terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Alpendre


Céu nublado. Mas prefiro dizer LUBLADO. Não é mais legal, foneticamente?
Existem um monte de palavras em português que são incríveis, independentemente de seu significado. Quem já jogou dicionário sabe o que estou dizendo. Eu sou fã de várias palavras e já disse isso em meu livroCD 8, lançado em agosto de 2008. Há palavras que são, em si, enredos. EVO, por exemplo. E duvido que você saiba o que é isso.
Sabe outra que me encanta? ALPENDRE.
ALPENDRE é muito bacana. O interessante é que só quem teve alguma relação, porque não dizer, afetiva com o (um) alpendre sabe o que estou dizendo.
Aliás, fórmula matemática: a intensidade da compreensão é diretamente proporcional ao afeto, em um sentido mais amplo.
Isso, tendo em vista que entendimento é uma coisa. Compreensão é outra.
Quem olha no dicionário, entende o que é ALPENDRE. Mas quem teve um avô atleticano que gostava de queijo canastra com sal e azeite no palito e Brahma gelada, sentado no alpendre da rua São Paulo 1883 no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte, pode compreender o que estou dizendo.
...
Olha que palavra bonitinha que acabei de ver no dicionário!: FIFÓ.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Dr House




Os fãs do Dr.House talvez não tenham atinado pra isso, mas ele é simplesmente uma imagem fiel do que quer ver o ser humano moderno. Com sua deficiência estampada na testa, ou melhor, na perna manca, nas dores que sente, enfim, o Dr. House acaba por representar o Sujeito marcado pela falta. E em seu caso, isso é evidente. Me questiono: será que por isso as pessoas param pra ver um acidente na rua? Sinceramente, não acredito que "o povo gosta de desgraça", como dizem. Acho, sim, que é como ver o Dr. House. É como se aquilo que em nós é escondido (ou tentamos esconder a qualquer custo), nele é óbvio, evidente, está lá pra todo mundo ver. E o que apreciamos é que, mesmo marcado, mesmo "defeituoso", House encanta, House "chega lá"... Não é o que buscamos? Mesmo com nossos defeitos, que insistimos em não colocar pra fora, somos aqueles que querem chegar lá, que querem encantar, que querem vencer, enfim... E ver um acidente na rua é como ver a obviedade da falta, do buraco. É como ver que não estamos sós em nossa miséria humana. Ah, se a gente tivesse uma bengala, mas fosse genial como o Dr. House! Sem dúvida, nossas dores não seriam menores. Mas seria bem mais interessante viver. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

143

Grande Sertão: Veredas, página 143.
"E, o que mais foi, foi um sorriso. Isso chegasse? Às vezes chega, às vezes. Artes que morte e amor têm paragens demarcadas. No escuro. Mas senti: me senti. Águas para fazerem minha sede."
Quanto mais leio Guimarães, mais encontro sentido na aproximação entre música e literatura, sonho e palavra, ritmo, harmonia e compreensão de texto. Para ler Guimarães, uma dica: aprenda a ler poesia.