terça-feira, 3 de março de 2009

RED ME


Houve um dia em que o céu ficou vermelho. Um vermelho meio vinho. Quase cor de sangue. As pessoas não entenderam bem o que aconteceu. Lembro que eu passava na curva do Ponteio e, de repente, foi como se estivéssemos em um filme comercial, uma propaganda te TV. O efeito inicial era esse: o céu, que estava alaranjado-tarde sob efeito de uma ilha de edição de Deus, se transformara em poucos frames em um céu vermelho-agressivo, nuvens cinza, cinza-escuro, que andavam em uma alta-velocidade não compatível com o vento...
Temi por mim.
Sério.
Impressionante a influência do tempo na vida das pessoas. Do clima, do tempo, do meio... Hoje me lembrei de um tempo em que o tempo passava mais lentamente e que a gente tinha tempo de nos sentir mais parecidos com a gente mesmo.
Nesse dia de céu vermelho, fiquei com medo de ficar agressivo, com medo de não responder por meus atos, com medo do vermelho existente em cada uma das pessoas.
Por que será que a gente associa tanto a paixão e o ódio com o vermelho?
Os extremos. É isso. Os extremos.
Curioso que o vermelho é incômodo. Esse vermelho forte, puxado pro vinho é muito incômodo. E as pessoas amam e odeiam, enfim, trabalham o sentimento sob o efeito desse vermelho...
Talvez o vermelho seja então a cor da vida, a cor do que dá expressão maior ao amor.
Pulsão.
Passarela poste cimento torres fios prédios prédios favela placas outdoor lixo cinza azul vermelho amarelo cinza verde cinza fio luz placa fio placa cinza poste poste poste poste poste posteasfalto buraco asfalto buraco rechadura buraco asfalto luz sinal vermelho e vermelho de novo. Mas antes tenho que falar da favela, do alto do morro, das casas de tijolo meio vermelho, meio alaranjado, meio sujo, meio sem cor, meio sem cor, telhados irregulares e depois dizer o que é vermelho em cada um de nós...
O sentimento é de revolta. De ser uma pergunta e não ter resposta. Ou será que é de não ter tido resposta pra pergunta que eu sou?

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