quarta-feira, 29 de abril de 2009

Trova do Soalheiro


Vale entrar no site do Máximo Soalheiro:
http://www.soalheiro.com.br/livro/index.html

Ontem, eu e alguns amigos estivemos presentes em mais uma abertura de forno...
Já deve ter uns 15 anos que vi pela primeira vez. Mais de 3.000 graus e, como bola de fogo, encantando os adãos de plantão.

A costela que meu amigo Máximo extrai de cada peça é sonho nos olhos de quem as vê...


Trova do Soalheiro

Barro, matéria prima
do máximo alquímico ser.
Ser, prima matéria
do meu amigo querer.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Saldade, tempero da vida.


Tenho recebido uns feedbacks interessantes sobre o blog. Não só os que você pode ler, os comentários. O mesmo número de comentários, ou mais, me são dados por email, ou pessoalmente. Que bom.

Hoje aconteceu isso.

Uma aluna minha, do sexto período de Publicidade e Propaganda veio até a minha mesa: 
- Professor, viu meu email? (acho que ela não sabe o meu nome)
- Sobre o blog? Vi., respondi.

Mas o email só não bastava. Era preciso dizer da saudade, da importância da saudade, da importância do texto "Perto Longe" e do sentimento que ela tinha quando pensava sobre isso, sobre a perda do seu pai, da importância lancinante da saudade...

Ela começou a falar e a torneirinha dos olhos se abriram. 
Ela: - é difícil falar. Eu me lembro como se fosse hoje, sabe? 

Ela me contou que seus pais não haviam casado no religioso, só no civil. E que o sonho do pai dela era se casar com a mãe numa cerimônia. (O poder do rito...)
Sabe o que houve? O pai dela realizou seu sonho e faleceu uma semana depois. Ela viu a cerimônia. Ela já era uma menininha.

...

Phoda. Foda com PH. 

Joseph Campbell escreveu "O Poder do Mito". Se eu fosse sábio, escreveria O Poder do Rito...

E, bacana, ela me disse que ter lido o meu texto despertou essa saudade, conectou-a com seu pai, fez com que ela se emocionasse, enfim, transcendeu... 

O quê dizer? Me lembrei apenas de um tio muito querido meu, que, como diz Rubem Alves, "encantou" há pouco e foi pra outro plano, outra tela do cinema sensível. Sua filha, minha prima, chorando as mágoas da "perda" pediu meu consolo. 

Só soube dizer a ela o que eu achava sobre a vida eterna, sobre o fato de vivermos pedaços de nossos pais, quebra-cabeças paternos e maternos, que se materializam em nós, que se reencantam em nós e se fazem presentes, poço da juventude. Presentes em seu sentido maior. Dádiva, bem precioso, surpresa com laço e papel de seda colorido. 

- Junte-se com seus irmãos (eu disse a ela). Quando todos vocês estiverem juntos, lá vai estar seu pai, um pedacinho em cada um de vocês. Quem sabe vocês resolvem se abraçar pra que ele apareça por inteiro?...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Anthonio, musicamente.

Se tem uma coisa que faz a gente transcender, essa coisa é a música.
Eu já disse: "a música é o sonho da palavra."
E quando tem alguém ungido navegando pelos mares desse sonho, só nos resta fazer reverência: - - Vai nessa, Ulisses!

Anthonio é esse trovador.

Anthonio faz amor com a música, encantado pela palavra, sabedor dos sons, dos dons, das dores e cores. Mergulha fundo nas águas encantadas do canto, seu manto, capa de herói.
Sou seu fã-irmão-parceiro eterno.

E quem for audaz e corajoso o suficiente pra saber do que estou falando, que o veja cantar e encantar amanhã no Parque Municipal, no palco próximo ao Palácio das Artes...

Eu omito.
Mas não minto.

1979, 1984, 1988, 1990

Adoro bisbilhotar meus escritos antigos... 



Esse da foto, 1979
Os que transcrevo abaixo, de 1984, 1988, 1990:

1984
"O arco-íris do amor revela em seus traços singelos a cor da ternura."

1988
"A arte do teatro não é nada mais que a representação da vida através do sonho, da ilusão fantástica. Quem faz teatro não é só fantástico. Faz parte do sonho de alguém."

1990
Saída pela porta de entrada

"Existir é o dom de ter o rivilégio perante outros que ficaram a se debater, para morrerem ao entardecer.
Descobrir a vida e sentir a emoção do desconhecido, do verdadeiro e primeiro medo, diríamos mais tarde. 

Sufocamos então a descoberta para nos valermos da primeira experiência. E com ela, aprofundaremos a mesma...

Sim, reviver, por nós mesmos um e o outro, os dois. Ensinar, dar sustento, envolver!

É chegada a hora de esperar, voltar a ser criança e brincar de ser a árvore frondosa, aconchegando os pássaros depois da tempestade. Oscilar de acordo com o vento e ser sempre preso às raízes profundas e fortes que ainda nos sustentam.

É chegada a hora de recolher, descansar, alcançar a tão pedida paz e despertar para a plenitude. Reviver, mas para cima, subindo a escada dos sonhos e abrindo a porta para a enernidade."

(Hehehe. Ainda pentelho e já um chato pensante...)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

é...


Disca aí no telefone e pergunta se tem creme rinse. Eu já vou comprar a fita k7 e o dente frício, aproveito e compro, antes de passar na locadora pra pegar o tal vídeo ótimo que você me indicou. 

Jóia esse Aquaplay hein?  

Massa. 

Vou indo. Ainda tenho que bater uma carta pra enviar pra uma amiga minha que tá fazendo residência na França...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

As contas coloridas da menina

Salva-vidas.

Comigo foi assim: este olhar me buscou muitas vezes. Olhar carinhoso, olhar que diz da esperança, que ouve o novo, que sente o perfume do nascimento, que toca a pureza, há ainda o que descobrir, sementinha na terra molhada.

Revela as possibilidades da vida, pinta de gargalhada até dar dor de barriga.

São as contas coloridas, você vai dizer... humm, não... as contas coloridas perdem a conta no entendimento e a sutileza da poesia toma conta, revestida de criança, bocejo de Deus numa tardezinha de sol com um ventinho brando nas copas das árvores. São os olhos da bárbara menina que encantam a gente. 

É do que fala a música "Lente do Amor" de Gilberto Gil.

Quem aí já virou criança no colo de uma criança, levante a mão.

Dou um algodão-doce pra quem contar estrelas essa noite e não se esquecer se deitar com o papai do céu...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Duque Honey Glow


Posso começar com um beijo. Ou um sonho. Ou uma noite escura de junho, ou mesmo com um amigo fiel que esconde a mentira, não diz a verdade, se envergonha com o fato de ser assim, ou assado, enfim, posso começar até com a história do Duque, meu collie vermelho marchador.
Junho. Era junho, próximo à metade do mês e o frio não gelava os ossos, não esquentava com a coberta e nem mesmo aproximava as pessoas ou deixava todo mundo mais chique, como minha mãe gostava de dizer.

Todos poderiam vestir marrom, preto, longos vestidos, longas horas, mas simplesmente escolhiam deixar viver, deixar passar, deixar sofrer, deixar, apenas.

É. Melhor eu começar com o Duque, mesmo. Menos dramático.

O Duque era um cachorro muito elegante, aliás.

Quando havia festas em minha casa, saraus, aniversários, jantares, encontros e desencontros, o Duque sempre demonstrou ser o elegante que era. Ele tinha uma história de afinidade com o bairro, com as crianças da rua, com o muro de pedras cinzas que ficava na parte da frente da minha casa, ali, onde o carro descia para estacionar.

Ainda é viva na minha mente a imagem do Duque passando de um lado a outro na rampa da garagem, se coçando, como é viva a imagem de meu pai descendo as escadas da casa e chegando em casa com ele, filhote ainda, com o pêlo bem claro (honey glow), focinho bem preto e fino, elegante como só ele mesmo, me trazendo o meu presente de aniversário.

Não me lembro agora quantos anos eu tinha. Nem me lembro do meu pai ter entrado em casa pela porta do andar de cima uma outra vez, que não essa, quando ele me trouxe o Duque.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Perto Longe


Minha amiga jornalista, que escreve na revista Sagarana, a Pat Castro, tem um blog: 

http://www.paticastro.blogspot.com/

Pois bem. Lendo o blog dela, vi uma construção interessante. Ela falava de saudades do sul. "Suldades", diz ela. Foi quando me lembrei de uma coisa bonita e resolvi compartilhar. Pelo menos parte dela... Uma coisa bonita mesmo, sem preconceito, sem olhos de contemporaneidade...

Meu pai e minha mãe cantando juntos "Meu primeiro amor"

Se tem um momento realmente bonito na minha família, no quadro da parede da minha infância, é este. Ele fazendo a voz principal e ela fazendo segunda voz:

"Saudade palavra triste quando se perde um grande amor Na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor
Igual a uma borboleta vagando triste por sob a flor
Teu nome sempre em meus lábios irei chamando por onde for
Você nem sequer se lembra de ouvir a voz desse sofredor
Que implora por teu carinho, só um pouquinho do seu amor

Meu primeiro amor
tão cedo acabou só a dor deixou neste peito meu
meu primeiro amor
foi como uma flor que desabrochou e logo morreu
Nesta solidão
sem ter alegria o que me alivia são meus tristes "ais"
São prantos de dor que dos olhos caem
é porque eu bem sei quem eu tanto amei não verei jamais"

Composição: Herminio Gimenez - Versão de José Fortuna e Pinheirinho Júnior

o problema é que existem dois grandes tipos de saudade: 

Saudade Longe e Saudade Perto.

A saudade longe é difícil. A saudade perto é phoda.

Quem nunca amou de verdade não sabe o que é saudade...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Me desculpe


Pra dizer a verdade, devo pedir desculpas.
Nem sempre conseguimos dar prosseguimento aos nossos sonhos, por mais que eles pareçam possíveis, realizáveis, realizados, sei lá.
Comigo aconteceu isso.

Acordei hoje novamente com uma dor insuportável.

Uma dor na coluna excomunal, não consegui me levantar naturalmente, sem a ajuda das minhas mãos segurando minha cabeça, meu pescoço, enfim.
Antes de ontem e ontem senti a mesmíssima dor. E "inexplicavelmente" ela passou quando des-cobri que estou tomando um passo errado em minha vida: estou esperando.
O quê? - essa é uma boa pergunta.

Filosoficamente, talvez não haja nada a esperar.

Quando pensei nisso, e nas consequências práticas dessa reflexão, a dor do meu pescoço, da minha coluna, simplesmente se foi. Mas voltou hoje de manhã, de modo assustador.
Porque não adiantou a reflexão. 
Ela, sem ação, não é nada. É um poema guardado na gaveta. 
Ele só existe quando lido. E por outro.

Fui até a sala, onde tenho um tapete de bamboo e umas almofadas confortáveis de folha de bananeira para meditar e me deitei em uma postura ensinada por minha Osteopata.
E, quando virei de lado, tentando me alongar, descobri na estante - que nem é tão grande assim - um livro justamente na parte de filosofia, onde mais fuço - adoro esta palavra misturada com filosofia - , que eu não conhecia... (o curioso é que só pode ter sido eu quem o colocou ali...)
"Pequenos Milagres 2"
Sei, o título é péssimo, em termos de credibilidade... Você vai pensar: "ah, pára, nem vem com essa auto-ajuda..."

Sim, você está com toda a razão. Só que "inexplicavel-mente", "nova-mente", eu des-cobri, eu re-velei a reflexão que tive sobre estar esperando...
Eu achei o livro, li um pequeno trecho, me lembrei da reflexão que tive e a dor quase que se foi completamente.

Devo pedir desculpas.
Eu sei que o blog tem sido uma espécie de extensão do lançamento do meu livroCD 8, de agosto do ano passado. Mas ainda é pouco. Muito pouco. Preciso encará-lo com mais força. Preciso empurrar, sacudir, gritar, espernear esse livroCD enquanto eu tiver forças.
Eu devo isso às pessoas que estiveram no lançamento, às que compraram, às várias e várias que me mandaram emails agradecendo pelo que leram. Eu devo isso às pessoas que podem ser tocadas por ele, pelo livroCD, pelas músicas, pelos textos, pelo sentimento contido ali esperando alguém que solte as correntes, abra a gaiola, empurre da ponte...

Devo pedir desculpas.
Os pequenos milagres que vi acontecendo para que este livroCD fosse lançado são a prova maior de que tenho um compromisso de vida com ele e com seu movimento - aliás, o assunto do livro...
Eu demoro. Mas aprendo e apreendo.

domingo, 12 de abril de 2009

Encontros ou em trancos


Fonéticamente se parecem.
Mas encontros não pode ser em trancos. Nem em barrancos..., como diz o dito popular.

Há encontros e encontros. Uns não nos dizem nada. Uns incomodam, sacodem, tumultuam. Dizem muito com o tanto de silêncio que rola. 

Por que será que precisamos tanto de palavras?
É doido pensar nesse ser de linguagem, da linguagem, que precisa de palavras... Será?
Eu sei o que o silêncio diz. Muitas vezes. Muitas mesmo.

E queria que os outros soubessem também.

Mas tem gente que não aprendeu ainda a ouvir com o coração.
Se ouvissem, saberiam. E entenderiam os encontros com nosso silêncio.
E até, talvez, respondessem à altura, com palavras ou não, falando com o ouvido do peito.

Quero contar um segredo que nunca contei pra ninguém:
meu médico cardiologista não coloca um estetoscópio no meu peito. Ele coloca um microfone.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Lua e a platéia

Desafia acordar para a tela vazia...
Ele saberia o que escrever. Mas este blog não é um livro aberto! Tudo é medido, pesado.
Pesado? 
Ele quer mesmo que seja beeem leve. O pesado não tem mais lugar em sua vida.

Sim, ele ama.
E vai amar pra sempre...

E no musical que participou um dos atores falava:
"- Quem espera sempre alcança, três vezes salve a esperança!"

Era uma linda cena. E, das luzes do palco, o ator se desconstrói, desce da ribalta e vem olhar o espectador nos olhos.  "- sou eu mesmo!", ele diz. Mas... renovado, renoivado, diférente.
Tira a máscara da personagem e sente a textura do couro que ele esbarra, os olhares na penumbra, o desconforto de quem se ajeita na cadeira pra não perder nenhum segundo sequer...

"- Eu vou. Não me esperem. O musical vai ter que continuar sem mim.
Ele tira a blusa, suas asas aparecem. E, como mágica, sai voando por entre as cadeiras da platéia, ganha a entrada do teatro, ganha a rua, ganha o mundo.

E na lua cheia sabe que o mundo dá voltas e que a qualquer momento eleeela podem se encontrar.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

É como diz a música: "Amor, de toda forma"...

Treze mil pessoas. Todas na mesma direção.
Não importa se você vai ganhar, você simplesmente não vai perder.
É você com você mesmo, um encontro real, com o limite, com a superação, com a vontade de chegar lá. Uma alegria perfeita vivida. 

Ali, uma experiência sensorial alegórica do ser em movimento.
É 8 puro.

Correr faz bem pra alma.
Faz bem pro espírito. 
Faz bem. E renova a vontade de viver, de ser feliz, de acontecer, de se superar, coisas que estão cada vez mais difíceis em um mundo marcado pelo individualismo, consumismo, autoritarismo social, desencontro...

Você pode dizer: mas não é um esporte coletivo...! 
Pode ser. E pode não ser. Quantas vezes atravessei a linha de chegada de mãos dadas? Quantas vezes passei por aquele que andava no km 18 e disse: - Não anda! Trota devagar! Falta tão pouco!

Quantos me deram o mesmo incentivo quando eu morri por dentro e sofri por fora?...

Neste último final de semana, encontrei com duas das 8 pessoas que mais amo. Fomos juntos fazer a Meia Maratona de São Paulo. Um respeitou o tempo do outro, um torceu pelo outro, um incentivou o outro. O um e o outro. Os dois. Nós três...

Sabe..., correr é um ato de amor próprio.
Correr é o desejo de tempos melhores.
Correr é fazer amor consigo mesmo, pra se preparar para o encontro com o outro.


*na foto, um prêmio merecido: uma especialidade do jantar no D.O.M.
(purê com queijo minas e queijo gruyère, que sai da cozinha rolando das mãos do garçon diretamente para o nosso prato - humm... vale conhecer...)
http://www.domrestaurante.com.br
- Um abraço, Chef! Adorei te conhecer!

simnão

Há muito aqui dentro, Não vou conseguir falar.
Não, pressionado por uma só chance, um só encontro, uma só saída.
Se o Amor se condiciona a um só tiro, você simplesmente não pode errar.
E, ouso saber, errar é humano.
Errei muito em nós, em nós, subsumidos.
Errei tanto e tanto, que perdi o bônus do perdão.
- Perdão.
É por isso: só tenho uma chance.
Um só encontro, uma só saída.
Quando o Amor se condiciona a um tiro, eu simplesmente não sei. 
Nem errar, nem acertar.
Já me disseram: o não eu já tenho... por que não tentar o sim?
Isso é muito bom dito assim, com o outro perto longe, não com o outro longe perto.
Da boca pra fora é mais fácil, do lado da teoria é mais simples. Mas
 quando atinge a gente...
Gente & tiro; Amor & saída; Não & sim; Ousadia & sabedoria. 
Erro & acerto.
Melhor correr um pouco para irrigar o cérebro.
O que irriga o espírito?



terça-feira, 7 de abril de 2009

Haikai contemporâneo



Encontro


parto
e re-parto
inteiro
e de cor

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Haikai extemporâneo (com-para Guigui)


U

D e u s   l o c a
o  d i a b o
d e s l o c a