sexta-feira, 31 de julho de 2009

noitô


Flávia já havia me advertido.
Preciso aprender e apreender dizer não.
Quantos rumos, tantos caminhos. Vivo sonhos impossíveis cheio das verdades que só existem aqui dentro. E sofro. Resolvo resolver. E sofro. Quando a escolha antecipa o sujeito e anula o eu, não há escolha, há saída. Caminhos revoltos, folhas que caem quando passo em câmera lenta. As árvores balançam, mas não sinto o vento. Estou ali longe, noutro lugar distante de mim, do eu, do ser, do estar, do permanecer, do ficar. Caixinha de fósforo com um besouro dentro. Mariposa na lâmpada que escuta o rádio valvulado. Luz amarela. Cheiro de café.
E destôo de mim na noite que não cessa, não atravessa, não tarda, não falha.


imagem em:http://media.photobucket.com/image/barulhos%20noturnos/joaobbbb/Belem/S2020057.jpg

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Se



Se

onipotento
oniconsigo?
re-velando, tudo, multiplurestandoencantado.






imagem em:http://www.guiapetecia.com.br/admin/novo/Racas/Guia-Pet-bbecf4fb24

terça-feira, 28 de julho de 2009

ssssilêncio...


No mundo da palavra, no mundo imagético em que vivemos, o over tá presente. É tudo demais, é tudo muito, é tudo tanto. O capitalismo incita, a gente aceita. E quando quem dá as regras são os norte-americanos (pelo visto, por enquanto...), aí o negócio engrossa. É como aquele programa que eu acho ridículo: extreme makeover, reconstrução total. Tá, é legal fazer casa pra quem tá precisando. Mas eles tem que fazer A melhor, A maior, A mais bonita, A isso, A aquilo. Eles deviam mandar fazer um monte de "As" pra pregar nas testas deles... - porque não tô querendo ser radical hoje, eu teria dito algo bem mais grosso. O que conta é o conto de fadas ao extremo, hiperrealista, não a finalidade usada como desculpa. Se não, podiam fazer um programa aqui no Brasil, no nordeste, na Somália, sei lá onde... Mas o bom é ficar um monte de retardado que quer aparecer na televisão gritando desvairadamente enquanto os mais mais se exaltam e curtem o gozo. Aliás, eu não tenho nada que ver com isso. Eu mudo de canal, que não aguento esse excesso específico... O Luciano Hulk faz isso muito bem, sem deixar que o artifício, a forma, o próprio dispositivo suprima o conceito. Fica bom de ver.
Mas o que fez me lembrar isso foi o fato de gritarem quando deveriam sussurrar - já que estariam teóricamente falando de um ato de carinho, de amor, de ajuda ao próximo... E olha que estou malhando mesmo sendo publicitário, um comunicador que estuda as estratégias tantas de manipulação do dispositivo midiático...
Na verdade foi por isso que me lembrei: a Branca escreveu um post lindo no seu blog esses dias, que se chama Perto Longe (deve ter se lembrado do meu, com o mesmo título, de abril). Dizendo ela da necessidade que acabamos tendo em gritar com o outro, quando estamos aborrecidos ou irritados. E que quando estamos juntos por algum tipo de amor, acabamos por sussurrar um com o outro. Acho linda essa imagem que ela pintou no blog dos corações distantes gritando um pro outro e dos corações pertinho sussurrando... Acho que temos que tentar silenciar (diferente de calar) nossos corações. Talvez seja quando eles se tornam um...
No silêncio se encontra o maior mistério da comunicação.

imagem em: http://l.yimg.com/l/tv/us/img/site/07/02/0000050702_20080806173105.jpg

sábado, 25 de julho de 2009

Máquina do Tempo






Quem disse que não há?

O Minas Tênis Clube tem o cheiro do meu avô.

Entro pela portaria de baixo e, toda vez, tenho a impressão que vou encontrar uma piscininha de criança do meu lado esquerdo. Agora a piscina de criança e os brinquedos ficam do lado direito. Mas a construção onde fica o imponente Relógio do Minas - tem que ser com letra maiúscula - permanece. E me transporta ao princípio da década de 80, quando minha mãe parava o carro na frente da portaria da rua da Bahia e pedia:

- Meu filho, vai lá buscar o vovô.

Foram poucas vezes. Mas era interessante entrar no restaurante, chegar até aquela mesa cheia de velhos (na minha cabeça, à época) e chamá-lo, sem nunca deixar de ser apresentado por ele aos seus colegas de copo, sócios também remidos, senhores de outra época, cavalheiros como os que existiam na época em que o cavalheirismo era coisa de homem com agá.

- Ô, bacanão! - dizia meu avô toda vez que encontrava um neto.

Eu tinha medo dele. Na vedade, tinha também ciúmes.

Eu era um neto qualquer, o sexto neto homem da família. Já não representava nada exatamente novo ou interessante ter um neto pra ele quando eu nasci. E meu pai era cruzeirense, o que o deixava mais desconfortável com a situação: ele, tendo sido presidente do Clube Atlético Mineiro. Por mais que eu tenha me descoberto atleticano, isso já não fazia exatamente diferença na cabeça daquele ex delegado da polícia civil, que cuidava de carimbar os passaportes e resolver soluções às vezes nada ortodoxas para os da tradicional família mineira.
Uma coisa era desagradável. Ele sempre se levantava da mesa, e pra continuar equilibrado, depois dos copos extra, segurava com aquela mão de delegado em nossos pescocinhos finos de menino - onde dava a altura ideal pra seu equilíbrio - fazendo a gente praticamente sufocar, ficar com marcas de dedos como colar, muletas infantis com sonhos de criança.
...
Essa semana recebi do Primo um email com um link ótimo. Muitas dezenas de capas da Playboy de 1997 pra cá. É só clicar nelas que as internas das revistas respectivas aparecem em tamanho ideal. Nos fundos da garagem da rua São Paulo, 1883, onde hoje há uma Casa Maia, se encontrava sentado meu avô, olhando os transeuntes, escutando rádio, sempre com um queijo canastra picado e temperado numa vasilhinha branca de cerâmica e uma Brahma gelada (era a que ele tomava), e um copo ao lado. Ele se sentava em uma almofada verde. Por baixo da almofada, escondido dos netos, a última revista playboy que tinha saído nas bancas. Era o tempo de 2 cervejas: ele se levantava pra fazer xixi e um dos netos passava lá, pegava a revista e deixava a almofada no mesmo lugar. Íamos pro Quartão, o quarto de cima da casa que dava pra uma varandinha, onde se via a rua São Paulo, e revelávamos o erótico que havia em nós, pela descoberta de menino do proibido, do que ainda não conhecíamos... Depois da farra, era só esperá-lo ir novamente ao banheiro fazer xixi e voltar com a revista pra mesma posição...
Ainda hoje temos certeza absoluta que ele nada percebia.

Aham... ;)

Acho que era a educação sexual possível que o vovô Hélio Soares de Moura nos dava nos idos de oitenta...

O email teve o mesmo mágico transporte que a máquina do tempo do Minas Um.

O título do email do Primo? "Salve, salve, Dr. Hélio..."

sexta-feira, 24 de julho de 2009

à poetisa preguiçosa


à poetisa preguiçosa

Se se põe a ser poema,
sol poente, amanhã.
Que hoje descubra a trema
do universo, anciã.

Mesmo modelos melífluos
tem sua pungente pulsão.
Só se ultrapassa o venífluo
se for suspensa a razão.

Por isso, finque a bandeira,
do status, apodere;
nem que o espelho queira
lhe mostrar o que lhe fere...

Em compassada passada
rumo ao saber sem limite,
tomada sua estrada,
não titubeie, grite!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Caleidoscópio


Ganhei um caleidoscópio.

Quem me deu não sabe o que significa.

Somos imagens. Cacos coloridos que, juntos, reconfiguram o ser. O não ser. Desenham o estar.
Dependemos da luz que incide em nós, que atravessam nossas falhas, que fazem entoar nossas cores tantas, que refletem o brilho intenso-intrínseco que trazemos.

Mas ainda assim, somos cacos.

Também dependemos do outro, que nos viram de ponta-cabeça, nos moldam, nos comandam, nos sacodem, nos atrapalham, nos ordenam. Quantas vezes somos orientados por eles? O princípio da alteridade nos faz vítimas dos desejos alheios, muitas vezes.

E o olhar...

É no olhar do outro que nos tornamos, independentes de sermos.

Ser e tornar. A questão do movimento novamente presente.

Movimente o olhar sobre o outro. Movifalaverdade e diga o que acha dele.

O outro também é só cacos. Mas no jogo impossível do querer, caleidoscópiosesseguram, se rodam-rodeiam, se sacodem, se colocam ao sol, na luz brilhante do desejo e se misturam
catando cacos, contando sonhos, chocando versos, travando cores, brincando formas...

Pingentes nós, humanos, que cacos somos, uns de vidro, outros de plástico, tantos de acrílico e encontramos quem nos veja beleza, quem nos sinta arte, quem nos conduza parte e encontre, nos restos, inteiros na capacidade infinita de amar.

imagem em: http://myjcts.files.wordpress.com/2008/11/jct-a026.jpg

segunda-feira, 20 de julho de 2009

De teste?


Tenho acordado volta e meia às 5 da manhã. 

Tá variando. Essa semana mesmo acordei 4:20h. Fico puto com essa minha falta de controle.
Tenho estado tenso, ansioso, em busca, demais... Em busca de mais. Talvez por isso tenha me tomado de assalto essa idéia de fazer o Caminho de Santiago com meu amigo de colégio.

Sabe quando deitamos na cama e o sono é superficial? Parece que não dormimos profundamente? Eu acordo a cada 15 minutos, parece. Como se alguém fosse entrar no quarto, como se alguém fosse me chamar, como se eu tivesse esquecendo alguma coisa. Credo. Acho que isso é saudade de dormir de conchinha.

Detesto abrir a geladeira só pra ver o que tem lá dentro (mesmo sabendo que tudo que está lá dentro fui eu quem colocou...). Detesto essa mania de não saber esperar. Detesto deixar os outros esperando porque detesto esperar. Detesto injustiça. 

Detesto o fato de detestar alguma coisa. Acho que tenho que estudar esta palavra: "detestar".
"De testar"... hum... pistas...

Detesto não saber como começar nem como terminar um texto neste blog... E detesto usar a palavra blog sem saber nem o que significa ou de onde vem isso. Saco. 

Já viu, né? Hoje estou de mau humor...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Claras Passadas


Eles se conheceram assim.
Correndo.
E ouviram a música que corre em suas veias.
Ele, um iniciante nas corridas, ela, uma veterana.
Ele decidiu fazer uma maratona. E pediu a ela que o encontrasse no km 30.
Ela, sonhadora, amorosa, entendeu que aquela corrida era a alegoria de sua vida, o exemplo de seu sonho, o desenho de seu coração, a imagem dos seus desejos mais profundos.
E fez isso: no km 30, ela estava lá.
Ele achava que estava em ótima forma.
Ela achava que ele já estava delirando.
Na verdade era ela que o movia.
O combustível, o amor, a cada passo, a cada verso,  pulmão cheio.
Inspiração.
Era ela, passo a passo, noite e dia, razão e emoção, vida e morte, compreensão.
Era ela, resultado, desafio, união, paradigma, noção.
Era ela, só podia ser ela.
Foi quando seu coração deu o grito.
E do fundo, bem do fundo do ser, do não ser, do indizível, ele disse, simplesmente: quer casar comigo? - foi no km 32.
Ela ainda achou que ele estava delirando...
Mas a adrenalina passou.
A linha de chegada passou.
E os dois entenderam que nada, NADA tinha sentido se não fosse correndo juntos, se não fosse caminhando juntos, se não fosse com passadas, compassados, de mãos dadas.
E daquele dia em diante, decidiram que seria assim. Os dois, os uns, o ums. Passo a passo. Um, o outro, os dois. O dois.
Ela, clara, como luz. Ele, conduz à paz.
E eu, daqui olhando, querendo descobrir se aprendo alguma coisa...

Eu, Caminho.


Tudo indica que em setembro começa outra grande viagem.

Aliás, eu tenho uma coisa com setembro.

Minha estréia profissional nos palcos, foi no musical "Manoel, o audaz" em setembro de 1990. De lá pra cá, muitos setembros vieram, como diz a música: "Quando entrar setembro..." e, normalmente, me trazem coisas importantes.

Dessa vez, a viagem vai ser outra. 

Ramiro Maia, meu amigo desde a oitava série do Colégio Pitágoras, com quem eu passei o reveillon este ano, me chamou pra uma viagem para o exterior para o interior.

O conhecido Caminho de Santiago de Compostela vai abrigar, nos seus 800km, esses dois perdidos, esses dois empolgados, esses dois colegas de colégio e de sonhos, que insistem em brincar, com mais de 30 e uns anos de idade...

Para quê a vida? Para quê o sonho? Para quê tanta energia dispensada? Se se quer viver, simplesmente?

Este rito considerado um "rito de desapego", o de fazer o caminho, pode trazer muito mais que respostas.

Espero que me traga as perguntas certas...

Como diria Drummond, "vamos de mãos dadas". E sairemos dessa, com certeza, melhor do que entramos. Independentemente do caminho, do que encontrarmos, do que não encontrarmos, do objetivo, alcançado ou não.

Somos nós. E exerceremos a liberdade de sermos em toda sua plenitude de escolhas rumo ao SALdável, ao bem, ao bom e ao belo.

Que venha O Caminho.

E, em breve, o diário de SUAS peripécias. 

domingo, 12 de julho de 2009

O banquete da Nana





Tiradentes, jantar do dia 11 para o dia 12 de julho deste mesmíssimo ano.

Foi como encontrar com vovó Lygia.

O aniversário da minha tia foi um retrato que se pega de surpresa na gaveta, e revela, inesperadamente, a constatação de se ter vivido intensamente...

Naninha é assim. Sempre sorrisos, sempre atenta, sempre Sempre. Ela, como poucos, sabe o que é viver. O que é sobreviver. Sabe sobre viver.

E sobre: vive assim, a nos ensinar, procurando no gesto, na palavra, o texto único que a faz uma professora das antigas, alguém disposta à troca. Delicadezas nem sempre percebidas: um recorte de anúncios de jornal pra comentar comigo, a curtição de uma tarde de convívio com as irmãs, uma indignação com as coisas pequenas das pessoas com hábitos pequenos.

Naninha sacode a gente.

Brava, dócil, tem o sorriso no olhar. E tem o jeito de olhar no próprio sorriso... Doida com o neto mais velho da minha avó, terna com seu neto mais novo. Ontem, quando sua neta mais velha a abraçou em uma hora qualquer, durante o jantar, ela disse:

- Eu te amo, Mariana!

E foi de um jeito tão pungente, que foi como se eu ouvisse: - Mariana, escuta o que eu estou te dizendo, minha filha, porque quando eu digo que amo, eu sei o que é o amor. Amor de verdade...

Foi lindo.

Eu sei que sua neta escutou. Mas um dia ela vai ouvir. Tudo.

Uma delícia ter toda sua família ao seu lado. Este ano, seu marido, meu tio Barros, ficou encantado, como diria Rubem Alves. Mas a cada momento sentíamos sua presença neste final de semana especialíssimo. Com muita honra, me sentei ao lado da minha tia no seu jantar. E foi o melhor presente que ela, aniversariante, podia ter me dado. 

Sabe? É bom saber que tem um pedaço do meu tio em cada um de seus filhos. É bom saber que tem um pedaço da minha tia em cada um de seus filhos. 

É por isso que quando eles se juntam damos o nome de ENCONTRO.

Parabéns, Nana. E obrigado por mais esse encontro...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Paradoxo do Amor




tudo mais abstrato 
nada mais palpável

tudo mais abstrato
tudo mais palpável

nada mais abstrato 
tudo mais palpável

nada mais abstrato
nada mais palpável



quarta-feira, 8 de julho de 2009

A___________b___________________ISMO



Sou página em branco,
lutoalegria,
desejo de som,
- silêncio!:

panela vazia.

Manteiga no sol,
tempero do amor,
reflexo da dor,
- ciume!:

sou só.
Nostalgia.

Recibo de mim;
espelho no escuro;
sou duro.

Afoito e sem ar.

Sou pedra, sou cedro,
um dízimo ínfimo...
Me ame assim, borboleta do mar.

Mingau sem sal
que queima na língua
e racha os lábios
de cor-te sabor.

Apaga o amarelo,
me traz o vermeho,
enche o balde,
transborda a lata
e escuta meu grito:

- agonia.

Sou todo todo, sou todo todo.
Sou todotodo, sou todotodo.

Tudo, todo e todo tudo.
Me perdoa...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Barato Total



Acordei 5:27h. O relógio estava marcado pra 5:30h.

Me recordei da fase, quando tinha acabado de separar, quando eu aceitava até batizados, programas possíveis pra quem não quer ficar só, não quer pensar muito nas coisas, outras, todas, enfim.

Meio confuso, me levantei, peguei a roupa de corrida que eu tinha separado na noite anterior. Dormi cedo e não sonhei.

Tomei um iogurte, comi uma banana, comi uma maçã. Coloquei um boné pra pentear o cabelo e lá estou eu na garagem de casa, a coruja a se perguntar: que diabos esse desinfeliz está fazendo aqui a esta hora?!?

Acendi o farol, saí da garagem e fui ter com a noite, com a lua, com o dia quase amanhecendo.
Subi pro Belvedere vendo a lua cheia, no horizonte, no céu preto azul, moldura de sonhos esperados dos românticos de plantão.

Senti frio ao descer do carro, alonguei, e lá estava eu, a pesquisar o entusiasmo contagiante da minha amiga que faz da corrida sua religião, seu ar, sua água. Ela não viu que a entreguei uma flor imaginária em homenagem ao seu aniversário. Ela estava muito feliz. “Quando a gente está contente, tanto faz o quente, tanto faz o frio, tanto faz”, já dizia o Gil.

Chegaram mais uns tarados e fomos, 5 indivisíveis, 5 amantes, 5 peregrinos contemporâneos, 5 passoas comuns.

A lua queijava inteira, nossas passadas. O clarão do dia princi-piava o passarinho. Ventava dentro e fora e Deus amanheceu a gente, no dia sete de julho de 2009.

São dez horas da manhã e parece que já vivi muito hoje.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Pureza da Renata


Fiquei com o post da Renata Feldman na cabeça.


Na verdade o post não me bateu tanto. O que me bateu foi o desafio: 

"E você? Qual foi (ou ainda será, de acordo com o que você sonha) a maior emoção da sua vida?"
Lá eu coloquei algumas coisas que me vieram na hora que li:
  • o dia do meu casamento
  • estar ao lado da minha avó quando ela faleceu
  • o lançamento do meu livroCD
  • o casamento do meu melhor amigo
  • quando minha mãe sofreu um enfarto
  • algumas noites específicas de amor ardente (eu disse amor)
  • uma decepção terrível com uma pessoa extremamente próxima
Ou seja, algumas coisas que me vieram prontamente. Não necessariamente na ordem da menor pra maior emoção ou o contrário. Pensei em coisas que me sacudiram internamente.
Agora mesmo quando escrevo este post, lembro de outras tantas:
  • o dia em que desembarquei em Madrid pela primeira vez, na minha primeira viagem ao exterior
  • quando levei de volta pra Catedral de Toledo a aliança que havia comprado lá há 11 anos
  • quando soltei pipa com meu pai em Brasília
  • quando passei no Vestibular (tinha isso na minha época)
  • um beijo esperado numa escada de um prédio
  • a visão de uma menina vindo andando no corredor da PUC
  • um certo sorriso que me deixou embaraçado
  • a visão de uma mulher dormindo ao lado
  • um tombo de bicicleta
  • um atropelamento de bicicleta
  • ...
O curioso foi que reli o desafio da Renata e reparei posteriormente no aposto que ela colocou entre parênteses: "de acordo com o que você sonha". Veja só...

Ou a Rê é pura demais, pra dizer que as maiores emoções da nossa vida são sempre coisas boas, coisas "que você sonha"; ou eu que sou cru demais pra pensar que as maiores emoções são as fortes, boas ou ruins, sonhos e pesadelos... De qualquer forma, coloquei aí o que já aconteceu. 

Não o que imagino que está por vir e me deixar boquiaberto.
Que venham os sonhos, né? 
(e são tantos...)

domingo, 5 de julho de 2009

GPSoS



11,52 km.
1:05:15h.
Fiz uma montagem pra ficar mais fácil identificar o percurso, pra quem tiver curiosidade e clicar na imagem acima.

É interessante como o coração da gente bate forte, cadenciado, ritmando as passadas, ouvindo as músicas, sentindo o percurso. 24 km neste fim de semana, mas uns vinte minutos de natação, uns 1.000 metros... Tudo pra tentar compensar os excessos.

Muitas garrafas de cerveja, um chapéu pra criar um clima, uma camisa polo com um jacarezinho pra brindar o aniversário, bombons de fruta de uma caixa dada pelo dono, amigo do bar. Não comi nenhum bombom. Torresmo, sanduba de filé com ovo, cebola, tomate e queijo. Um pastel. Isso eu comi. 

Alguns amigos. Tinha muita gente que eu queria que estivesse ali.

Curioso que o ato falho se extende pelo texto. Quando escrevi a frase que veio antes da anterior a essa, coloquei: "tinha muita gente que eu queria que estivesse ela". Notou o "ela" no lugar do "ali"? Mas eu mudei pra postar o "correto": "ali".

Será que era ela que eu queria que estivesse ali?, no lugar daquele tanto de gente?
Quem será que é a ela que me veio? Ou que não me veio?

O chato é que dia 30, um dia antes do meu aniversário, um outro ato falho surgiu, paradoxalmente a este último.
Fui citar o ditado e disse:
"Um é bom, dois é pouco, três é demais..." 

Assim fica mesmo difícil do coração correr atrás... Ou seria na frente?


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Crises


Boteco com a Cris. Fui cavalheirescamente pegá-la em casa. 
Cris descendo a escada do prédio, na parte externa da habitação e, de dentro da janela do primeiro andar, se ouvia:

- Tcha-au!

E a Cris, também falantando:

-Te-a-mo!

E ele:

-Te-a-mo!

Ela:

-Tcha-au!

Ele: 

- Te-a-mo!

Uma coisa! Daí, me pareceu que a blogueira não foi tão feliz no "hoje vou assim" (http://hojevouassim.blogspot.com/), justamente quando foi sair com seu amigo aqui. Eu disse a ela: 

-Pô, Cris, tem certeza? Não vai sentir frio?

E ela:

- Hum... ah, deixa pra lá, ele vai ficar mais excitado se eu voltar pra pegar uma blusa de frio...

Putz!, pensei: Mãe. E ponto. 
Já hoje cedo, outra Cris me conta: 

- Vovô, neném patel!  Neném patel, vovô... ("pastel", ele queria dizer)

Uma coisa! Imagino que tão deliciosa quanto a cena que presenciei. 
Uma, Cris. A outra, Cris. Duas Crises, duas mães. Apaixonadamente de olhos brilhando por seus picurruchos rebentos. E o mais doido: pergunta minha mãe sobre mim (36) ou sobre minha irmã (31). Aposto um rim, que os olhinhos vão brilhar feito outra crisenta, amorosa, orgulhosa...
Como amor de mãe não há. Com amor de mãe, ninguém pode.
Ternamente. Eternamente.

foto em:
http://fotocache02.stormap.sapo.pt/fotostore02/fotos//20/bc/50/18439_0006dkpc.jpg