quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Frost na mochila


"...os alunos, ao final, disseram que meus olhos brilhavam!..."
Foi assim que me descreveu sua experiência, ao sair da palestra que fez essa semana.
Ela é uma pessoa doce, sensível, amável, e forte. Muito forte.
O CARPE DIEM se aplica bem à ela.
Ela sofre, como Robert Frost, por não poder pegar as duas estradas na floresta. Esse texto é lindo*, acho que vocês conhecem.
Como diria ele, "in three words I can sum up everything I've learned about life - It goes on".
É um pouco assim mesmo, minha amiga. Com esses olhos brilhando fazemos as coisas...
Eles brilham de encantamento, pelo envolvimento, pelo dom, pela graça divina. E brilham de tristeza, de lamento por não podermos seguir as duas estradas e ser só um viajante... Enquanto servirem de inspiração, para alunos, poemas, transformações, movimento, vale à pena.
Vale à pena, vale a dor, vale o medo ser livre e escolher a estrada da direita ou da esquerda. E sentir que os olhos brilham tanto ao ver as árvores novas que aparecem no caminho, como de saudade do caminho que não conheceremos...

*traduzido:
"Duas estradas divergiam no bosque amarelo.
E, triste, não pude seguir as duas
e ser só um viajante..."

3 comentários:

Lu disse...

Grande Bê,

Seu texto me lembrou um trecho de um poema da Cecilia Meireles, intitulado "Ou isto ou aquilo".
Diz assim:

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva! (...)

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
(...)
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Também creio que a vida são escolhas: ver o copo meio cheio, ver o copo meio vazio. Vibrar com o entusiasmo do outro, ou não.
Ah, entusiasmo, se lembro bem, etimologicamente, é "ter o fogo sagrado dentro de si", seja no brilho do olhar, ou nas entrelinhas de um texto.

Se nossas escolhas revelam nosso modo de estar-no-mundo (como somos, quem somos), saber que não podemos ter tudo implica assumir que estamos nos construindo, construindo nosso caminho.

Enfim, acho que é por aí.

carolina disse...

Bê,
Seu texto me lembrou um vídeo do Steve Jobs, um belo discurso que fez na Universidade de Stanford.
Ele diz sobre "ligar os pontos", mas confirma que só conseguimos ligá-los ao olharmos para trás, nunca para frente. É como se as escolhas que vamos fazendo ao longo da vida, ou as escolhas que fazem por nós, só fazem sentido depois de algum tempo... ao olharmos para trás.
E ligando os pontos, as coisas fazem sentido...
Assim como vc, ele também encerra dizendo que manter o BRILHO NOS OLHOS é o essencial!

Talvez, então, a pergunta a ser respondida deveria ser: o que vai te dar mais brilho nos olhos?

Outro dia aprendi uma lição para os momentos de indecisão... estava no mosteiro zen budista, e li: "se perguntar a um monge qual caminho seguir, ele dirá: apenas caminhe".

Abraço,

Carol Gama (Amiga da Fefe)


*link do video do Steve Jobs: (parte 1)
http://www.youtube.com/watch?v=C8TERnDJPFk

Bê Sant Anna disse...

Eu achei incrível esse vídeo do Steve Jobs. Você tem razão... e essa resposta do monge, foi a mesma que me deu Santiago, quando fui fazer o Caminho. Obrigado por aparecer, Carol e ser tão gentil.
Lu, você como sempre, arrasando com as respostas!
Bê ijos gratos.