quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Eu vejo você.


Talvez não haja nada a dizer hoje, se não, "eu te vejo". Poderia ser eu te sinto, eu te percebo, eu te estou, eu te tu, etu eu... mas nada que as palavras não traiam os sentidos, sentidos, sentidos.

Estou em casa, olhando pra trás, olhando pra frente. Vejoooaagora e percebo que já é natal.
Em nós, em tudo.
Quero viver na floresta, quero a natureza do ser, quero poder, simplesmente. Naturalmente.

Eu Caminho.

Caminha. Cameu. Caminho.

Peço um tempo apenas. Vou voar ali e já volto.
Tenho que escrever o livro novo, que está dentro fora, no coração e na mente, verdade. São mais de 1.500 fotos, mais de 8 motivos, mais de 8 centos quilômetros... e tudo, no nada escondido atrás da palavra.

Sim. Vou tirar uma espécie de férias do blog. Pra resolver isso. Lá pra segunda quinzena eu estou de volta, eu pouso. Quando inicia minha nova viagem.

Um feliz natal feliz; um novo ano novo.

Eu um, no céu, no mar, no ar, viajando e-levando meu baú de sonhos realizáveis.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Para em tender ao diz curso



"l'anglais c'est la langue pour parler des affaires
le français c'est la langue pour parler d'amour
et l'espagnol c'est la langue pour parler à Dieu."



Tantico de inglês, pouquinho de francês, bocado de espanhol.
Ouso acre-ditar: a palavra, do oral, na língua.

Na ponta da língua.

A boca que beija, que fere, maltrata, nela brota semente,
do discurso, diz o curso, fala fel.

Oramor, orador, que sentimente e trai, se trai, resvala palavra.

A pá da lavra.

Garimpeiro de letras, embrenhado em sufixos, superlativos de nós, que classificam desatinos.

Destinos.

Tino pra continuar seguindo.
Procurando, pró-curando, pro cur ando e pro cor ando...
caminhando, palavrando, desatando. Palavreando.

Ajoelho nas letras, me cubro com frases e aguardo o silêncio:

O tempo é amigo da palavra.
O tempo, palestrante dos sentidos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

D'eus.


Bem, eu não vou fazer apologia a nada.

Eu gosto de natal e pronto. Acho que se for esta a maneira das pessoas ficarem mais sensíveis, uma oportunidade de fazer do encontro uma espécie de marco, já vale.

Bom saber que há o brinde, há a entrega, há o olho no olho, a vontade de ver e celebrar. O poder do rito novamente se faz presente, presente num dia cheio de simbolismo, pra quem acredita no tipo de amor que renova, que faz deslocar, que sem querer nos toma de assalto.

Meu amigo Paul, da Holanda, me disse já faltando uns 150km pra chegar em Santiago que ele estava abismado. Nunca imaginou que um dia diria que Jesus transformou sua vida.

Ele era desses céticos, desses difíceis de dobrar, sabe?

Mas se transformou sem que pudesse prever, por ter encontrado uma energia diferente no amor que vivenciou no Caminho de Santiago. E olha que analisava tudo com a máxima lógica, a máxima métrica, a razão máxima, mesmo ao tratar do Caminho, sua história, sua essência.
Mas Paul não pode com o amor que desloca. O amor que chacoalha e arrebata, o sentimento que é puro por natureza, é verdade inquestionável e faz o ser humano ser mais humano, mais livre, mais integrado a um sentimento de união que não dá pra explicar com palavras.

Meu professor de física do colégio Pitágoras, Ênio, me disse uma frase uma vez, em um curso de filosofísica que fiz no terceiro ano científico, que me marcou para sempre:

- "Eu sei Deus."

Não só entendi na hora, como compreendi na hora. Porque não passa só pela razão. Passa pelo coração saber Deus. Questionar "se eu acredito em Deus" é como questionar se eu acredito no amor que sinto, por exemplo, por minha mãe. Talvez a pergunta seria "você acha que Deus existe?" Mas ninguém me perguntaria "você acha que sua mãe existe?". Quando me perguntam se eu acredito em Deus, entendo que estão me perguntando se eu acho que Deus fala a verdade ou não, se posso acreditar no que Ele me diz. Porque, para mim, não existe sequer a pergunta sobre a Existência ou não. Talvez seja necessário uma espécie de explicação mais profunda sobre essa questão tão simples na minha cabeça. E vou começar, apenas, indicando o Caminho que sigo, e que é estrada de tijolos amarelos.

Pra começar, Deus é Linguagem.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Rotunda branca


E com o brilho no olhar habitual, a menina me contou em tom de confidência o que ele havia dito pra ela, no dia em que se conheceram...:

-Eu já quase te amo!

Fiquei pensando sobre isso. Sobre se, quantas vezes pude dizer eu já quase te amo...

Bem verdade que eu já disse eu te amo.
Poucas vezes. Alguma sem sentir. Outras, deixei de dizer.

Amar é instante. É sempre, é infinito. Como tudo, não morre, transmuta. Para mais e para menos. Para um lado, para outro, para-quedas, para-raio. Pára tudo. Slow motion do existir.

São interessantes, as confissões sem medo, sem sentido, sem pudor. São boas as que representam confiança, entrega. Entregar-se é um ato de amor. Entregar-se é o primeiro ato de amar. Até quando a coxia?, até quando aguardar nos camarins de luz apagada, ao som da platéia que entra no teatro?

Ouso ouvir o segundo sinal, enquanto o lápis de olho é colocado sobre a mesa e o espelho me fita inclemente, dizendo do tempo, da escola, da luta da vida, da sombra e da luz.

- Eu também quase te amo.


*na foto do pula-pula, a brincadeira infantil que não tem tempo nem hora e que me fez lembrar de quem gosta desse brinquedo...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Frost na mochila


"...os alunos, ao final, disseram que meus olhos brilhavam!..."
Foi assim que me descreveu sua experiência, ao sair da palestra que fez essa semana.
Ela é uma pessoa doce, sensível, amável, e forte. Muito forte.
O CARPE DIEM se aplica bem à ela.
Ela sofre, como Robert Frost, por não poder pegar as duas estradas na floresta. Esse texto é lindo*, acho que vocês conhecem.
Como diria ele, "in three words I can sum up everything I've learned about life - It goes on".
É um pouco assim mesmo, minha amiga. Com esses olhos brilhando fazemos as coisas...
Eles brilham de encantamento, pelo envolvimento, pelo dom, pela graça divina. E brilham de tristeza, de lamento por não podermos seguir as duas estradas e ser só um viajante... Enquanto servirem de inspiração, para alunos, poemas, transformações, movimento, vale à pena.
Vale à pena, vale a dor, vale o medo ser livre e escolher a estrada da direita ou da esquerda. E sentir que os olhos brilham tanto ao ver as árvores novas que aparecem no caminho, como de saudade do caminho que não conheceremos...

*traduzido:
"Duas estradas divergiam no bosque amarelo.
E, triste, não pude seguir as duas
e ser só um viajante..."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Enquanto digo sim


Sim, chegou dezembro.

E com ele a sensação de já acabou, de agora temos que esperar pro ano novo começar.

Mas e o presente? E se hoje for o último dia da minha vida? Quando falei com minha prima sobre acordar todo dia e dizer: "Eu vivo hoje o meu presente", tentei falar um pouco da necessidade que tenho agora de agora. De ver o novo hoje como presente, mas presente mesmo, gift, dádiva, bênção, espécie de regalo de Deus. Pra quê ficar esperando um mês pra ser feliz, pra dizer "eu te amo", pra dizer "putz!, foi mal, mas não vai rolar", "obrigado", "desculpa", "me dá um aumento", "estou farto disto", "estou de saco cheio daquilo", "sinto muito"...

Espere a morte do dia, espere a morte da semana, espere a morte do mês. Quem sabe assim, você não aprende a esperar outra morte?

Ou apenas aprenda a dizer "não" pra espera, "sim" para o movimento, "vamos!" para a vida.

- Vamos!?!

*na foto, uma flor que conheci ao dizer "sim" para um domingo.