quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Para Gabriela


O amor é.
Pedra de gelo, o meu sonho.
Balde de prata?

Talvez isso ajude a minha irmã. Talvez não. Explicar poesia é como contar o fim da piada. Como diria de um jeito poético Rubem Alves, a gente não explica uma árvore. A gente se deita à sua sombra.
Minha irmã não entendeu nada desse "haikai tratado". E, por mais que eu dissesse à ela que não é pra entender, é pra ler e sentir o que rola, isso não a convenceu.
Tudo bem. É assim que as coisas são.
A experimentação do Haikai sem pontuação torna mais aberta a interpretação para o ousado, enquanto afroxa o gosto do reto de espírito.
Meu espírito é como minha tatuagem. Como a capa do meu livroCD que está aí na gravura no alto deste blog. Uma trama de oitos. Só que esta trama é um pouquinho diferente...
Meu espírito ganhou novos planos no Caminho de Santiago. E agora experimenta novos sentidos, novas emoções, circula, vagueia, s0be em espiral e transcende em amor e alegria.
O amor é, Gabriela.
Essa é uma das chaves para se entender poesia, esta poesia, a vida da poesia, a poesia da vida.
O meu sonho sim, é pedra de gelo. Não me importo se derrete. A vida derrete sob nossos olhos. O mistério da vida é também morrer a cada dia, tornando o sopro que ainda resta mais vivo, mais vida, mais essencial. Se o futuro é uma ilusão e o passado apenas um livro de fotos, que se abraça de olhos apertados ou se joga fora no entulho do tempo, só nos resta a dádiva do presente, a pedra de gelo que gela, que sai fumaça, que produz arrepio, que não se pode segurar, engaiolar, conter... Existiria mesmo um balde pra isso, Gabriela? E, sigo pensando(?): até quando nossa ilusão vai se ater na prata do balde, se nem balde pra isso me parece haver...
Vou continuar caminhando. Alegre, feliz, amando, gelado, quente, sonhando.
Quem quer caminhar comigo? Você, Gabriela?

6 comentários:

Rachel Murta disse...

Não sei por que, mas me lembrei de: "uma lata existe para conter algo, mas, quando o poeta diz: lata, pode estar querendo dizer o incontível". O balde, a prata, o gelo, o amor, aquilo que contém, aquilo que é contido. No final das contas, o que se leva da vida não cabe necessariamente em lugar algum.

Bê Sant Anna disse...

Que delícia de comentário, Rachel Murta!
Obrigado por vir. Sinta-se em casa.

Renata disse...

"O que importa o sentido se tudo vibra?"
O amor é, Gabriela.

Anônimo disse...

Muito interessante...
Para mim:
O amor para você é a pedra de gelo.
E o seu sonho , o balde de prata.
Entende?

Ana

Anônimo disse...

Agora eu entendi. :) eeeeeeeeeeeeeee
Mas penso que o gelo vira água, evapora, chove e pode virar gelo de novo. Para virar gelo, precisa de uma forma, que pode ser um balde e não é fluido como o seu oito. Fico zonza com isso tudo porque é abstrato demais. De qualquer forma corcordo e acredito que o amor é. E pronto. Beijos, Gabriela.

Lu disse...

Gabi e Bê:

Ying-Yang na Roda Gigante da Vida.

Contradição
Contra dicção
Com tradição
Contra diz são
Contradiz são.

Irmã(o) é bênção
Traz o Dois pro Um.

(Somos uns, nos tornamos outros).