terça-feira, 30 de junho de 2009

Presentencontro


Pode ser que eu corra, pode ser que eu ande.

Somos assim, movidos por pequenas coisas, movidos por grandes coisas. Sentimentos simples, complexos, sentidos, direções que nos tomam por completo e definem estados de espírito,  caminhadas, rumos, caminhos. 

Ganhei um ipod novo. Me dei de aniversário. 16 giga. Seja lá o que isso signifique. Estou em Brasília, na capital do horizonte. Onde se vê o horizonte amplo. O significado do horizonte aqui na capital do nosso país é uma coisa que me bate fundo. Mesmo. Tenho a impressão que respiro melhor daqui. Não fico sufocado pelas montanhas de Minas.

Aqui recebo as influências da minha primeira infância, quando eu era o Batman, no carnaval de 76 ou 77, e o meu futuro melhor-amigo era o Super-homem. Foi quando começou uma amizade sem fim.

Minha ex-mulher não entendia bem como a gente podia ficar às vezes quase um ano sem se ver e quando, ao encontrar, ficávamos em silêncio, um ao lado do outro e só. Sem necessariamente ter que trocar informações, novidades, quereres, expectativas, sonhos, frustrações. Sentimos bem na presença um do outro. E isso nos bastou sempre. É claro, são muitas histórias, muitas chapações, algumas namoradas em comum, gostos compartilhados, N filmes, N músicas, N casos. Futebol, filmes feitos em VHS na pré-adolescência, confissões de paixões, medos, angústias.

Passo muitos aniversários meus ao lado dele, e de suaminha família. Passo (ou tento passar) todos os aniversarios dele ao seu lado. É mais um ano de amizade, é mais um ano de vida.

Torcemos um pelo outro.

Um dia, liguei pra ele seis e meia da manhã. Estava esperando desde 5 horas pra ligar... Quando ele atendeu eu disse: 
- Bitcho, esperei o máximo que pude, mas não consegui esperar mais pra te ligar. Vou pedir minha namorada em casamento. Vem pra Belo Horizonte, não sei se consigo fazer isso sem você. 
E ele:
- Sério mesmo?
Eu disse:
- Sério.
Às 11 da manhã liguei de novo:
- Bitcho, não compra a passagem não. Pensei melhor. Acho que vou esperar um pouco mais. 
Foi sempre assim...

Ele, sua linda esposa e suaminha família me deram um GPS de aniversário este ano. Um presente in-crí-vel

Todos eles sempre quiseram que me encontrar.
Todos eles sempre quiseram que eu me encontrasse.

Agora piso forte e certo pelas ruas da minha Brasília enquanto corro, olhar ao longe, ouvindo novas músicas, pensando novo, sonhando novo. Vejo o pôr-do-sol e sei que a noite vem. E com ela, a poesia.

Meu melhor amigo tinha que ser cardiologista.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Peter Panis et Circensis


Michael Jackson é um Ulisses que não retornou da Odisséia.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cicieira



cicieira
fadado vento 

passa ventando

buscatravessaenvouvendotempo

toma os sentidos 
e fica sem graça

souslow motion
na sua presença




imagem em http://cache.gawker.com/assets/images/jalopnik/2009/05/Slow-Motion-Car-Crash.jpg

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O velho e o novo


Samarone, aluno do sexto período de Publicidade e Propaganda, começou o email dele para mim da seguinte forma:

"Velho professor, muito boa a aula de ontem."

Fico feliz, novo aluno. Não por ter dito que a aula foi boa. Fico feliz por ter me chamado de velho professor. De baixo, ou do alto, dos meus 36 anos de idade, idade que completo dia primeiro de julho deste ano mesmo de 2009, me esqueço que sou velho e me esqueço que sou novo. Me lembro de lembrar a cada instante, quando olho no espelho (e olha que eu pouco olho no espelho) que "O tempo está na ponta do punhal" como diria o artesão da palavramúsica Celso Adolfo e que não há tempo a perder... Aliás essa foi a maior lição que tive do meu avô Hélio, pai da minha mãe, que me disse isso da forma mais contundente que pôde, morrendo, sem deixar que eu lhe desse o último abraço de despedida, o último carinho antes da partida, a confissão do eu te amo vovô, do alto, ou de baixo, dos meus onze anos de idade...
Samarone, amigo da música e das pessoas, começou o email dele para mim da seguinte forma: 

"Velho professor, muito boa a aula de ontem."

"O tempo está na ponta do punhal", Samarone. E independentemente de ter sido ou não boa a última aula, a de ontem, o hoje já se anunciou. E essa aula, nunca mais. O nunca é uma palavra pesada como poucas. Tenho mais medo da palavra nunca do que da palavra morte. Por isso, ouço Celso Adolfo. Por isso, escuto meu avô. Por isso, escolho te definir como amigo da música e das pessoas e não só como aluno do sexto período de Publicidade e Propaganda...
Logo você, que terminou seu email dizendo: 

"Abraço e sucesso na sua caminhada camarada. Até qualquer dia."

Tomara que sua frase final não seja um erro. Que não falte realmente a vírgula entre as palavras "caminhada" e "camarada". Quero ser amigo da caminhada, quero que ela seja minha amiga. E ouvindo as belas músicas do Celso e de tantos outros, possa eu caminhar seguro e feliz "até qualquer dia" rumo ao verdadeiro encontro...


imagem em http://concertina.files.wordpress.com/2007/01/estrada.jpg

terça-feira, 23 de junho de 2009

Coelho


o coração da gente é uma cenoura amarrada na linha duma vara de pescar







imagem em http://www.bragancanet.pt/patrimonio/images/coelho.jpg

domingo, 21 de junho de 2009

Na pracinha, o sol.


Ontem vi o Marcio com o nenenzinho no colo.
Hoje eu vi o Marcio com o nenenzinho no colo.
Seus cabelos estão mais grisalhos, seu bigode mais branco. 
É o Marcio, era ele com um nenenzinho no colo.
Ele pegou o neném, como quem pega o nenenzinho no colo, e fez aviãozinho com ele.
Era ele, ele com um nenenzinho no colo. Tá magro, a idade lhe pesa no tanto certo.
Nem muito, nem pouco, pra quem pega uma criança pra brincar de ser avô.
Sua filha é mãe. Morena, pele jambo, nem o fato de ter engordado um pouco a faz menos bonita, menos olhos grandes, menos olhos negros e reluzentes.
Seu cabelo, desgrenhado-ser-mãe, tá bonito, cacheado, meio curto, meio longo, e acompanha o movimento do Marcio com o nenenzinho no colo.
A narina direita do lindo neném tá com uma casquinha de dodói.
É que ele já tá descobrindo a vida, a vida dá dodói pra gente. A vida dá dodói na gente.
Ainda bem que ela dá Marcio, pra pegar a gente no colo, independente do dodói, da vida, da escova de cabelo, da idade, do ontem, do hoje.
Olhei Marcio no fundo dos seus olhos, segurei seu braço e lhe perguntei:
 - Tudo bem com você?
Ele não desviou os olhos, por mais profundo que eu olhasse. Ele se lembrou da nossa amizade ontem quando olhava Marcio nos olhos.
Claro, ele respondeu. Mas eu já sabia a resposta.
Ele estava lá, ali, com um nenenzinho no colo.



Foto de um passarinho neném por Thiago Barros, especialista em fotos de pássaros e orquídeas.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Até que enfim.


Oi.
Bom, eu não esperava que você fosse entrar no blog agora.
Quê que você tá fazendo?
Hum...
Legal.
Quê? 
Não, na verdade esse é um texto simulando uma conversa minha com você aqui no blog. Mas ele pode não funcionar, porque se você não tiver entrado, não dá certo a simulação...
Enfim...
Bom, deixa eu aproveitar que você entrou pra perguntar:
por quê você entrou no blog? Foi porque tava com saudades de mim, porque tava com um certo interesse no que tá sendo escrito, porque a curiosidade é maior que você, porque você no fundo sabe que a distância é uma coisa complexa de resolver?... eu não tô ouvindo a resposta, pode usar da sinceridade e da verdade absoluta. Ou tem alguém aí do lado?
...
Responde pra você, então. Dentro da sua cabeça.


Eu ouvi a resposta.
EU OUVI A RESPOSTA.
Você não pode saber, isso faz parte de uma coisa que não passa pela lógica, pelo compreensível, pelo racional... eu tô falando que ouvi e nunca ninguém vai provar que não...
Olha, deixa eu dizer mais uma coisa: se você entrou no blog por causa disso, porque não toma uma atitude diferente do que tomou? 
Sei lá, não tem criatividade? Me manda um email, liga, coloca um comentário, quem sabe o assunto rende? Bom, mas lembra que se colocar um comentário outras pessoas vão ler... 
AH, peguei!: tá vendo? Essa preocupação é que é o lance...
Olha, decide. Agora que eu comecei a ler pensamentos, tudo mais pode acontecer.



foto em: http://thumbs.dreamstime.com/thumb_286/1215388161aC9CT5.jpg

terça-feira, 16 de junho de 2009

À procura da pipa



São 22:44h.
Na casa, o silêncio da noite.
As pálpebras pesam por ter acordado novamente as 4:50h. Que respostas busco? Me lembro do Márcio, amigo antigo que citava o padre Celso de Carvalho: "...Estão procurando o que não esconderam...". 
Sim, estou procurando o que não escondi. E encontro o que não procuro.
Perdôo a mim mesmo pelos encontros. Confesso a mim mesmo sobre as procuras. Rico que sou, empobreço na escolha de "deixar viver, deixar passar...", pra quem souber o que estou citando, sem usar o francês que estudo... 
As flores do campo dos sonhos encontram as ervas daninhas do campo do racional. A emoção se confunde com o logos, azeite e água em tentativa de emulsão. Turvam-se os sentidos. Às vezes, esqueço de respirar. 
E o desejo simples de casa, saúde, trabalho, amor, alegria e prosperidade, se turva como vidro engordurado, embassando a paisagem, escondendo o caminho. Talvez os olhos fechados façam ver naus, embarcações que chegam e que são portas de saída, que levam a mundo distantes, que trazem do mundão de meu Deus.
Ontem soltei uma pipa. Escrevi nela: "Detalhes". O vento que veio partiu a linha, e disse pra mim que é Ele quem escolhe os detalhes. Que carretel na mão pouco vale, que vale mesmo é ver as nuvens e tomar agradecido a pipa que vier como dádiva.


ILUSTRAÇÃO em: http://www.macvirtual.usp.br/MAC/templates/exposicoes/exposicao_cenasinfantis/imagem/OmeninoeaPipa.jpg

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quer correr 5 km comigo?



Droga. Que merda. Essa porcaria tinha que estragar justamente agora? Bom, vou ter que correr sem música. Acho que vou cantando mesmo... se os frutos produzidos pela terra/ ainda não são tão doces e polpudos como as pêras/ da tua ilusão/ amarra o teu arado a uma estrela/ e os tempos darão/ safras e safras de sonhos/ quilos e quilos de amor/ noutros planetas risonhos/ outras espécies de dor/ uôuô uô uôuô ô... saco. Hoje não tô a fim de cantar. Nuh, que vento. Ué, quem que é essa menina? Bom, 140, acho que vou manter os 140 mesmo, ontem eu corri 12 km, vou ficar no 140 e correr 10 mesmo. Êba, a curvinha do sol. Putz, todo passeio de Belo Horizonte deveria ser igual ao dessa esquininha da rua Prof. Raimundo Cândido com João Antônio Azeredo. Adoro esse pedaço de rua. Adoro a cara dessa casa. O dono deve ser gente boa. Ôpa, campo minado. Hum... essa época do ano o sol não bate essa hora nessa subida da Zuzu Angel. Deixa eu dar um gás pra ver se animo. Ué, que horas será a missa hoje?, o povo já tá chegando... Hum, deixaram o som do Palio ligado. Olha lá esses véio. Eles correm pra caralho. Saco. Será que eu vou correr assim na idade deles? Nó, tio, se sua baliza é assim, imagino no resto... coitado do seu mecânico. Se bem que ele deve ter trabalho o ano inteiro. Descidinha, olha o joelho! Pedras soltas... ó o vigia, esse é manjado. Ué, tão fazendo uma obra ali no cruzamento da rua Virgílio Uchôa... tá com cara de Copasa. Dia bonito, hein? Vamos ver se chegando na avenida tem mais gente, tá meio vazio hoje. Hum, foi só falar... olha que loirinha saindo do carro, menino! Hum... sangue de Jesus tem poder! Aiaiai, rabo de cavalo ainda por cima, putzgrila... ué... hum, deve ser o maridão, deixa eu olhar pra lá. Beleza agora façoa a curva do lado da casa que parece uma fazendinha e chego na avenida Celso Porfírio Machado. Deixa eu ver lá em cima se vem alguém descendo a avenida com um cachorro... Caramba, parece que o sol tá até mais baixo, olha a sombra das árvores! Levanta esse joelho, jacu, abre esses ombros, deixa a Beatriz te ver. Se bem que ela me deu parabéns as 3, 4 últimas vezes que fui lá na fisioterapia, acho que melhorei minha postura mesmo... 165, beleza, ritmo tranks... hum, atelier da Sônia,... ué, essa cabeça de cavalo não tava aqui da última vez. Meio estranha essa crina vermelha... êba! Aguinha... Putamerda, algum imbecil jogou essa embalagem de Power Gel do lado da fonte! Brincadeira, parece que não é corredor... com um lixo ali, colado! Hum, esses caras tão treinando o quê, será? Já tem quase um mês, eu acho, que eles tão aqui nessa pracinha com esses apetrechos. Parece circo, será que é circo? Papai do céu!, que menina linda! Olha isso! Que falta de educação, hein minha filha! Ô imbecil, pára de olhar a menina, olha o batimento! Caramba, demorei tanto olhando que voltou pra 130... saco. Acelera negão! Olha a subida... bom Bianchini falou pra pisar com o pé inteiro na subida, pra não pisar só com a ponta... Caramba, ele já veio aqui umas 4 vezes e não consegui encontrar com ele... Prof. Cristóvam dos Santos, olha a Edna Roriz aí... olha que beleza de bougainville do outro lado da rua... obrigado, dona, a senhora é muito educada, reduzir assim pra eu atravessar... É lindo esse tronco da goiabeira, hein? E ela tá bem cheia, será que tem fruta?... É, pelo visto esses dois aí nunca correram no Belvedere e nem em lugar nenhum, olha a bermuda da criança e olha a camisa polo do tiozinho... Putz, olha o tamanho do bicho!... meu filho, segura esse cachorro, se ele correr atrás de mim vou virar um peido e chegar no carro em menos de 5 minutos. É as quaresmeiras da rua Zuzu Angel não tão na sua época mesmo... Olha um Alma de Gato! Bem que eu vi que os passarinhos calaram o bico de repente. Caramba, olha essa outra bougainville laranja do lado dessa branca, que contraste bacana! Bom, dá pra dar uma acelerada, né?, o ritmo tá bom, fôlego 10, um grupo de meninas a 1 quarteirão e meio de distânc... - Bom dia, moçada!... esses tão aí invariavelmente todo final de semana, tão que nem eu... Ué, a missa já começou, em que parte será que tá?, tem uma mulher cantando... pô canta bem, parece... Vixe, o dono do Palio não voltou até agora e o som continua ligado... Ufa, descida. Deixa eu abrir a passada agora pra chegar na lagoa seca com um ritmo bom. Ah, tava demorando: é vem eles! Os Smurfs! Esses fédaputa desses Smurfs correm pra caramba. Todos de uniformezinho azul. Será que a Tininha tá nessa turma? Acho que é a de boné. O povo deve achar que eu sou mal educado, sem óculos fica foda de ver o povo... - Ei! Beleza?!? ... era ela mesmo. Linda essa menina, viu? Impressionante a beleza dela. O marido deve ser um cara massa... bom e deve ser corredor também, porque aguentar mulher corredora, só correndo pra caramba mesmo... sem correr elas já dão o maior trabalho... Valeu Gol!, deu passagem na rotatória da Paulo Camilo Pena com Celso Porfírio Machado... Olha o São Bernardo! Hehehe ... babão... 172, tá bom. Deixa eu ver quem tá no alongamento... ah, olha o Paulo Emílio alí... - Fala Paulão!... tudo!... bom, 29 minutos... Tá tranquilo, vou dar mais uma volta de 5km e depois tô pronto pro domingo. Saco. Tenho que comprar um iPod novo segunda...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Quetoquemtodasasmúsicasdeamordeumasóvez



Preciso escrever é algo é o dia de hoje devo saber coisa alguma sobre como abrir a porta do carro escrevo comentários a partir de rosas vermelhas colombianas ouso digitar sugerir à amada em meu coração e usa capuz vermelho porque quero explicitar pregar etiquetas selos e preços das coisas todas nos armários da cozinha na parede em qualquer lugar resolvo mentir encontrar as letras certas para as palavras erradas ficar de cara para o espelho que mostra meu peito batendo mais forte no encontro e ela sabe e ainda assim fugir porque me mandaram fugir já que ela não me quer mais por perto por longe por certo reclamo que não há saída se não há entrada sei que é só você e só você que faz com que eu entre em pânico e seja ciumento com medo de perder o que já perdi e sei que a batalha já está declarada quando se tem medo da luta e o sorriso e o jeito de me olhar e as dúvidas e os cabelos do braço e o som de você respirando deitada e dormindo e a descoberta de que tudo o que eu queria era ficar do seu lado independente de você estar acordada comigo independentedevocêestarcomigoe o amor intensoeforte e quente esuadomeladoeexpressivo que gritou tantasvezesnacama no quarto nasala no hotel nasmentes nosdesejosnosvôos nosaeroportos de nósqueinsistimos em nos unirmoscadavezmais e comoéque pode issoseacabarassim o meudesejoéqueagentesejunteainda maisprasersóumprorestodavida e portodoosempreepormais queeu tedigaqueeuteesperopelotempoquefortalvezissonuncamaismude porque otempopassa e quan do o tem po pas sa tu do pa re ce se a fas tar     aos        pou             cos              a              té         que         t                   u             d                        o                               s e                                                                         d i      s                                 f a z .    .        .
n   ã     o      .       .         .              n                   ã                               o                                  .                                                     .                                                       .                                                             n                                                                 ã                                                                                                   o                                                                                          .                                                                               .                                                                                                                            .                                                                                                          e                                                                                                                                a                                                                 g                                                                                                                                           o                                                                                                                                                                                                       r                                                                                                                                                                                            a                                                                                                                                                                                                                                                              ?  


imagem em http://imagens.kboing.com.br/papeldeparede/7272coracao1.jpg

terça-feira, 9 de junho de 2009

LanTERNA.


Não é obrigado.
É só se quiser.
Ela quer.
E está comigo sem motivo, de longe, de perto, de sonho, de certo.
Encontra motivo em si, resolve o motivo em mim,
e faz sonhar...
Coloca a cabeça no colo,
dorme.
Coloca a cabeça no colo,
acorda.
Esconde a desculpa e atravessa sem culpa o medo, o frio, o escuro.
Noturnos de nós, que escutamos a noite,
escuros de nós, que clareamos os sentidos.
Avessos de nós, que escutamos os defeitos,
sem jeito,
e estamos, somos, atravessamos...
Fada madrinha do encanto de mim, me anuncia!
Carta esperada da notícia sem fim, me alivia!
Aparece, espelho da noite, e me toma no sono, me convida a bailar... me com vida...
E escuta, e antecipa! 
Rompe corda, salta verbo, cresce certo e resolve. 
Maravilhosamente clara.
Eu sei.


foto Daniel Mansur http://1.bp.blogspot.com/_IYgQcwNAmds/R2rBWqGGSEI/AAAAAAAABSY/yjI_xHsMJqs/s400/DSC_3445.jpg

domingo, 7 de junho de 2009

Calo.




Silêncio. 
Oh, único modo de ouvir.
Silêncio,
o modo único de sorver.
Silêncio:
sorvete da alma que derrete.
Só resta o nó que nos aquece,
só fala o hiato em dó, menor...
- Silêncio, estou tentando pensar.
- Silêncio, estou tentando escutar.
- Silêncio, está difícil de ouvir.
Me escuta, eu já não sou mais palavras.
Me ouve, eu não sou só mais discurso.
Me grita, silêncio de mim, me cala.
Me calo, e dói quando calo.
Eu falo: silencio em mim quando falo.
Se lê no som do vazio o oco de mim que anuncio. 
Sim, silencie. 
E escute, enfim, o que quero tanto dizer.
Silencie.
E escute o que quero tanto, tanto, tanto.
Diz ser...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Continue escrevendo.


A vida é como uma cartinha para o papai-noel.
Não serve pra nada.
Mas é só escrevendo que ela existe...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sobre o silêncio constrangedor.


Branca, do blog http://scriptmanent.blogspot.com/ me desafiou com um tema instigante: escrever um texto pro blog em prosa sobre isso. O que ela chama de "silêncio constrangedor". Eu disse, tudo bem. Mas você vai ter que escrever um poema então sobre o mesmo assunto. Foi quase um desafio de buteco. Se fosse, eu e Branca estaríamos tomando uma bela de uma cerveja com um torresmo de barriga. Apesar desse desafio não ter sido num buteco, acho que eu soube no ato do que ela falava... aí vamos.

É como uma pausa na vida. Um caso a se pensar. Um enigma, uma crença, um sopro
Lulu Santos ontem pegou carona comigo, descendo a avenida Nossa Senhora do Carmo. Ele me disse: "-... o poeta é a pimenta do planeta...".
...
Está vendo os três pontinhos acima? Esse é o silêncio constrangedor. Foi o que eu disse ao Lulu quando ele mandou essa. 
Sabe, acho que o silêncio é um discurso. Um dos meus mestres zen favoritos, Guimarães Rosa, já postulou: "você sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais." Putz, como escrever algo diante disso?
Nada será mais profundo, mais intenso, mais rico, mais definitivo que essa fala de Riobaldo sobre o silêncio. Telvez haja apenas uma saída pra mim, já que sobre o silêncio está tudo dito. Ou ficar em silêncio, ou dizer algo sobre o constrangimento:

Você sabe o que o constrangimento é? É uma espécie de torcida na alma... 

terça-feira, 2 de junho de 2009

À mesa com Mme Lullu.



Mme Lullu,
tire os óculos.
Eles não mais te servem. Acredite, você enxerga melhor sem eles.

Veja bem, veja de novo, o espelho não mais serve de parâmetro. 

Lave as mãos, descanse os braços. Por mais esticados que estejam, eles não alcançam a terra natal. Bata as asas, dê aquele passo, feche os olhos, inspire e expire fundo, forte, grite.
Qualquer coisa, mas olhe à sua volta.

Tantos castelos, tantas plantações, tantas colheitas, tantas videiras, tantos sorrisos amigos.
Tantas são as uvas da sua fantasia... Mas o vinho está ali, servido.

O queijo, a crepe, o dendê. O churrasco, o chimarrão, a moqueca, o frango com quiabo e até... sei lá, ... paella???

A mesa farta tem seus desafios. 
A escolha e a renúncia, Mme Lullu: - banquete.
Banque-te.