imagens.
Sou grato por ter vivido para carregar Ravi em meu colo, me banhar nas águas de um rio limpo, ao lado do samurai das crianças, o Brincante Adelsin, dono de um trabalho e de um jeito de ser que orgulham São Francisco de Assis, os moradores de Curralinho e as crianças de todo o mundo...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Minha mãe adora Roberto Carlos. E ela tem sua razão.

Como Vai Você
(Antônio Marcos/Mario Marcos)

Como vai você?
Eu preciso saber da sua vida
Peça alguém pra me contar sobre o seu dia
Anoiteceu e eu preciso só saber

Como vai você?
Que já modificou a minha vida
Razão da minha paz já esquecida
Nem sei se gosto mais de mim ou de você

Vem, que a sede de te amar me faz melhor
Eu quero amanhecer ao seu redor
Preciso tanto me fazer feliz

Vem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber
Como vai você

terça-feira, 10 de agosto de 2010

8 do 8




Ganha uma bússula no dia dos pais. Renova-se de esperança e sentidos. Agride os pijamas mal dormidos. Resume-se em casos mal contados. Aguarda uma chance do destino. Compreensão sem desatino. Revive as agruras do passado. Refaz-se caminhante sonhamor. Descobre-se em compasso com o incerto. Revela-se no erro seu acerto. Chora por alternar seu deshumor. Sofre ser pergunta sem resposta. Sabe-se incompreensão e dor. Reflete seu carinho e seu amor. Encara os desafios desmedidos. Batalha coração, que só temor. Mergulha nos em cantos do caminho. Lembra-se do aprendizado dito dado. Quer ligar atender, dizer que ama. Que ainda ama e pula a qualquer ponte. Que viagem, que mar, que sei, que oh! Que vida sem retrato é dor maior. Se planta e se rega, vaso de barro. Espera que o broto frutifique. E sabe que o Deus que rege insiste: só é estado, ser, estando tanto, dito, resumo, pranto, santo, humilde, humano, só, encanto.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Tomás

Mês oito.
Ontem sonhei com uma palavra que me fez medo. Não sabia seu significado. Acordei no meio da noite e fui olhar no dicionário. Atônito, quando descobri, me restou rezar o resto da noite. De manhã, encontrei uma citação de Tomás de Aquino que resolveu minha dor. Sobre a fé:

"Para alguém que tenha fé, nenhuma explicação é necessária.
Para aquele sem fé, nenhuma explicação é possível."
...

sábado, 31 de julho de 2010

reflexões em 31/7

O outro lado do mês, que se inicia dia primeiro, dia do meu aniversário. Seria meu desaniversário? Eu não estaria de parabéns? Eu não ganharia presente? Não seria presente o dia 31 de julho?
Não. Sim, ele está presente. Eu sei. Eu sabia. Eu me lembro. Eu estou. E acredito fé, sabendo os encantos do dia de hoje pra mim, para a memória, para o encontro, para a história.
Ouso sonhar-me atemporal e acreditar no estando, outro tempo, outro Outro. 
o Outro de que - ou de quem? - falava Lacan... Eu queria saber algo sobre isso para fazer esse comentário. Mas só sei que O nada sei (não, isso é uma adaptação minha, não estou citando meu amigo grego). Mesmo sabendo que a tradução pode estar traindo, me traindo todo esse tempo.
***
Não sei exatamente o que dizer sobre hoje, sobre Hoje, sobre on-tem. Tem um cheiro, tem uma pele, tem um manto que continua cobrindo meu ser. Nosso e-star parece t(s)er uma espécie de estrela, não sei de que grandeza, que, cadente, mostrou o caminho a seguir. Talvez, como a estrela cadente mais famosa, vai ser lembrada mais de dois mil anos, nas fururas encarnações de almas, de sonhos, de encantos, de amores. 
Por quê? 
Porque Romeu e Julieta foram mais felizes. E muito muito muito muito muito muito muito muito menos intensos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

vo


fiz-me giz, pinto nos azulejos encantados do mundo.
estou feliz, durmo noites de noite atravessado na cama.
por um triz, me perco em desvios de planos mun-danos.
a hora da estrela atravessa a expectativa do menino que olha para o céu e espera.
sabe que não há letra maiúscula, que não há nada a se impor frente à verdade verdadeira. verdadeira. verdadeira.
amarro a corda da vida no meu pescoço e salto do branco banco precipício da mente.
enfrento meus pensamentos que insistem em pedir pra serem escondidos.
coloco-os para fora. fora, eu digo. fora!
amanheço me e entendo a necessidade de estar presente em minhas coisas todas.
a vida é verbo e verbifico minha existência consciente, aberta à não explicação.
vi-vo.