segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Miserinha


Entrei na igreja. 
Fiz valer minha fé.
Curei enfermos, impus a paz, renasci melhor. 
Renovado. 

Renoivado.
Apaixonado pela vida, em consonância com O som - se é que essa alegoria é possível.
Broto que rompe a semente, broto que rompe, casulo rasgado - nesga de sol.
Deito sem compromisso e me ponho a velejar, meu barco imaginário brincante das águas possíveis:
Miserinha do Mar é seu nome.
Sobe e desce.
Desliza fácil por sobre as cristas, corte de navalha que não fere nunca, só escreve letras gigantes no mar. Suas curvas, perfeitas. Seu traço é firme. Seu barulho inconfundível.
É Miserinha do Mar a cortar o vento, faca quente no pote de manteiga.
Meu pão se fecha.
Dou uma mordida no corpo de Cristo, bebo o vinho, faço sinal da cruz, me abençôo e meus familiares...
Vão com Deus, gente!

Um comentário:

Raquel disse...

Lembrei da música que adoro!
(...)
Tudo é verão
O amor se faz
Num barquinho pelo mar
Que desliza sem parar.